Do autocross e do ralicross para uma paixão definitiva pela Montanha. Abílio Aparício, uma das figuras mais acarinhadas do paddock, continua a levar o já icónico Peugeot 205 aos lugares de destaque nos Super Challenge C e não esconde o grande sonho: ser campeão e levar o nome de Penafiel ao lugar mais alto.
A história de Abílio Aparício no automobilismo começou no ano 2000, aos comandos de um Toyota Celica 2000. Seguiram-se experiências no autocross, modalidade pela qual continua a guardar um carinho muito especial, e depois várias temporadas no ralicross. «Ainda hoje digo que os pisos de terra são a minha praia», admite o piloto penafidelense, que depois de uma pausa acabaria por preparar o Peugeot 205 que ainda hoje é a sua imagem de marca.
Em 2018, Abílio e a mulher, Gracinda Aparício, participaram no Racing Fest de Penafiel. Seguiram-se as Super Especiais e, há cerca de cinco anos, surgiu a experiência que acabaria por mudar o rumo da carreira, a Montanha: «Viemos experimentar e nunca mais soube como sair daqui. Uma família como esta não há», resume, numa frase que diz muito sobre a ligação criada ao Campeonato de Portugal de Montanha JC Group.
Depois de duas temporadas nos Legends, Abílio Aparício abraçou em 2023 os Super Challenge C e terminou o campeonato no segundo lugar, confirmando rapidamente a competitividade do Peugeot 205. A temporada de 2026 trouxe alterações importantes à viatura e obrigou também o piloto a adaptar a condução: «Fizemos algumas mudanças no carro e ainda estamos a corrigir algumas pequenas coisas. Fui obrigado a mudar a forma de conduzir e isso sentiu-se logo na primeira prova, em Murça. Depois tivemos problemas em Santa Marta, mas na Rampa Capital do Móvel já estivemos melhor.»
Agora, as atenções estão voltadas para Boticas, onde o objetivo passa por continuar a recuperar terreno na classificação: «Vamos tentar subir o mais possível no campeonato. Para o ano, aí sim, queremos lutar por outros objetivos. É uma classe muito difícil, porque tem grandes pilotos e grandes máquinas.»
A regularidade tem sido uma das principais marcas de Abílio Aparício, mantendo-se constantemente entre os pilotos mais regulares dos Super Challenge C. Para o piloto, não existe qualquer fórmula secreta: «O segredo para estar no Top 5 é muito esforço. E tenho de agradecer aos patrocinadores e à minha família, que estão sempre presentes a puxar por mim.»
Mas existe algo que, para Abílio, vale tanto como os resultados: «Sou muito acarinhado e isso deixa-me de coração cheio. Fui muito bem recebido por esta linda família da Montanha.» E apesar da postura descontraída que o tornou numa das figuras mais simpáticas do campeonato, a ambição competitiva continua bem viva: «Quero muito vencer a classe no final do campeonato e levar o nome da nossa cidade, Penafiel, como tenho procurado fazer sempre, ao lugar mais alto.»
Aos comandos de um Peugeot 205 que já faz parte da paisagem do campeonato, Abílio Aparício continua assim a escrever uma história feita de paixão, persistência e amizade. Veio da terra, experimentou a Montanha e acabou por encontrar nela uma segunda família.
O piloto deixa ainda um agradecimento a Mocacar, Piquenique dos Leitões, Taberna Pingas, Triunfo à Espera, Talho da Ponte Nova, Lourenço Car, Socalcos Itinerantes, Oh Faz Remoções, LVS Artes Gráficas, Vítor Silva Tattoo, Catibel, Tiago Brito Pavimentos, Irivo no Coração, Junta de Freguesia de Duas Igrejas e McDonald’s Penafiel, bem como a todos os amigos que continuam a ajudar a tornar possível o projeto.
O Ford Festival regressa a Rans, Penafiel, nos dias 19 e 20 de setembro para mais um grande encontro dos apaixonados pela marca do oval azul. A edição de 2026 terá como momento maior a homenagem a Joaquim Jorge, histórico piloto penafidelense falecido este ano, terminando com uma experiência muito especial no Circuito Internacional da Costilha, em Lousada.
O Espaço Ford Rans volta a reunir automóveis de diferentes épocas, clubes e entusiastas para mais uma edição do Ford Festival, evento que se tem afirmado como uma das grandes celebrações da marca na região.
Este ano, porém, haverá uma carga emocional muito especial. O encontro prestará homenagem a Joaquim Jorge, um dos mais conhecidos pilotos de Penafiel e figura incontornável dos ralis e da velocidade nacional.
Falecido em maio, aos 64 anos, Joaquim Jorge construiu uma carreira com mais de quatro décadas de competição, conquistou vários títulos nacionais e tornou o seu Ford Escort RS 1600 azul e branco numa das imagens mais reconhecidas e acarinhadas das competições de clássicos em Portugal.
A ligação ao próprio Espaço Ford Rans reforça o simbolismo da homenagem: Joaquim Jorge esteve entre os pilotos presentes na inauguração do espaço, em 2020.
Dois dias entre convívio, memória e pista
Fundado em 2020 e dinamizado por Paulo Soares, o Espaço Ford Rans nasceu como ponto de encontro dos apaixonados pela marca, dando continuidade a uma longa dinâmica de organização de iniciativas ligadas à Ford e ao automobilismo.
O programa de 2026 começa no sábado, 19 de setembro, com receção dos participantes e concentração a partir das 15h00, prolongando-se pelo convívio e animação musical, marcada para as 21h00.
No domingo, a atividade começa às 10h00 e terá às 11h00 a homenagem a Joaquim Jorge, seguindo-se o almoço. A partir das 14h30 chega outro dos grandes momentos do Ford Festival: a caravana desloca-se ao Circuito Internacional da Costilha, em Lousada, onde os participantes terão oportunidade de levar para a pista os seus Ford de várias gerações e saborear a condução das suas máquinas num dos mais icónicos palcos portugueses ligados ao automobilismo.
Será um encerramento particularmente apropriado para um festival construído em redor da paixão pelo oval azul: dos clássicos às gerações mais recentes, os Ford deixam a exposição e o convívio para ganharem vida dentro de um verdadeiro circuito de competição.
E, numa edição dedicada à memória de um homem que fez do Ford Escort uma extensão da sua própria personalidade, dificilmente poderia haver melhor forma de terminar. Joaquim Jorge estará ausente da pista, mas a sua paixão continuará a inspirar quem nela entrar.
Entre os picos de velocidade, os sustos, a aprendizagem nos ralis e uma vitória absoluta na Taça de Portugal de Montanha disputada na mítica Falperra, 2026 está a forjar um novo “Pocket Rocket”.
Afonso Santos viveu uma primeira parte da temporada de contrastes, em que o jovem piloto da Póvoa de Varzim voltou a mostrar a velocidade que lhe deu o cognome de “Pocket Rocket”, mas também teve de lidar com o lado menos visível e mais exigente da competição: os erros, os acidentes, as desistências, a perda de confiança e a necessidade de voltar a construir tudo, quilómetro após quilómetro.
Afonso Santos não esconde essa realidade. Pelo contrário, encara-a de frente: “Tem sido positivo. Tenho aprendido bastante como piloto e evoluído a cada quilómetro que fazemos. Houve resultados bons e outros menos bons, mas estamos sempre a progredir, que é esse o nosso foco”, assume o piloto poveiro.
Nos ralis, o grande objetivo definido para 2026, Afonso Santos tem vivido uma época de picos fortes e momentos de desalento. Houve vitórias entre os duas rodas motrizes, bons resultados, prestações muito consistentes e sinais evidentes de evolução ao volante do Peugeot 208 Rally4, sendo atualmente 2º classificado no Campeonato de Portugal Júnior de Ralis, a apenas 7 pontos da liderança. Mas houve também saídas de estrada, abandonos e episódios que obrigaram o jovem piloto a enfrentar uma dimensão que muitas vezes fica escondida por detrás dos tempos e das classificações: a cabeça de um piloto.
“Cada despiste deixa uma marca. O psicológico é uma área muito importante de se trabalhar, porque os acidentes, os erros e as desistências acabam por atirar o psicológico de nós, pilotos, muito abaixo”, reconhece Afonso Santos.
A frase é forte porque é honesta. E é ainda mais importante por vir de um piloto jovem, habituado a ser associado à irreverência, ao ataque e à velocidade pura. O “Pocket Rocket” sabe que tem andamento. Já o provou várias vezes. 2026 está a ensiná-lo que a velocidade, por si só, não basta. É preciso saber recuperar, interpretar, resistir e voltar a acreditar.
“Os acidentes criam falta de confiança no carro, em nós, nas notas, em tudo. É uma reação típica de quase todos nós, mas não podemos deixar que esses medos superem a vontade de vencer”, explica. E é aqui que surge a frase que talvez melhor defina este momento da carreira de Afonso Santos: “Uma vez, um amigo meu disse-me uma frase que ficou e vai sempre ficar comigo: o medo de perder não pode ser maior que a vontade de ganhar.”
Na Falperra, Afonso Santos regressou à Montanha para erguer a Taça de Portugal
E, no meio desta época feita de contrastes, houve um momento que se elevou acima de todos: a vitória absoluta na Taça de Portugal de Montanha JC Group, na mítica Rampa Internacional da Falperra.
Numa temporada em que o foco principal está claramente nos ralis, Afonso Santos regressou por um fim de semana à Montanha, o seu habitat inicial depois da saída dos simuladores. E regressou da forma mais forte possível: aos comandos da Osella PA2000 EVO2 da Power House, conquistou a Taça de Portugal de Montanha à geral num dos palcos mais emblemáticos, rápidos e exigentes do automobilismo nacional.
Não foi apenas uma vitória. Foi uma afirmação. Na Falperra, Afonso Santos reencontrou uma parte essencial da sua identidade competitiva. A Montanha foi o espaço onde começou a transformar a velocidade virtual dos simuladores em velocidade real. Foi ali, nesse universo de precisão absoluta, coragem e entrega total, que começou a construir a reputação de piloto explosivo, rápido e capaz de surpreender. Regressar a esse cenário e vencer à geral, com um protótipo tão exigente como a Osella PA2000 EVO2, deu à época de 2026 um dos seus momentos mais marcantes.
“Para mim é dos títulos que mais valor tem”, confessa Afonso Santos. “Foi a minha primeira vez a conduzir um Osella e logo numa rampa rápida e exigente como a Falperra. Poder ter essa experiência e ainda ganhar a minha primeira prova de Montanha à geral e conquistar o título de Vencedor da Taça de Portugal de Montanha de 2026 juntamente com a Power House, foi muito especial para mim.”
A dimensão dessa conquista torna-se ainda maior quando se percebe o grau de adaptação exigido. Afonso Santos saltou dos ralis, onde o Peugeot 208 Rally4 exige leitura de notas, gestão de pisos, adaptação e trabalho em dupla, para um protótipo de Montanha, onde tudo acontece em modo absoluto, em poucos quilómetros, sem margem para hesitação.
“Em termos de condução não há qualquer tipo de parecenças. São estilos de carros muito diferentes, para provas muito diferentes, que exigem estilos de condução muito diferentes”, analisa. “Ambos são prazerosos de conduzir, mas a exigência de um Osella é muito superior em relação à de um Rally4, apesar de serem ambos fáceis de guiar.”
Mas se a Falperra mostrou o Afonso Santos mais explosivo, os ralis continuam a formar o Afonso Santos mais completo. O Peugeot 208 Rally4 preparado pela PT Racing tem sido a sua principal escola em 2026. Com ele, Afonso tem aprendido a gerir diferentes pisos, ritmos, níveis de aderência e exigências competitivas. O carro tem-lhe dado quilómetros, experiência e também visibilidade, tanto no Campeonato de Portugal de Ralis como na Peugeot Rally Cup Ibérica.
“Para além de todos os quilómetros e experiência que tenho obtido, a visibilidade que conseguimos ter com a presença no Campeonato Nacional de Ralis e na Copa Ibérica da Peugeot é, de facto, algo muito bom e positivo para mim, para os meus patrocinadores e para a equipa”, sublinha.
A ligação à PT Racing surge também como um dos pilares deste processo. A estrutura liderada por Paulo Antunes tem sido muito mais do que uma equipa técnica. Tem sido uma base de aprendizagem: “O Paulo Antunes e toda a sua equipa são nomes que não podemos deixar de parte quando falamos nos 208 Rally4 em Portugal. É uma equipa com muita experiência e conhecimento técnico do carro, e com a cereja no topo do bolo que é o próprio Paulo Antunes, um piloto que, sem sombra de dúvida, é um verdadeiro talento e consegue transmitir-nos toda a sua experiência e conhecimento para nos ajudar ao máximo”, destaca Afonso Santos.
Ao lado de Afonso, Alexandre Rodrigues tem sido presença habitual. Num rali, o piloto nunca está sozinho. E o próprio Afonso faz questão de o sublinhar: “Tal como um carro não anda sem piloto, um piloto não anda sem copiloto. É uma parte essencial de todo este desafio e exigência dos ralis.”
2026 também trouxe um episódio especial: o regresso da irmã Mafalda Santos ao banco do lado direito, em Vale de Cambra, na Taça Rally Series. Foi uma participação com carga familiar, mas também com forte valor competitivo: “Foi incrível. Já tínhamos feito um Rally Series de Lousada em 2025 num Yaris GR e desta vez fomos no nosso leãozinho. Ela esteve na perfeição, uma performance como nós dizemos, ‘à mundial’ e que queremos repetir”, elogia Afonso.
Esse lado humano ajuda a explicar a forma como Afonso Santos vive a competição. Há ambição, há vontade de vencer, há frustração quando as coisas não correm bem, mas há também gratidão, ligação familiar e consciência de que cada resultado é construído por muitas pessoas.
A internacionalização na Peugeot Rally Cup Ibérica abriu outra frente importante. A estreia no Rallye Rías Baixas, apesar de curta, mostrou ao jovem poveiro a dimensão da exigência fora de portas: “O ritmo português é alto, mas a verdade é que Espanha está um patamar acima de nós. O ritmo lá é endiabrado, as classificativas são de uma exigência altíssima, mas tudo isso é o que precisamos para evoluir ao máximo”, reconhece.
Mesmo depois da desistência na primeira classificativa, Afonso Santos retirou aprendizagem: “Percebi que tenho de trabalhar mais um pouco de tudo e começar a aumentar o ritmo gradualmente, mantendo sempre uma pequena margem de segurança nesta fase de evolução.”
É esta frase que mostra o caminho. O “Pocket Rocket” continua a ser rápido. Continua a ter instinto. Continua a ter aquela irreverência natural dos pilotos que fazem acontecer. Mas começa também a revelar uma consciência cada vez mais clara daquilo que precisa de construir para transformar velocidade em resultados constantes. A segunda metade da época surge, por isso, com objetivos muito bem definidos: “O foco está em melhorar de rali para rali, terminar todas as provas, ganhar confiança, ganhar quilómetros e dar o nosso melhor para obtermos o melhor resultado possível”, afirma.
Mais do que prometer vitórias, Afonso Santos promete evolução. E isso, nesta fase da carreira, talvez seja ainda mais importante: “Um novo Afonso Santos surge quilómetro a quilómetro, cada vez mais confiante, mais experiente, mas ainda com muito para aprender e melhorar. Temos agora meia época para que, no final do ano, a diferença entre o Afonso Santos de agora e o Afonso Santos do fim da época seja uma diferença notável e positiva.”
Afonso Santos continua a ser o “Pocket Rocket”. Mas 2026 está a dar-lhe algo mais: maturidade. E talvez seja essa a grande vitória desta primeira metade da temporada.
O Rallye Constálica – Castro Daire, Oliveira de Frades e Vouzela vai este fim de semana para a estrada com a maior lista de inscritos da temporada e vários focos de interesse. João Ferreira, aos comandos de um Toyota GR Yaris Rally2, surge como principal candidato à vitória absoluta.
Entre os principais candidatos ao triunfo surge João Ferreira, habitualmente ligado ao todo-o-terreno, mas que volta a aventurar-se nos ralis de estrada com um Toyota GR Yaris Rally2. Na luta pelos lugares cimeiros deverão estar também Carlos Matos, em Škoda Fabia RS Rally2, e André Cabeças, aos comandos de um Citroën C3 Rally2.
No Campeonato Promo, a luta deverá voltar a centrar-se em Nelson Trindade e Henrique Rodrigues, ambos em Škoda Fabia N5 e atualmente nas duas primeiras posições da classificação. João Marques, em Citroën Saxo VTS, surge igualmente como candidato a um lugar no pódio.
No Campeonato Centro, prossegue o duelo entre Armando Carvalho, em Mitsubishi Lancer IX, e António Cruz Monteiro, em Peugeot 208 T16, separados por 20 pontos. Filipe Rodrigues e Henrique Correia, ambos em Ford Escort, deverão igualmente entrar na discussão pelos lugares de destaque.
A prova começa este sábado, em Castro Daire, com dupla passagem por Rota N2 – Castro Daire, com 5,45 km, e Moledo, com 9,45 km. Já à noite, os concorrentes cumprem duas passagens pela Super Especial de Vouzela, marcadas para as 21h00 e 21h17. No domingo, a competição prossegue com dupla passagem por Senhora do Castelo e Penoita, antes da decisão em Oliveira de Frades, onde terão lugar duas passagens pela super-especial local. A chegada final está prevista para as 15h43, em Oliveira de Frades.
Martim Ventura voltou a estar em grande destaque no Rally dos Sertões. Integrado na Monster Energy Honda HRC e aos comandos de uma Honda CRF450RX, o piloto apoiado pela bp Ultimate venceu à geral a sexta etapa, disputada entre Minaçu e Niquelândia.
Nos 319 quilómetros cronometrados, integrados numa jornada de 448 km, Ventura foi o mais rápido de todo o pelotão das motos, somando uma nova vitória absoluta depois do triunfo alcançado na terceira etapa.
Na classificação, o português mantém-se no segundo lugar absoluto e continua a dominar a classe MT2, onde dispõe já de mais de uma hora de vantagem: «Foi um dia bom, com muita montanha, mas também fesh-fesh, num terreno bastante difícil, técnico e muito cansativo. Felizmente não tive nenhum problema, entrei bem nesta especial e consegui imprimir o meu ritmo de forma tranquila e andar bem, mas sinto muito o cansaço», explicou Martim Ventura.
Com o final da prova cada vez mais próximo, o atual líder da categoria Rally2 no Campeonato do Mundo de Rally-Raid (W2RC) mantém uma abordagem focada na consistência: «Estamos a chegar ao final e o meu objetivo é continuar a fazer bons dias, consistentes e sem erros, para tentar evoluir ao máximo. Quero continuar a manter pressão nos adversários, focado na minha corrida.»
A sétima e penúltima etapa, disputada este sábado, 29 de agosto, liga Niquelândia a Goianésia, apresentando 345 quilómetros de percurso, dos quais 279 ao cronómetro.
Paulo Oliveira está a transformar a primeira temporada completa no Campeonato de Portugal de Montanha 1300 JC Group numa afirmação consistente. Aos comandos do Peugeot 106 XSi preparado pela MNE Sport, as boas prestações na Penha, Serra da Estrela, CAR e Capital do Móvel colocaram-no no Top 5 de uma das categorias mais competitivas da Montanha portuguesa.
Há pouco mais de um ano, Paulo Oliveira concretizava um sonho antigo ao alinhar pela primeira vez na Rampa da Falperra. Em 2026, já disputa uma temporada completa no CPM 1300 JC Group e os resultados começam a traduzir a evolução realizada ao lado da MNE Sport.
Depois de prestações de bom nível nas rampas da Penha, Serra da Estrela, CAR e Capital do Móvel, o piloto levou o Peugeot 106 XSi até ao Top 5 da classificação do campeonato, contribuindo também para uma excelente temporada da formação nortenha, que conta atualmente com três pilotos entre os cinco primeiros da tabela.
A abordagem de Paulo Oliveira tem sido, desde o início, baseada na aprendizagem e na progressão sustentada: «Em competição automóvel, os exageros ou os erros saem caros. Vamos ganhando confiança e experiência a cada prova, andando a um ritmo em que me sinta confortável. O objetivo é conhecer cada vez melhor as rampas e ganhar bases para entrarmos em 2027 já com outro ritmo.»
Um sonho que começou nas bancadas da Falperra
A paixão pela Montanha nasceu muito antes da estreia: «Desde muito novo que o meu pai me levava todos os anos à mítica Rampa da Falperra. O Barroco, a Curva do Restaurante, o “S”, a Curva da Morte ou a Curva do Papa eram locais que sonhava um dia fazer ao volante de um carro de competição.»
Em 2019, Paulo teve uma primeira aproximação às corridas ao participar no Kia Racing Opportunity, no Estoril. Não conseguiu ultrapassar a primeira fase, mas a vontade de competir permaneceu.
A ligação à MNE Sport surgiu mais tarde, depois de acompanhar uma iniciativa promovida pela equipa na Rampa de Santa Marta. Em 2025, já perto dos 40 anos, decidiu transformar finalmente o sonho em realidade. Com o apoio de José Carlos Magalhães, responsável da MNE Sport, reuniu as condições para se estrear na Rampa da Falperra, aos comandos de um Kia Picanto GT. Seguiram-se ainda participações em Santa Marta e na Arrábida.
Para 2026 chegou o passo seguinte: uma temporada completa com o Peugeot 106 XSi no CPM 1300 JC Group. A evolução de Paulo Oliveira acompanha também a excelente prestação coletiva da MNE Sport numa categoria marcada por grelhas numerosas, máquinas muito diferentes e diferenças reduzidas entre os principais protagonistas: «O José Carlos Magalhães tem sido fundamental desde o início. A equipa dá-me todas as condições, ajuda-me a perceber onde posso melhorar e tem tido uma dedicação enorme comigo. Grande parte desta evolução deve-se ao trabalho que fazemos em conjunto.»
Com três provas ainda por disputar, Paulo Oliveira quer manter a progressão e tentar aproximar-se ainda mais dos lugares de pódio: «Estamos num campeonato extremamente competitivo, mas acredito que podemos continuar a crescer. Quero fazer prova a prova, evitar erros e aproveitar todas as oportunidades. Naturalmente, se surgir a possibilidade de lutar por um pódio, vamos tentar aproveitá-la.»
Para 2027, o projeto ainda não está fechado, mas a intenção passa por continuar no CPM 1300, idealmente com uma evolução do Peugeot 106 XSi e objetivos mais ambiciosos. De espectador apaixonado da Falperra a piloto instalado no Top 5 do CPM 1300 JC Group, Paulo Oliveira está a construir o seu percurso passo a passo, exatamente como sempre pretendeu.
Sami Pajari emergiu de uma sexta-feira particularmente dura na América do Sul com 11,9 segundos de vantagem sobre Hayden Paddon. Problemas de pneus atingiram praticamente todos os principais candidatos e provocaram sucessivas mudanças na liderança ao longo das oito classificativas.
Sami Pajari terminou a primeira etapa na frente depois de uma impressionante recuperação. O finlandês iniciou a segunda passagem pelos troços apenas no quarto lugar, a 33,2 segundos do comando, mas conseguiu escapar aos problemas que afetaram grande parte dos Rally1. Na segunda passagem por Yerbatera, com 33,88 km, Elfyn Evans, então líder, viu o pneu traseiro direito desfazer-se e teve de completar a classificativa praticamente sobre a jante. Pajari passou sem problemas e assinou mesmo o melhor tempo, apenas um décimo mais rápido que Oliver Solberg.
Também Hayden Paddon, líder ao final da manhã, sofreu delaminações durante a tarde, mas conseguiu conservar o segundo lugar. O neozelandês terminou o dia a 11,9 segundos de Pajari, numa prestação particularmente forte no seu primeiro rali de terra ao mais alto nível do WRC desde 2018.
«Foi muito limpo da minha parte. Acho que é quase uma lotaria ter ou não um furo. Tenho de estar satisfeito com aquilo que fizemos», reconheceu Pajari, que procura a terceira vitória consecutiva no WRC, depois dos triunfos na Estónia e Finlândia.
Elfyn Evans ocupa o terceiro lugar, a 56,3 segundos do líder, depois de sofrer problemas de pneus nas duas passagens por Yerbatera. Logo atrás surge Adrien Fourmaux, que foi um dos pilotos mais rápidos do dia, vencendo quatro das oito classificativas, mas perdeu quase minuto e meio a trocar um pneu durante a manhã e terminou a segunda passagem por Yerbatera com os dois pneus traseiros vazios.
Josh McErlean completa o Top 5, enquanto o piloto da casa Diego Domínguez protagonizou outra das grandes prestações, ocupando o sexto lugar absoluto e liderando o WRC2 com 39,4 segundos de vantagem sobre Gus Greensmith.
O dia foi igualmente marcado pelos abandonos de vários protagonistas. Takamoto Katsuta capotou apenas dois quilómetros depois do início da primeira classificativa, Thierry Neuville abandonou após danificar a suspensão traseira esquerda e Sébastien Ogier ficou pelo caminho na terceira especial depois de falhar uma reparação provisória na suspensão.
A etapa de sábado promete aumentar ainda mais a dificuldade, com chuva forte prevista e 137,34 quilómetros cronometrados distribuídos por nove especiais.
José Grosso será uma das presenças de destaque no Caramulo Motorfestival 2026, levando à Rampa Histórica Castrol um dos automóveis mais carismáticos da era de ouro dos ralis: o Fiat 131 Abarth Grupo 4 da Grossorent Historical Cars.
O gentleman driver e colecionador de Leiria volta a colocar em ação uma das máquinas mais emblemáticas da sua coleção, fazendo reviver no asfalto do Caramulo um modelo profundamente ligado à história do desporto automóvel internacional e aos grandes Ralis de Portugal das décadas de 70 e 80.
O Fiat 131 Abarth Grupo 4, com a inesquecível decoração Alitalia, é uma das referências da coleção da Grossorent Historical Cars, estrutura criada em torno da paixão de José Grosso pelos automóveis históricos de competição. A presença no Caramulo terá sobretudo um forte caráter evocativo, com José Grosso a realizar várias subidas na rampa e a proporcionar ao público a oportunidade de voltar a ver e ouvir em ação um verdadeiro ícone dos ralis.
O Caramulo Motorfestival 2026 realiza-se entre 4 e 6 de setembro, naquela que será a 21.ª edição do evento. A Rampa Histórica Castrol volta a assumir um papel central no programa, a par das exposições, demonstrações e concentrações que todos os anos reúnem milhares de entusiastas da história automóvel.
A edição deste ano terá ainda a Fórmula 1 como um dos grandes temas, com a exposição «Fórmula Mágica» e a presença do histórico Copersucar-Fittipaldi entre os principais atrativos.
Para José Grosso, a participação no Caramulo poderá ainda ser apenas o primeiro passo de novas iniciativas com os carros da sua coleção: «Para o ano pode haver mais e diferente», deixa antever o colecionador leiriense.
O CISET 4×4 regressou à Madeira para uma das jornadas mais marcantes da temporada. Competição intensa, muito público na Ribeira de São Vicente e um forte ambiente de desportivismo marcaram a 19.ª edição do Super Trial 4×4 São Vicente Madeira.
Disputado nos dias 22 e 23 de agosto, o evento reuniu 15 equipas e voltou a colocar frente a frente formações continentais e madeirenses, numa jornada que marcou também o arranque oficial das Festas de São Vicente 2026. Fora da pista, o destaque foi para o forte envolvimento do público e para o acolhimento dado à comitiva, com o presidente da Câmara Municipal de São Vicente, José Carlos Gonçalves, a acompanhar de perto a prova.
Na competição, a vitória na categoria Unlimited pertenceu a António Henriques e Pedro Campas, da Lucrofusão/XS5, diante de Rafael Gomes/Nuno Silva e António Moreira/Mário Oliveira.
Na X-Treme, triunfaram Rodrigo Santos e Luís Cardoso, da Atlântico 4×4, seguidos por Nuno Berenguer/Leonardo Nóbrega e pela dupla madeirense Duarte Gonçalves/Carlos Mendes. Na Promoção, a vitória foi para Maria Santos e Bernardo Monroy, da Fresh Team. Entre os Unlimited, António Henriques/Pedro Campas venceram ainda entre os Diesel, enquanto Adriano Santos/Elsa Henriques foram os melhores entre os Petrol.
Mais do que os resultados, São Vicente voltou a confirmar o estatuto especial que ocupa no calendário do CISET 4×4. A exigente deslocação ao arquipélago foi compensada por uma prova muito disputada, forte presença de público e um ambiente de grande proximidade entre equipas.
Para Luís Pirralho, diretor do CISET 4×4, a jornada voltou a justificar todo o esforço logístico envolvido na deslocação à Madeira, destacando o trabalho do Clube Desportivo Nacional, da Câmara Municipal de São Vicente, das restantes entidades e das equipas locais.
O XIX Super Trial 4×4 São Vicente Madeira 2026 foi organizado pelo Clube Desportivo Nacional, em parceria com a Associação Portuguesa Trial Extremo, com o apoio da Direção Regional de Turismo e da Câmara Municipal de São Vicente.
Depois de quase dois meses de pausa, Armando Carvalho e Ana Santos regressam à competição no 14.º Rallye Constálica – Castro Daire – Oliveira de Frades – Vouzela. A dupla de Vila Nova de Poiares chega à ronda de Lafões na liderança do Campeonato Centro de Ralis e assume como prioridade continuar a somar pontos importantes para as contas do título.
O Campeonato Centro de Ralis regressa à ação este fim de semana, 29 e 30 de agosto, e Armando Carvalho e Ana Santos estarão entre os protagonistas do 14.º Rallye Constálica, prova organizada pelo Gondomar Automóvel Sport e promovida pela Promolafões. A dupla, que compete com um Mitsubishi preparado pela Domingos Sport, regressa a uma prova pela qual nutre especial simpatia.
«Após cerca de dois meses desde o último rali, estamos de regresso a uma prova de que gostamos muito e onde somos sempre muito bem recebidos. Tem troços espetaculares e é muito bem organizada e promovida. É sempre bom regressar à zona de Lafões», destaca Armando Carvalho.
A liderança do campeonato recomenda, contudo, uma abordagem calculada: «Estamos conscientes das dificuldades. A concorrência está cada vez mais forte e sabemos que temos de trabalhar ainda mais para andar perto deles. Mas também não podemos cometer erros nem entrar em loucuras que possam comprometer pontos preciosos. Vamos dar o nosso melhor para conseguir o melhor resultado possível e manter a liderança.»
O Rallye Constálica apresenta 256,97 quilómetros de percurso, dos quais 76,30 ao cronómetro, repartidos por dez especiais. No sábado estão previstas passagens por Rota N2/Castro Daire, Moledo e pela Super Especial de Vouzela. Domingo reserva Senhora do Castelo, Penoita e a Super Especial Frango do Campo, antes da chegada ao Parque Urbano de Oliveira de Frades, prevista para as 15h43.