Autor: Joaquim Amândio Santos

  • Riviera F.1 170: o Fórmula 1 que nunca correu chega ao Estoril Classics

    Riviera F.1 170: o Fórmula 1 que nunca correu chega ao Estoril Classics

    Foi concebido para disputar o Mundial de Fórmula 1 de 1980, mas nunca chegou a alinhar num Grande Prémio nem sequer a rodar em pista. Quarenta e cinco anos depois, o misterioso Riviera F.1 170 foi finalmente colocado em movimento e será uma das grandes atrações do Estoril Classics, de 18 a 20 de setembro.

    O Estoril Classics 2026 vai permitir descobrir um dos projetos mais invulgares da história da Fórmula 1. O Riviera F.1 170, monolugar italiano desenvolvido para chegar ao Campeonato do Mundo de 1980, estará no Autódromo do Estoril depois de ter permanecido durante décadas praticamente esquecido.

    A história começou em 1979. O piloto italiano Alberto Colombo, depois de passagens pela ATS e Merzario, encontrou na região de Brianza investidores dispostos a apoiar a criação de uma pequena equipa independente de Fórmula 1. O projeto técnico ficou entregue ao engenheiro Giorgio Valentini, com experiência na Autodelta e responsável pelo Merzario A3. Ao longo de cerca de 1.200 horas de trabalho nasceu um monolugar de efeito de solo, equipado com o célebre Ford Cosworth DFV V8.

    A Riviera chegou a reunir quatro motores Cosworth e planeava participar em quatro Grandes Prémios de 1980 — Itália, França, Inglaterra e Alemanha. A Le Coq Sportif seria o principal patrocinador. O carro existia. Faltava o dinheiro para o colocar na grelha.

    Ecclestone analisou o projeto, mas o sonho terminou antes da estreia

    O orçamento inicialmente estimado em cerca de 600 milhões de liras rapidamente duplicou e a realidade financeira da Fórmula 1 revelou-se incomportável para a pequena estrutura italiana.

    Ainda houve uma tentativa de encontrar uma solução. Bernie Ecclestone analisou o projeto numa reunião realizada no Hotel Principe di Savoia, em Milão, mas pretendia garantias para uma participação completa no Mundial e um compromisso competitivo de três anos. O acordo não avançou. O Riviera F.1 170 ficou assim condenado a uma existência singular: um Fórmula 1 completamente construído que nunca disputou um Grande Prémio e nunca chegou sequer a percorrer um metro em pista.

    Durante décadas, poucas fotografias e os desenhos originais mantiveram viva a memória do projeto. A história ganhou uma segunda vida quando o empresário e piloto de monolugares históricos Marco Fumagalli encontrou, em 2025, a carroçaria original num armazém prestes a ser demolido. Juntamente com o especialista Massimo Pollini, iniciou o trabalho de recuperação do automóvel a partir dos componentes e desenhos originais.

    Finalmente, a 18 de novembro de 2025, no circuito italiano de Cremona, aconteceu aquilo que Alberto Colombo e Giorgio Valentini tinham imaginado 45 anos antes. O Riviera F.1 170 entrou em pista. Foram quatro sessões e 15 voltas, suficientes para Fumagalli sentir pela primeira vez o efeito de solo para o qual o monolugar tinha sido concebido.

    «É um wing-car e nunca tinha conduzido um carro deste tipo. Posso dizer que, nas curvas, é mais rápido quando o comparo com os meus Theodore ou Ensign», explicou o piloto. E houve uma sensação particularmente especial: «Senti o efeito de solo logo durante a primeira volta do teste em Cremona, no final da reta. O carro estava muito próximo do chão e, nas boxes, fica cinco centímetros mais alto.»

    Do sonho de 1980 para o Estoril

    É precisamente Marco Fumagalli quem levará agora o Riviera F.1 170 ao Estoril Classics. Não se trata de um antigo Fórmula 1 que regressa às pistas. É algo bastante mais raro: um automóvel construído para competir entre os melhores do mundo, impedido de o fazer por razões financeiras e que precisou de 45 anos para finalmente descobrir aquilo para que tinha sido criado.

    O Estoril Classics realiza-se de 18 a 20 de setembro, no Autódromo do Estoril. Mais de metade dos ingressos disponíveis já estão atribuídos, sendo o acesso gratuito para jovens até aos 15 anos quando acompanhados por um adulto, num máximo de dois por adulto. A bancada da reta da meta terá acesso livre para todos os espectadores e o estacionamento no parque de terra será gratuito, sujeito à disponibilidade.

  • “O importante agora é voltar a ganhar confiança”: Leandro Costa faz balanço antes do Rali da Água

    “O importante agora é voltar a ganhar confiança”: Leandro Costa faz balanço antes do Rali da Água

    Duas provas, dois desfechos completamente antagónicos e muitas lições retiradas. Depois de uma estreia sensacional no FPAK Junior Team de Ralis 2026, com vitória no Rally de Lisboa, os irmãos Leandro Costa e Liliana Costa enfrentaram em Castelo Branco o lado mais duro dos ralis, com uma saída de estrada a colocar fim a uma participação em que a dupla da JG Sport/Joaquim Gameiro discutia o triunfo.

    O jovem piloto de Albergaria dos Doze assume que “foi um começo um pouco amargo e doce. Temos a primeira vitória, que mostra o andamento e o potencial para discutir os lugares da frente. Já em Castelo Branco, a desistência foi a parte menos positiva, mas temos agora de saber aproveitar para aprender com o erro e estar fortes em Chaves”.

    A vitória no Rally de Lisboa confirmou, logo na estreia, que a dupla tinha argumentos para lutar pelos primeiros lugares. Uma entrada de leão que surpreendeu até os próprios protagonistas, mas que deu também uma importante injeção de confiança ao projeto: “Não estávamos à espera de uma entrada de época tão boa, mas isso mostrou bem o potencial que temos enquanto equipa, juntando um jovem piloto à experiência da navegadora”, sublinha Leandro Costa, valorizando o papel da irmã Liliana Costa no habitáculo do Peugeot 206 Rallye 6.

    Em Castelo Branco, apesar do abandono, a mensagem competitiva voltou a ser clara. A dupla esteve desde cedo na discussão pelos lugares cimeiros: “Tentámos estar sempre na luta, perto do primeiro lugar, e até ganhámos um troço. Acabar o primeiro dia em terceiro, a poucos segundos da liderança, mostra bem o andamento competitivo que este ano estamos a apresentar no FPAK Júnior Team.”.

    A saída de estrada em Castelo Branco deixou naturalmente marcas, mas também serviu como ponto de aprendizagem. Leandro Costa reconhece a exigência do Peugeot 206 Rallye 6 e a facilidade com que, num rali rápido, a fronteira entre o ritmo competitivo e o excesso pode ser ultrapassada: “No momento, o que estava previsto não era ir ao ataque. Íamos a sentir-nos bem dentro do carro, mas, como disse desde o início, este carro é muito fácil de passar do limite. Depois do acidente já vimos o que correu mal e agora temos de melhorar para voltar mais fortes”.

    A frustração foi inevitável, sobretudo porque a dupla estava claramente envolvida na luta pelos lugares da frente. Ainda assim, Leandro Costa encara o abandono como parte do processo de crescimento: “Não é nada bom abandonar uma prova, ainda por cima quando se está a disputar um rali e um troféu. É óbvio que fiquei abalado e desmoralizado, mas isto não é o fim. Temos de aprender com o erro para ficarmos melhores”, assume.

    Entre Lisboa e Castelo Branco, o jovem piloto retirou já conclusões importantes sobre gestão de ritmo, confiança nas notas e adaptação ao carro. Num troféu tão equilibrado, onde todos competem em igualdade de condições, a margem de erro é reduzida e cada pormenor assume peso decisivo: “O carro é exigente e a gestão de ritmo é complicada de perceber, mas quero chegar lá o mais rápido possível. A confiança nas notas passa por sabermos que fizemos um bom trabalho de reconhecimentos e por saber que a navegadora não falha”.

    A ligação com Liliana Costa continua a ser um dos pilares do projeto. Mais experiente nos ralis, a navegadora tem desempenhado um papel essencial na evolução da dupla, quer na preparação das provas, quer na confiança transmitida dentro do carro: “A experiência dela tem sido importante porque, quando tenho uma dúvida numa nota, ela já sabe o que fazer ou o que dizer, e isso traz logo mais confiança. De Lisboa para Castelo Branco fomos afinando alguns pormenores dos dois lados para nos sentirmos mais confiantes”, afirma.

    A componente familiar do projeto, com a JG Sport/Joaquim Gameiro como base estrutural, torna esta caminhada especial, mas também mais exigente. Leandro reconhece que representar uma equipa familiar aumenta o sentido de responsabilidade: “É especial, sendo que esta equipa já vem da altura do nosso pai, mas a responsabilidade ainda é maior”. O apoio de Hélder Costa, pai da dupla e diretor da equipa, tem sido também decisivo nesta fase inicial: “Ele dá sempre a sua opinião, o que faz com que possamos perceber melhor algumas coisas e o que se deve ou não fazer”.

    Agora, com o Rali da Água no horizonte, a prioridade passa por recuperar confiança, consolidar aprendizagem e voltar a competir com cabeça fria, mas sem perder a garra que já levou Leandro e Liliana Costa ao triunfo na estreia: “O importante neste momento é voltar a ganhar confiança. Depois os resultados aparecem. Podem esperar um regresso cheio de vontade de aprender e, se possível, ganhar. Mas sempre com a cabeça no lugar, para conseguirmos acabar o resto da época sem problemas”.

    Leandro Costa faz ainda questão de deixar uma palavra de agradecimento a todos os que acompanham e apoiam este projeto: ”O apoio deles é fundamental para continuarmos a evoluir e a lutar pelos nossos objetivos. Vamos dar tudo em cada prova para retribuir essa confiança”.

  • Ernesto Cunha regressa no Rally Series Neveiro e a Lã – Castanheira de Pera com Subaru renovado

    Ernesto Cunha regressa no Rally Series Neveiro e a Lã – Castanheira de Pera com Subaru renovado

    Ernesto Cunha está de regresso à competição para disputar o Rally Series Neveiro e a Lã – Castanheira de Pera, aos comandos do habitual Subaru Impreza STI, agora equipado com um novo motor. David Monteiro será o navegador numa participação assumidamente virada para recuperar ritmo e desfrutar da prova.

    Depois dos problemas mecânicos que condicionaram a última participação, Ernesto Cunha volta à ação nos dias 5 e 6 de setembro, numa prova que decorrerá em asfalto e relativamente perto da sua região de residência. O Subaru Impreza STI recebeu entretanto um novo motor, tornando esta participação importante para avaliar o comportamento do carro em competição e acumular quilómetros.

    «Vamos alinhar nesta prova com um objetivo claro de nos divertirmos e de rodar quilómetros com o carro, que levou um motor novo após a última prova. Queremos aproveitar esta oportunidade para perceber o comportamento do carro em competição e, acima de tudo, desfrutar dos quilómetros», explica Ernesto Cunha.

    Sem colocar pressão sobre o resultado, o piloto quer aproveitar o formato do evento e a proximidade de Castanheira de Pera: «O rali acontece relativamente perto de casa, o que também nos traz uma vontade especial de aproveitarmos ao máximo o traçado. É um rali diferente e queremos essencialmente desfrutar da prova, juntamente com o David, e passar um bom fim de semana de competição.»

    O Rally Series Neveiro e a Lã – Castanheira de Pera apresenta um percurso total de 68,78 quilómetros, dos quais 40,50 serão disputados ao cronómetro, distribuídos por oito Provas Especiais de Classificação.

  • Luís Fernandes: rapidez nunca faltou, faltam apoios para continuar a sonhar

    Luís Fernandes: rapidez nunca faltou, faltam apoios para continuar a sonhar

    Três pódios, uma vitória na Rampa da Penha, segundo lugar nos Super Challenge C a apenas 18 pontos do líder e um fantástico Top 3 absoluto na Categoria Super Challenge. Luís Fernandes e o Peugeot 106 XSi foram um dos binómios em maior evidência na primeira metade do Campeonato de Portugal de Montanha JC Group, mas a falta dos apoios esperados obrigou o piloto a deixar o coração de lado e travar o investimento.

    Luís Fernandes foi, até à pausa de verão, quem mais conseguiu incomodar o habitual dominador dos Super Challenge C, Bruno Carvalho. Ao volante do Peugeot 106 XSi, o piloto conquistou três pódios e venceu na Rampa da Penha, chegando ao segundo lugar da divisão, a 18 pontos do líder.

    Um registo ainda mais significativo porque Fernandes esteve ausente da Rampa Capital do Móvel, quinta prova da temporada. A ausência teve uma razão muito concreta: orçamento.

    «Depois de uma época de 2025 em que vivi o sonho de disputar o Campeonato Nacional com cerca de 90% dos custos suportados por mim, 2026 foi planeado com base em algumas promessas de apoio. Quando chegou a hora da verdade, infelizmente esses apoios não avançaram e acabaram mesmo por ser inferiores aos do ano passado.»

    Luís Fernandes admite que poderia reduzir custos para continuar presente em todas as provas, mas isso iria contra a forma como encara a competição: «Não tenho perfil para ir participar sem sentir que tenho condições para dar o meu máximo e andar no meu limite. Dentro do carro, a minha mentalidade é ir ao máximo e sem desculpas. Naturalmente, isso também aumenta bastante os custos por corrida.»

    Quando a razão venceu o coração

    A paragem chegou, na verdade, mais tarde do que inicialmente previsto: «Já era para ter parado na Serra da Estrela, mas sou descendente daquela região e a paixão falou mais alto. Depois veio Santa Marta, um traçado e um ambiente de que gosto muito, e voltei a deixar o coração decidir. Infelizmente, os problemas no carro não me permitiram aproveitar esse esforço e, na viagem de regresso, assumi comigo mesmo que não iria continuar a inflacionar o orçamento.»

    A intenção passa agora por regressar na Rampa da Arrábida, praticamente à porta de casa, reutilizando pneus das provas anteriores e completando assim as cinco participações necessárias para fechar a temporada. Luís Fernandes sabe que essa opção poderá custar posições na classificação, mas prefere manter o projeto financeiramente sustentável.

    «O público faz-me sentir especial»

    Se existe algo que o piloto leva desta primeira metade da época é a resposta dos adeptos: «O mais positivo tem sido o feedback do público. Pessoas que vêm ter comigo para dar os parabéns pela forma como veem o carro passar, mensagens que recebo e até quando me pedem uma fotografia. Isso faz-me sentir especial.»

    E é precisamente aí que surge também a maior frustração: «O mais desagradável é perceber que tudo aquilo que conseguimos transmitir ao público não chegou às pessoas certas para conseguirmos os apoios necessários.»

    Para 2027, Luís Fernandes quer voltar a procurar parceiros que lhe permitam transformar a velocidade já demonstrada numa presença mais consistente: «Vou procurar novamente esse apoio para 2027, de forma a conseguir mais do que uma participação esporádica no campeonato.»

    O piloto deixa ainda agradecimentos à esposa, à Speed Motorsport, X Power, André Cerol, David dos Pneus, Rapid Sport Viseu e, de forma muito especial, a Vítor Hilário, da Egipower, que o acompanha em todas as provas.

  • Miguel Cristóvão estreia-se a vencer no Lamborghini Super Trofeo Europe

    Miguel Cristóvão estreia-se a vencer no Lamborghini Super Trofeo Europe

    Miguel Cristóvão conquistou em Nürburgring a primeira vitória da temporada no Lamborghini Super Trofeo Europe. O piloto português e Paul Levet impuseram-se na Pro-Am na primeira corrida e estiveram muito perto de repetir o triunfo no domingo, antes de uma bandeira vermelha alterar o desfecho.

    Miguel Cristóvão confirmou em Nürburgring a evolução que vinha demonstrando no Lamborghini Super Trofeo Europe, conquistando a primeira vitória da temporada na categoria Pro-Am. Depois dos dois pódios alcançados em Spa-Francorchamps, o piloto de Lisboa e Paul Levet voltaram a colocar o Lamborghini Huracán Super Trofeo EVO2 da Vincenzo Sospiri Racing entre os protagonistas.

    A dupla começou por mostrar velocidade na qualificação, com Levet a conquistar a pole position absoluta, enquanto Cristóvão garantiu o quarto lugar da Pro-Am na sua sessão. Na primeira corrida, o francês arrancou da frente e construiu uma vantagem confortável. Miguel Cristóvão assumiu depois os comandos, manteve um ritmo consistente e confirmou o triunfo na Pro-Am, terminando ainda no quinto lugar absoluto.

    «Ganhámos bem a primeira corrida, sem qualquer ajuda do Safety Car. Liderámos à geral até oito minutos do fim, mas, para nós, o importante era vencer a Pro-Am e não valia a pena envolvermo-nos em lutas com os carros da classe Pro», explicou.

    Bandeira vermelha tira segundo triunfo

    Na corrida de domingo, Cristóvão realizou o primeiro turno e manteve a dupla na luta pelos lugares da frente. Paul Levet iniciou depois uma forte recuperação e chegou mesmo à liderança da Pro-Am nas voltas finais. Quando uma segunda vitória parecia ao alcance, um violento acidente na Curva 1 provocou a interrupção da prova com bandeira vermelha. Como a classificação foi estabelecida com referência a duas voltas antes da paragem, Cristóvão e Levet acabaram oficialmente no quarto lugar da categoria.

    «Foi um balde de água fria, porque este resultado condiciona-nos bastante na luta pelo campeonato. Ainda assim, continuamos na batalha e vamos fazer o melhor possível nas duas rondas finais.»

    Restam agora quatro corridas, distribuídas por Barcelona e Monza, circuitos nos quais Miguel Cristóvão acredita poder voltar a lutar pelas vitórias. A próxima ronda do Lamborghini Super Trofeo Europe disputa-se em Barcelona, de 2 a 4 de outubro.

  • Martim Ventura abdica da vitória para ajudar colega e sela dobradinha histórica da Honda no Sertões

    Martim Ventura abdica da vitória para ajudar colega e sela dobradinha histórica da Honda no Sertões

    Martim Ventura terminou a estreia no Rally dos Sertões com um resultado de enorme nível e um gesto ainda maior. Na derradeira etapa, o português abdicou da possibilidade de vencer para rebocar o companheiro Bruno Crivilin até à meta, permitindo à Monster Energy Honda HRC celebrar uma histórica dobradinha na maior prova sul-americana de rali-raid.

    Martim Ventura foi uma das grandes figuras da edição de 2026 do Rally dos Sertões. Aos comandos da Honda CRF450RX e integrado na Monster Energy Honda HRC, o piloto apoiado pela bp Ultimate juntou à excelente prestação desportiva uma extraordinária demonstração de fair play.

    Na última etapa, Bruno Crivilin, líder da prova, encontrou uma vaca na pista. Ao tentar evitá-la, acabou por embater numa árvore e danificou a moto, ficando sem condições para prosseguir sozinho. Ventura, que seguia logo atrás e tinha a possibilidade de aproveitar o incidente para chegar à vitória, tomou uma decisão imediata: parou para ajudar o companheiro e rebocou-o até à linha de chegada.

    O gesto permitiu a Crivilin confirmar o triunfo e à Honda celebrar uma dobradinha histórica: «Esse era o objetivo desde o início do rali: levar a Honda à vitória. Vim para dar o meu melhor, mas o foco sempre foi a Honda vencer», explicou Martim Ventura.

    O português não teve dúvidas sobre a decisão tomada: «O Bruno esteve sempre um nível acima e merecia a vitória mais do que qualquer outro. Eu até poderia ter triunfado, mas quando o vi com problemas só pensei em ajudá-lo. Esse era o meu papel.»

    A estreia no Sertões terminou, assim, com muito mais do que um grande resultado: «Aprendi muito neste Sertões, evoluí em cima da moto, descobri novas técnicas e melhorei a condução nos diferentes terrenos. Também aprendi que, no fim, tudo dá certo. Para mim, e acredito que para muita gente, este rali foi uma grande lição.»

  • Carlos Matos vence Rallye Constálica após intenso duelo com André Cabeças

    Carlos Matos vence Rallye Constálica após intenso duelo com André Cabeças

    Carlos Matos e Ricardo Faria levaram o Škoda Fabia RS Rally2 à vitória no Rallye Constálica – Castro Daire, Vouzela e Oliveira de Frades, resistindo à forte pressão de André Cabeças e Miguel Castro. Armando Carvalho venceu no Campeonato Centro e no Promo, enquanto Carlos Fernandes triunfou na Taça de Portugal GT de Ralis.

    Carlos Matos confirmou o triunfo absoluto no Rallye Constálica depois de uma luta intensa com André Cabeças, que nunca deixou o piloto sampedrense respirar tranquilamente ao longo da prova. Ao volante do Škoda Fabia RS Rally2 e navegado por Ricardo Faria, Matos terminou com 13,2 segundos de vantagem sobre o Citroën C3 Rally2 de André Cabeças/Miguel Castro.

    A derradeira Super Especial de Oliveira de Frades foi ganha por Tiago Silva/Jorge Henriques, em Škoda Fabia R5, dupla que terminou também no terceiro lugar absoluto. Cabeças foi segundo no troço, enquanto Carlos Matos, quarto, geriu a vantagem suficiente para confirmar a vitória. Entre os destaques esteve ainda João Marcelino, que, na estreia absoluta ao volante do Škoda Fabia R5 anteriormente utilizado pelo pai, terminou no Top 5, acompanhado por Valter Cardoso.

    Na Taça de Portugal GT de Ralis, o triunfo pertenceu a Carlos Fernandes/João Serôdio, com o Porsche 911 GT3 Cup, terminando igualmente num excelente quarto lugar absoluto. José Cruz/Magda Oliveira, em Porsche 997 GT3 Cup, foram segundos na categoria.

    Armando Carvalho e Ana Santos terminaram a prova no sexto lugar absoluto e conquistaram a vitória no Campeonato Centro de Ralis, aumentando a vantagem sobre António Cruz Monteiro.

    O piloto do Peugeot 208 T16 chegou a liderar a classificação da categoria no final de sábado, mas Carvalho soube explorar o potencial do Mitsubishi Lancer Evo IX nas classificativas mais favoráveis. Henrique Correia/Tiago Barata, em Ford Escort S, completaram o pódio do Centro e venceram igualmente entre as duas rodas motrizes, diante de Duarte Rodrigues/Inês Veiga e Vítor Matias/Pedro Júlio.

    No Campeonato Promo, Armando Carvalho e Ana Santos voltaram a levar a melhor, seguidos por António Cruz Monteiro/Ana Cruz Monteiro e Henrique Rodrigues/Daniel Rodrigues.

    A prova ficou ainda marcada pelo abandono precoce de João Ferreira e António Costa, que tinham vencido de forma categórica as duas primeiras especiais. Um acidente já depois da tomada de tempos na PEC2 provocou danos importantes no Toyota GR Yaris Rally2, impedindo a dupla de continuar no domingo.

  • Sami Pajari faz história no Paraguai com terceira vitória consecutiva no WRC

    Sami Pajari faz história no Paraguai com terceira vitória consecutiva no WRC

    Sami Pajari e Marko Salminen venceram o Rally del Paraguay e escreveram uma página inédita no Mundial de Ralis: tornaram-se a primeira dupla a conquistar consecutivamente as três primeiras vitórias da carreira no WRC. O finlandês está agora a apenas 20 pontos de Elfyn Evans na luta pelo título.

    Sami Pajari continua imparável. Depois dos triunfos na Estónia e Finlândia, o jovem finlandês venceu também o Rally del Paraguay, completando um extraordinário hat-trick e aproximando-se definitivamente da liderança do Campeonato do Mundo de Ralis. Pajari terminou a prova com 25,8 segundos de vantagem sobre Hayden Paddon, controlando a derradeira etapa depois de assumir a liderança numa sexta-feira marcada por problemas de pneus e vários incidentes.

    «É incrível. Construir um carro tão fiável é a chave para este sucesso. É um momento de enorme orgulho e estou muito feliz», afirmou o piloto da Toyota.

    Hayden Paddon confirmou uma das grandes prestações do fim de semana ao terminar em segundo, naquela que foi a sua primeira participação em terra ao mais alto nível do WRC desde 2018.

    O último lugar do pódio pertenceu a Adrien Fourmaux, autor de uma impressionante recuperação. O francês terminou sexta-feira a 1m51,3s da liderança, mas recuperou terreno ao longo do sábado e ultrapassou Elfyn Evans na manhã de domingo, terminando 5,1 segundos à frente do líder do campeonato.

    Evans foi quarto e conserva o comando do Mundial com 216 pontos, mas viu Pajari aproximar-se perigosamente. O finlandês soma agora 196, enquanto Oliver Solberg, quinto no Paraguai e vencedor da Power Stage, é terceiro com 175. Josh McErlean terminou no sexto lugar.

    A prova ficou igualmente marcada pela vitória caseira de Diego Domínguez e Rogelio Peñate no WRC2. A dupla paraguaia terminou no sétimo lugar absoluto e venceu a categoria com 22,7 segundos de vantagem sobre Gus Greensmith, proporcionando um dos momentos mais emotivos da estreia do Paraguai no Mundial. Alejandro Galanti completou o pódio do WRC2, garantindo mais um resultado de destaque para os pilotos locais.

    A jornada final ficou ainda marcada pelo acidente de Takamoto Katsuta e Aaron Johnston, que levou à interrupção da penúltima classificativa. Ambos foram transportados de helicóptero para um hospital para exames de precaução.

    O WRC mantém-se agora na América do Sul, seguindo diretamente para o Rally Chile Bio Bío, de 10 a 13 de setembro. Com três provas ainda por disputar, Evans lidera com apenas 20 pontos sobre Pajari e 41 sobre Solberg, deixando a luta pelo título completamente aberta.

  • Gabi Santos Teixeira recupera dez posições na Final da IAME Euro Series em Genk

    Gabi Santos Teixeira recupera dez posições na Final da IAME Euro Series em Genk

    Aos 15 anos, Gabi Santos Teixeira voltou a mostrar velocidade e capacidade de recuperação numa das grelhas mais competitivas do karting europeu. A piloto de Gondomar terminou a Final da IAME Euro Series em Genk no 21.º lugar, depois de recuperar dez posições entre 65 concorrentes da categoria X30 Sénior.

    Depois das boas prestações no Champions of the Future Academy Program, Gabi Santos Teixeira regressou à IAME Euro Series para disputar a quarta e última ronda da X30 Sénior, na exigente pista de Genk, na Bélgica. A ex-campeã nacional X30 Júnior integrou um forte pelotão de 65 pilotos e começou o fim de semana condicionada pelo tráfego nos treinos cronometrados, terminando em 19.º no seu grupo e 37.º no conjunto das sessões.

    A partir daí, iniciou mais uma recuperação. Depois das mangas de qualificação, ocupava o 30.º lugar e, nas Super Heats, garantiu o acesso à Final, reservada aos 36 melhores.

    Foi precisamente na corrida decisiva que a jovem da FPAK Júnior Team voltou a dar nas vistas, protagonizando dez ultrapassagens e terminando no 21.º lugar: «Fiquei muito contente com a forma como nunca baixámos os braços ao longo do evento. Tivemos algum azar nos treinos cronometrados e, a partir daí, tivemos de arriscar bastante nas mangas e na Super Heat, felizmente sem cometer erros», explicou.

    A intensidade da Final acabou por confirmar a competitividade da jovem portuguesa: «A última corrida foi mesmo muito intensa e estive sempre em recuperação. Nunca é fácil subir tantos lugares na IAME Euro Series, sobretudo nesta categoria. Voltámos a demonstrar o nosso valor entre os melhores da Europa.»

    Num fim de semana exigente, Gabi Santos Teixeira voltou assim a deixar uma marca forte no panorama internacional, reforçando a evolução que tem vindo a mostrar ao longo da temporada.

  • João Ferreira abandona Rallye Constálica após acidente

    João Ferreira abandona Rallye Constálica após acidente

    João Ferreira e António Costa estão fora do Rallye Constálica depois de um acidente ocorrido já após o final da segunda classificativa. A dupla tinha começado a prova de forma dominadora, vencendo as duas primeiras especiais e assumindo-se claramente como a referência da jornada inaugural.

    O Rallye Constálica – Castro Daire, Oliveira de Frades e Vouzela perdeu um dos principais candidatos à vitória ainda durante a tarde de sábado. João Ferreira e António Costa, aos comandos do Toyota GR Yaris Rally2, foram obrigados a abandonar depois de um acidente registado após o final da PEC2.

    A dupla tinha entrado de forma fortíssima na prova, vencendo de maneira convincente as duas primeiras classificativas e instalando-se na liderança: «No final da PEC2, tivemos uma saída demasiado larga numa zona suja, o que acabou por resultar num embate. Infelizmente, os danos não nos permitem continuar amanhã», explicou João Ferreira.

    Apesar do abandono prematuro, o piloto deixou ainda uma palavra de agradecimento a António Costa e à ARC Sport pelo esforço desenvolvido: «Voltamos em breve», garantiu. O abandono retira assim da luta pela vitória absoluta uma das duplas que mais tinha impressionado no arranque do Rallye Constálica, depois de um início marcado por duas vitórias em duas especiais.