Pedro Almeida chega ao Rally 6 Cities North of Portugal embalado pela vitória no Algarve e apenas seis pontos atrás da liderança do Campeonato de Portugal de Ralis. Na penúltima prova da temporada, o piloto da Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal assume novamente a ambição de discutir o triunfo.
Ao lado de António Costa e aos comandos do Toyota GR Yaris Rally2, Almeida enfrenta um dos maiores desafios do ano: 17 classificativas e 181,10 quilómetros ao cronómetro, num rali longo e onde a gestão poderá ser tão importante como a velocidade.
“Chegamos ao rali com confiança e muita vontade de voltar a lutar pela vitória. O triunfo no Rallye Casinos do Algarve reforçou a nossa motivação e queremos dar continuidade a esse resultado nesta fase decisiva do Campeonato de Portugal de Ralis”, afirma Pedro Almeida.
Consciente da força da concorrência, o piloto mantém o foco nas contas nacionais: “A ambição é estar na discussão do CPR. Eu e o António sabemos que vamos encontrar uma concorrência muito forte, mas estamos preparados para o desafio.”
Armindo Araújo estará entre os protagonistas do Rally 6 Cities North of Portugal, prova que marca simultaneamente o regresso do Europeu de Ralis ao Norte do país e uma etapa decisiva do Campeonato de Portugal de Ralis. O piloto tirsense integrará ainda a equipa portuguesa num inédito duelo frente a França.
Disputado entre sexta-feira e domingo, o rali organizado pela Demoporto terá passagem por Guimarães, Fafe, Ribeira de Pena, Boticas, Felgueiras e Cabeceiras de Basto, apresentando um percurso mais longo e exigente do que o habitual no CPR.
“Queremos andar num ritmo que permita lutar por um bom resultado, quer no CPR, quer na classificação geral. É um rali com características de que gostamos imenso”, assume Armindo Araújo.
Um dos pontos de interesse será o confronto Portugal–França, colocando quatro pilotos de cada país numa competição paralela cujo resultado será definido pelo somatório das melhores classificações de cada seleção.
“É sempre um grande orgulho representar as cores do nosso país e tenho a certeza de que vamos dar tudo para sermos mais fortes do que os nossos adversários”, sublinha Armindo Araújo.
A competição arranca na sexta-feira, 23 de outubro, com a cerimónia de partida e a primeira especial disputada em Guimarães.
Montalegre prepara-se para receber a RallyX Global Final, que junta 77 máquinas e pilotos de 18 países na discussão de seis títulos globais de ralicross e kartcross. O fim de semana terá formato de jornada dupla, com uma prova no sábado e outra no domingo, e uma novidade absoluta: corridas noturnas na pista barrosã.
A competição reúne alguns dos melhores pilotos dos diferentes campeonatos RallyX da Europa, Estados Unidos e Canadá, num programa com quase 50 corridas.
O grande foco estará na nova categoria FC1 Hypercar, reservada a máquinas elétricas de quatro rodas motrizes e 1.100 cv, capazes de acelerar dos 0 aos 100 km/h em apenas 1,4 segundos.
E os nomes ajudam a medir a dimensão do espetáculo. Timmy Hansen, Niclas Grönholm, Tanner Foust, Kevin e Oliver Eriksson estarão entre os protagonistas, juntando-se-lhes Dani Sordo, que fará em Montalegre a sua estreia absoluta no ralicross depois de mais de duas décadas ligado ao WRC.
Também Marcus Grönholm, bicampeão mundial de ralis e embaixador do RallyX, estará em Montalegre para realizar demonstrações ao volante de um FC2 Supercar de 550 cv.
A principal novidade do programa surge no sábado, dia 24, com a realização da primeira prova noturna de sempre no circuito de Montalegre. As finais serão disputadas sob iluminação artificial, acrescentando um cenário inédito a uma pista já conhecida pelo ambiente criado pelo público.
Além dos FC1, estarão em competição as categorias FC2 Supercar, 2RM, Open 4RM, Crosscar e Crosscar Júnior.
Portugal estará representado por vários pilotos, tentando repetir os sucessos alcançados em 2025 por José Oliveira, nos Supercars, e Alexandre Borges, nos Crosscar.
Antes da competição propriamente dita, Montalegre volta a levar o RallyX para o centro da vila. Esta sexta-feira, a partir das 13h00, está previsto um desfile das máquinas e demonstrações nas rotundas de acesso, seguindo-se visitas dos pilotos às escolas do concelho.
Com 77 inscritos, seis categorias, 18 nacionalidades e uma noite de corridas pela primeira vez na história da pista, Montalegre prepara-se para um dos fins de semana mais internacionais e espetaculares da sua temporada de ralicross.
A GT & Sports Car Cup encerra a sua 20.ª temporada no Algarve Classic Festival com uma das grelhas mais fortes do ano. A corrida de duas horas, marcada para domingo, 1 de novembro, levará ao Autódromo Internacional do Algarve uma coleção notável de sportscars e GT anteriores a 1966.
Portimão recebe a decisão da competição há 15 anos — com exceção de 2020 — e volta a reunir máquinas que representam algumas das páginas mais marcantes da história das corridas de resistência.
Um dos grandes destaques será a presença inédita de quatro Cooper T49 Monaco, acompanhados por um poderoso Lister-Chevrolet, Lotus e Elva. Os Cooper recuperam também uma ligação histórica a Portugal, país onde a marca venceu Grandes Prémios de Fórmula 1 em 1959, com Stirling Moss em Monsanto, e em 1960, com Jack Brabham no Porto.
Entre os GT, três derivados do AC Cobra estarão entre os principais candidatos, com as esperanças portuguesas depositadas em Pedro Macedo Silva, vencedor no Algarve em 2017 e 2024, que este ano dividirá o volante com Murray Shepherd.
Também os Lotus Elan 26R, vencedores de duas das três rondas já disputadas em 2026, prometem discutir os primeiros lugares, enquanto a GT3 contará com quatro Austin-Healey 3000, o Morgan Plus 4 SLR e um Triumph TR4.
A diversidade estende-se ainda à GT2, com forte presença de MGB, Lotus Elite e Morgan Plus 4 Super Sports, e às categorias de Turismos, onde Ford Mustang, Mercury Comet Cyclone e um Mini Cooper S prometem recriar algumas das clássicas batalhas “David contra Golias”.
Com dezenas de carros históricos, marcas emblemáticas e máquinas separadas por filosofias completamente distintas, a GT & Sports Car Cup prepara em Portimão um fecho de temporada à altura dos seus 20 anos de história.
Fernando Soares sagrou-se Campeão Masters de Ralis dos Açores, tornando-se no primeiro piloto da Região a conquistar o título. O resultado foi confirmado no XV Rali Vinho do Pico, onde terminou no quarto lugar da geral, acompanhado por Miguel Sousa Azevedo no novo Opel Corsa Rally4.
Natural da ilha de São Jorge, Fernando Soares regressou aos ralis depois de 18 anos de ausência, muito por força do aparecimento do Rali Capital do Queijo e das Fajãs, prova que reforçou também a ligação do projeto à promoção turística da sua terra natal.
«A adaptação a estas novas máquinas correu bastante bem e, num instante, estão quase cumpridas duas temporadas, agora com um título para festejar», destacou o piloto.
A temporada começou com um terceiro lugar absoluto em São Jorge, seguindo-se resultados consistentes apesar de dois abandonos, um deles provocado por acidente na Graciosa. A mudança do Lancia Ypsilon Rally4 para o Opel Corsa Rally4 marcou a fase final do ano, já com assistência da Sports & You.
A uma prova do final do Campeonato dos Açores de Ralis, Fernando Soares ocupa ainda o quinto lugar absoluto e o quarto entre as 2RM, somando também posições de destaque nos troféus regionais de terra e asfalto.
«As provas mais recentes mostraram que ainda consigo ser rápido e, acima de tudo, que continuamos a divertir-nos a praticar este desporto», resumiu.
O Campeonato de Portugal de Ralis entra numa fase decisiva este fim de semana, com Rúben Rodrigues e Pedro Almeida separados por uma margem mais curta depois do Rallye Casinos do Algarve. O Rally 6 Cities North of Portugal, penúltima prova da temporada, não decidirá ainda o campeão de 2026, mas poderá pesar muito nas contas do título.
Disputado entre 23 e 25 de outubro, simultaneamente com a ronda final do ERC, o Rally 6 Cities apresenta um dos percursos mais exigentes da época: 17 classificativas e 181,10 quilómetros cronometrados, maioritariamente em terra.
Rúben Rodrigues chega ao Norte ainda na liderança do CPR. O piloto da Auto Açoriana Racing tinha construído uma temporada quase irrepreensível, com quatro vitórias e um segundo lugar, até abandonar no Algarve na sequência do primeiro erro significativo do ano.
Pedro Almeida aproveitou. O piloto da Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal venceu no Algarve pela segunda vez esta temporada e reduziu a diferença para o líder, relançando definitivamente a discussão pelo campeonato.
A partir daqui há também uma particularidade importante nas contas de Rodrigues: como são considerados os sete melhores resultados das oito provas, o abandono algarvio significa que já não terá necessidade de descartar qualquer outra pontuação.
Muito mais do que uma luta a dois
Se o título coloca naturalmente os dois Toyota GR Yaris Rally2 no centro das atenções, a luta pela vitória está longe de se resumir a Rodrigues e Almeida.
Armindo Araújo, em Škoda Fabia RS Rally2, Ricardo Teodósio, com o Citroën C3 Rally2, José Pedro Fontes, no Lancia Ypsilon Rally2, Pedro Meireles, em Škoda Fabia RS Rally2, e Gonçalo Henriques, com o Hyundai i20 N Rally2, apresentam argumentos para interferir diretamente na discussão dos primeiros lugares.
Também Rafael Rego merece atenção especial depois da excelente exibição no Algarve, onde mostrou ritmo para discutir os lugares da frente na sua estreia em terra com o Toyota GR Yaris Rally2.
Luís Cidade, prosseguindo a preparação para uma participação a tempo inteiro no CPR em 2027, e Guilherme Meireles, com o Škoda Fabia Rally2 Evo, completam um lote português particularmente competitivo.
Com muitos quilómetros, terra, forte concorrência e dois candidatos ao título obrigados a fazer contas sem deixar de atacar, o Rally 6 Cities North of Portugal pode não entregar ainda a coroa de 2026, mas dificilmente deixará o campeonato exatamente como o encontrou.
José Lameiro está pronto para enfrentar no próximo fim-de-semana a última jornada do Campeonato de Portugal de Montanha JC Group. A Rampa do Caramulo marca o regresso do líder da Diatosta ao “local do crime”: o traçado onde se estreou nas provas de Montanha e iniciou uma ligação à modalidade que continua cada vez mais forte.
Curta, rápida e extremamente intensa, a prova organizada pelo Caramulo Racing Team apresenta um percurso no qual a velocidade está sempre presente e qualquer erro pode custar muito caro. Um desafio que exige confiança absoluta, precisão e coragem, ingredientes que José Lameiro quer colocar em estrada aos comandos do Škoda Fabia MKIII.
“É sempre muito especial regressar ao Caramulo, porque foi aqui que tudo começou para mim na Montanha. É um traçado curto, mas muito rápido, intenso e com uma enorme dose de adrenalina. Não permite distrações nem erros, porque estamos sempre a velocidades muito elevadas”, explica o piloto da Diatosta.
Depois do regresso à competição em Boticas e do excelente duplo pódio alcançado na Arrábida, com o segundo lugar na Categoria Super Challenge e na Divisão SC-A, José Lameiro chega à derradeira prova da temporada com a confiança reforçada e já muito mais próximo do ritmo competitivo que pretende.
“A evolução nas últimas provas foi muito positiva. Recuperámos confiança, ritmo e o prazer de andar verdadeiramente depressa. O carro tem estado irrepreensível e sinto que estamos preparados para dar mais um passo em frente”, salienta.
O objetivo para o fim de semana é claro: repetir o desfecho de 2025 e terminar novamente a temporada no lugar mais alto do pódio da Super Challenge.
“No ano passado fechámos o campeonato com uma vitória e é exatamente dessa forma que queremos terminar esta época. Sabemos que a concorrência é muito forte e que teremos de estar ao nosso melhor nível desde a primeira subida, mas vamos ao Caramulo determinados a lutar pelo triunfo. Queremos fechar o ano com chave de ouro!”, conclui José Lameiro.
Há automóveis de competição que se compram. E há automóveis que, quando mudam de mãos, transportam consigo uma parte da História. O Peugeot 206 WRC de matrícula 206 NAP 75 pertence claramente à segunda categoria.
A sua chegada ao espólio da Grossrent Historical Cars, fruto da aquisição realizada pelo piloto, empresário e colecionador leiriense José Grosso, merece ser vista muito para além do simples acrescentar de mais um automóvel a uma coleção. Estamos perante a preservação, em Portugal, de uma verdadeira peça do património do Campeonato do Mundo de Ralis.
Porque este 206 não é uma réplica. Não é uma reconstrução inspirada nos tempos gloriosos da Peugeot. Não é apenas um WRC igual aos que preencheram os sonhos de uma geração.
Este esteve lá. Este carro conheceu o ambiente dos parques de assistência do Mundial, o rigor da Peugeot Sport, as estradas onde se decidiu o Campeonato do Mundo e, sobretudo, as mãos de alguns dos grandes nomes de uma era extraordinária dos ralis.
Gilles Panizzi. Harri Rovanperä. Timo Salonen. Ari Vatanen. Roman Kresta. Juuso Pykälistö. Cédric Robert.
Só esta sucessão de nomes explica muito do valor histórico da unidade.
Panizzi representa uma das ligações mais fortes entre o 206 WRC e o domínio da Peugeot no asfalto. Rovanperä pertence ao grupo dos grandes especialistas de uma época em que o Mundial reunia uma concentração impressionante de talento.
Há ainda um capítulo particularmente especial no currículo desta unidade. O chassis 017 foi escolhido para assinalar o regresso ao Campeonato do Mundo de Ralis de dois nomes maiores da história da modalidade. Timo Salonen, Campeão do Mundo em 1985 com a Peugeot, voltou ao WRC no Rali da Finlândia de 2002, dez anos depois da sua anterior participação, precisamente ao volante deste Peugeot 206 WRC, terminando em 14.º lugar.
Um ano mais tarde, foi a vez de Ari Vatanen, Campeão do Mundo em 1981 e figura incontornável da história da Peugeot no Grupo B, conduzir este mesmo carro no Rali da Finlândia de 2003, alcançando um notável 11.º lugar, aos 51 anos.
Estas duas participações conferem ao 206 NAP 75 um valor histórico muito particular. Não se tratou de testes, exibições ou eventos de homenagem, mas de verdadeiras participações no Mundial, em competição, numa fase já tardia das carreiras de ambos. Para Salonen e Vatanen, estas presenças na Finlândia representaram mesmo as derradeiras aparições no WRC, transformando este chassis numa espécie de elo entre duas gerações gloriosas da Peugeot: a era mítica dos 205 Turbo 16 e a fase moderna dos World Rally Cars dominada pelo 206.
É difícil olhar para um automóvel destes apenas como uma soma de metal, carbono, mecânica e tecnologia. Um carro de competição histórico é também feito das estradas que percorreu, das classificativas que terminou, das que não terminou, dos mecânicos que trabalharam noite dentro sobre ele, das notas cantadas dentro do habitáculo, das marcas de batalha acumuladas e dos pilotos que procuraram retirar dele aquele décimo de segundo que tantas vezes separa a excelência do resto.
E é precisamente por isso que esta aquisição tem significado. Portugal possui uma enorme cultura de ralis. Temos público, provas de referência mundial, pilotos, preparadores, colecionadores e uma ligação emocional ao desporto automóvel que atravessa várias gerações. Mas nem sempre conseguimos manter entre nós os automóveis que escreveram a história internacional da modalidade.
Quando uma máquina desta importância passa a integrar permanentemente uma coleção portuguesa, o património automóvel nacional fica também mais rico.
José Grosso conhece essa dimensão melhor do que a maioria. Piloto, empresário e apaixonado pelo automóvel, tem vindo a construir através da Grossrent Historical Cars um espólio no qual o valor das máquinas não se mede apenas pela sua cotação de mercado, mas pela história que cada uma consegue contar. A esta paixão, adiciona a adrenalina que transporta para as muitas provas que tem disputado, ao longo de mais de três décadas no desporto automóvel em geral e nos ralis em particular.
E um Peugeot 206 WRC tem muitas histórias para contar. O modelo foi um dos símbolos máximos da viragem do milénio no Campeonato do Mundo. Pequeno, agressivo, tecnicamente sofisticado e tremendamente eficaz, transformou-se rapidamente numa referência. Com ele, a Peugeot regressou ao topo do Mundial e criou uma das imagens mais marcantes do WRC moderno.
Para quem viveu intensamente aqueles anos, basta ver a silhueta. Os guarda-lamas largos. A enorme asa traseira. As jantes brancas. O prata da carroçaria. O vermelho da Total. E aquele inevitável 206 desenhado em enormes caracteres sobre as laterais.
Não é necessário sequer ouvir o motor. A memória faz o resto. Mas o exemplar que agora reside em Leiria acrescenta algo que nenhum automóvel meramente restaurado consegue reproduzir: proveniência.
A matrícula 206 NAP 75 é uma espécie de impressão digital daquela máquina. É ela que permite seguir o seu caminho através dos arquivos, reconhecer fotografias de época e reconstruir as diferentes páginas de uma vida competitiva que passou pelo próprio Campeonato do Mundo.
Isso transforma completamente a relação com o objeto. Já não estamos diante de “um Peugeot 206 WRC”. Estamos diante daquele Peugeot 206 WRC. E esta distinção, no universo dos automóveis históricos de competição, vale quase tudo.
Há ainda outra responsabilidade associada a uma aquisição desta natureza. Ter uma peça histórica significa tornar-se, de certa maneira, seu depositário temporário. As máquinas sobrevivem aos pilotos, aos proprietários e até às equipas que as criaram. Cada geração apenas as guarda durante algum tempo antes de as entregar à seguinte.
É também aí que coleções como a Grossrent Historical Cars assumem verdadeira relevância.
Preservar não significa necessariamente fechar um automóvel numa sala climatizada e impedir-lhe qualquer contacto com o mundo. Significa conservar a sua identidade, documentar a sua história, respeitar a sua especificação e permitir que as novas gerações percebam por que razão aquela máquina foi importante.
Porque haverá crianças e jovens que olharão pela primeira vez para este Peugeot sem saber quem foi Panizzi. Outras talvez nunca tenham visto Ari Vatanen atacar uma classificativa. E algumas talvez nem sequer tenham nascido quando os World Rally Cars desta geração faziam das estradas portuguesas e europeias autênticos anfiteatros humanos.
Será precisamente um automóvel como este que poderá despertar-lhes a curiosidade: “Quem guiou este carro?”, “Onde correu?”, “Porque é que tem aquela asa?”, “Como era o Mundial naquela altura?”. É assim que a História permanece viva.
Por tudo isso, a chegada do 206 NAP 75 à Grossrent Historical Cars deve ser celebrada. Não apenas porque José Grosso acrescentou um automóvel excecional à sua coleção. Mas porque Portugal ganhou mais uma peça da história mundial dos ralis para preservar, estudar, mostrar e ouvir.
Num tempo em que tantas máquinas históricas desaparecem para coleções inacessíveis ou atravessam continentes atrás do próximo comprador, saber que um Peugeot 206 WRC com verdadeira vida no Campeonato do Mundo encontrou casa entre nós é uma excelente notícia.
E talvez haja uma forma muito simples de resumir tudo isto. Durante anos, este Peugeot pertenceu à História do Mundial. Agora, um pequeno pedaço dessa História pertence também a Portugal. Está em Leiria. Na invejável coleção de José Grosso.
Seis provas, seis vitórias, título nacional e, para fechar, a Taça de Portugal. Joel Simões fez em 2026 tudo o que lhe competia na Semi-Pro e ainda foi a Sever do Vouga medir forças com pilotos Pro para provar que o andamento não depende apenas da etiqueta da categoria.
O piloto da Marinha Grande encerrou a temporada como começou: a ganhar. No Circuito do Alto do Roçário, ao volante do BMW E36 #93, superou um sábado complicado, marcado por problemas mecânicos e um toque, para responder no domingo com 92 pontos logo na primeira passagem de qualificação, resultado que lhe valeu o primeiro lugar.
Nas batalhas, já com o carro recuperado e depois de importantes ajustes realizados com o apoio da Destroyers Drift Team, Joel Simões manteve-se invicto até à vitória final.
A Taça de Portugal de Drift junta-se assim ao título de Campeão Nacional Semi-Pro, conquistado com um registo difícil de melhorar: seis jornadas e seis triunfos.
Mais do que fechar uma época de sonho, Sever do Vouga deixou também uma pergunta para 2027: depois de dominar a Semi-Pro e vencer uma Taça frente a adversários de uma categoria superior, qual será o próximo degrau para Joel Simões?
A 35.ª Rampa do Caramulo terá um significado muito especial para Ricardo Loureiro. O piloto do Caramulo Racing Team prepara-se para disputar a última jornada do Campeonato de Portugal Clássicos de Montanha JC Group, nos dias 24 e 25 de outubro, numa edição que ficará marcada pela estreia do clube como responsável máximo pela organização da prova.
Ao volante do habitual Ford Escort MKII, Ricardo Loureiro terá a responsabilidade e o privilégio de defender as cores da equipa na sua própria rampa, perante familiares, amigos e uma legião de adeptos. Um desafio particularmente emotivo, que representa também o culminar de uma temporada exigente, mas que lhe permitiu assegurar antecipadamente um lugar no pódio final do campeonato.
Depois do 4.º lugar conquistado na Rampa da Arrábida, o piloto garantiu matematicamente o 3.º lugar no campeonato, mantendo ainda possibilidades de alcançar uma das duas primeiras posições, embora reconheça que essa será uma tarefa extremamente difícil.
“Espero que seja um fim de semana divertido, junto dos amigos e da família. É o culminar da época em casa, depois de uma temporada difícil, com altos e baixos. Foi importante cimentar a posição de pódio na Arrábida, porque o terceiro lugar ficou garantido. Matematicamente ainda é possível chegar ao segundo ou até ao primeiro, mas reconheço que é muito difícil”, afirma Ricardo Loureiro.
A derradeira jornada promete uma concorrência particularmente forte entre os Clássicos, algo que o piloto encara com entusiasmo e admiração, apesar de algumas limitações decorrentes do esforço financeiro realizado ao longo da temporada.
“Vamos ter a armada dos Clássicos em peso no Caramulo. É um grande prazer ver pilotos com tanta capacidade e máquinas tão evoluídas a correr na nossa rampa. Estamos no final da época, com o orçamento praticamente esgotado, e tenho algumas limitações, nomeadamente ao nível dos jogos de pneus disponíveis. Mas isso não retira a vontade de dar o meu melhor”, sublinha.
Mais do que a classificação, Ricardo Loureiro quer aproveitar a oportunidade de competir em casa e contribuir para o sucesso de uma edição histórica da Rampa do Caramulo, numa altura em que o clube que representa assume novas responsabilidades na organização de uma das provas mais emblemáticas da Montanha nacional.
“Acima de tudo, espero divertir-me, dar retorno a quem me apoia e aos patrocinadores que me acompanham há tantos anos. Quero que seja um grande fim de semana e que possamos terminar o campeonato em beleza”, conclui.
Com o pódio nacional já assegurado e a motivação especial de correr perante a sua gente, Ricardo Loureiro parte para a Rampa do Caramulo determinado em celebrar da melhor forma o encerramento da temporada e ajudar a fazer desta primeira edição organizada pelo Caramulo Racing Team uma grande festa da Montanha.