A sexta prova da temporada do Campeonato de Portugal de Montanha JC Group conseguiu atrair mais de quatro dezenas de pilotos, num plantel que adiciona qualidade à quantidade e atesta a saúde da modalidade. A jornada pode marcar a atribuição de alguns títulos.
Depois de não ter sido disputada em 2020, está de volta a mítica Rampa do caramulo, que este ano comemora a sua 30ª edição. Sob a batuta organizativa do Targa Clube, a rampa apresenta uma “cara lavada” mercê do forte investimento do Município de Tondela no reforço da segurança do traçado, com a colocação de novos rails de proteção, tendo ainda sido melhorado o piso. A prova dará fecho a uma fase frenética do Campeonato de Portugal de Montanha JC Group que, num espaço de três meses, ergueu seis provas, mercê do esforço dos clubes organizadores e da APPAM, sendo de destacar que pilotos e equipas aderiram de forma intensa, proporcionando listas de concorrentes sempre superiores a quatro dezenas e tendo mesmo, em alguns casos, ultrapassado largamente a meia centena.
Quanto ao cunho competitivo
desta 30ª Rampa do Caramulo, a prova tem tudo para servir um espetáculo intenso,
com a mais-valia de poder vir a entregar de forma precoce alguns dos títulos e
troféus em disputa.
Nas contas da Geral e da
categoria Protótipos, um piloto chega em alta ao Caramulo: Hélder Silva. Aos
comandos do seu BRC BR 53, logrou vencer as duas últimas tiradas do campeonato,
na Penha e em Santa Marta, tornando-se o primeiro piloto a repetir triunfos e
aproximou-se substancialmente de José Correia (Osella PA-2000 EVO 2), ainda líder
pontual. Os dois são os favoritos à vitória e a luta será acesa.
A jogar “por fora”, mas tendo já
provado que tem talento e rapidez para se imiscuir na luta pelo triunfo
absoluto, estará o líder da Divisão Protótipos B, António Rodrigues. O piloto
do BRC CM05 Evo da NJ Racing está a fazer uma época fantástica, embora chegue
ao Caramulo vindo da única derrota da temporada na sua divisão. Uma nova vitória
entre os B, coloca-o com o título na mão.
Como opositores na divisão, terá
o seu colega de equipa Nuno Guimarães e Joaquim Rino. Guimarães venceu em Santa
Marta e começa a “tratar por tu” o seu SilverCar S2, sendo por isso mais um adversário
duro de roer. Também cada vez mais seguro a extrair o potencial do novo BRC
BR49 Evo está Rino, sendo de esperar uma batalha interessante entre os três.
Um dos “mata-mata” do programa será o habitual duelo entre dois grandes pilotos nos GT: Pedro Marques e Vítor Pascoal. À chegada ao Caramulo, Marques tem três vitórias e Pascoal duas, colocando assim Marques na liderança desta corrida ao título, embora tendo Pascoal ainda possibilidades de lá chegar. Os dois pilotos dos Porsche 991 GT3 CUP tem estado tão equilibrados que qualquer previsão corre o risco de ser frágil.
A esperada luta “fratricida”
terá, desta feita, um elemento extra: Sérgio Matos. O piloto e patrão da Constálica
volta assim a participar numa prova do campeonato, deste feita ao volante do
imponente Lamborghini Huracan Super Trofeo, máquina que despertará certamente
muita atenção.
A categoria Turismos volta a
ter a maior fatia de participantes, com 16 pilotos a alinharem, distribuídos pelas
3 divisões.
Na Turismos 1, vive o grande favorito ao título nacional da Categoria e à vitória na divisão: Luís Nunes. Uma vez mais, o piloto do Ford Fiesta R5+ tem tudo para registar mais uma dupla vitória e, no que concerne às contas da divisão, rematar a conquista do troféu. Vai enfrentar a oposição do regressado António Cruz Monteiro, muito rápido aos comandos de um Peugeot 208 T16 R5 e de Daniela Marques, cada vez mais forte com o Subaru Impreza WRX.
Também na Turismos 2 existe um
dominador que pode selar as contas no Caramulo. Joaquim Teixeira (Cupra TCR)
vai em busca da sexta vitória consecutiva e, se acontecer, coloca mais um troféu
na sua vasta coleção. Quer ainda contrariar o favoritismo de Luís Nunes, na “guerra”
da categoria e chegar aqui à que seria a primeira vitoria da temporada.
Esta divisão tem um excelente
naipe de pilotos e máquinas. Luís Silva (BMW M3) tem sido quem mais oposição tem
feito a Teixeira e vai estar na linha da frente do combate, onde também estarão
mais três TCR: o Cupra de Manuel Rocha e Sousa, o Audi RS3 LMS de Paulo Silva e
um belo Peugeot 308 do estreante Alfredo Barros. A estes junta-se ainda o
competitivo BMW M3 de José Carlos Pouca Sorte.
É na Divisão Turismos 3 que teremos novo combate “mata-mata” pois tem sido impróprio para cardíacos o duelo musculado que Sérgio Nogueira e Parcídio Summavielle têm protagonizado, com Nogueira a vencer por três vezes e Parcídio a assegurar o triunfo em outras duas. Ambos munidos de versões diferentes de Renault Clio RS, vão estar na linha da frente do combate, mas terão de contar com a oposição do cada vez mais forte Alberto Pereira (Honda Civic Type R), sendo de esperar ainda que Carlos Silva (Renault Clio RS) queira chegar ao pódio.
Apostando na fiabilidade do seu
Citroen DS3 R1, o fafense Cláudio Baptista vai tentar fazer mais uma excelente operação
e recolha de pontos, neste seu regresso ao campeonato após 3 anos de paragem. Os
Turismos 3 contam ainda com Rute Brás, a fazer apenas a segunda prova da sua
carreira, com o Peugeot 206 RC da NJ Racing e de João Santos, aos comandos de
um Kia Picanto.
Migue Matos e um enigmático GRIIIP
G1-17 farão história no Caramulo. Serão pioneiros na prova inaugural da Taça de
Portugal de Monolugares de Montanha, num caminho que se pretende bem-sucedido
no regresso dos monolugares à modalidade. Já na taça reservada aos kartcross,
destaque para a inscrição de Sérgio Mateus, num Semog.
Seis são os protagonistas do “combate” reservado ao Campeonato de Portugal de Clássicos de Montanha JC Group. A jogar em casa, Fernando Salgueiro e Ricardo Loureiro tudo farão para impor os seus Ford Escort MKII, mas têm pela frente Flávio Sainhas que soma por triunfos as duas provas que disputou em 2021, mercê da forma incrível como extrai tudo do seu Ford Escort MKI.
Luís Moutinho (Ford Escort) é outro dos candidatos aos lugares do pódio, cabendo a Fernando Francisco (Ford Escort MKI) e Carlos Fava (VW 1303) fazerem da regularidade a arma para lograr um bom resultado na prova.
No Campeonato Legends de Montanha JC Group, Manuel Pereira assume, uma vez mais o favoritismo ao triunfo final, tal a competitividade do seu Mitsubishi Lancer EVO VI. Líder destacado do campeonato, José Carlos Magalhães alinhará com o Toyota Carina E, um dos 3 carros que já utilizou em 2021, procurando amealhar pontos preciosos para ficar mais perto do título. Gonçalo Antunes (Citroen AX GTi) e João Macedo (BMW 328is) vão alinhar de olhos postos num lugar no pódio.
A Taça de Portugal de Montanha 1300
JC Group vai viver uma jornada marcada por algumas ausências que aumentam o
favoritismo do atual detentor do troféu: Francisco Milheiro. Este tem tudo para
regressar aos triunfos, confiando na fiabilidade do seu Peugeot 106, para levar
de vencida Marco Figueiredo (Toyota Starlet) e a jovem Daniela Ferreira, a realizar
a terceira prova da sua carreira, aos comandos do Citroen C1 da FR Power.
À procura de um quinto e decisivo triunfo consecutivo estará Eva Laranjeira entre os Clássicos 1300. Se almejar tal feito, A piloto da MNE Sport arrumará as contas do título, num ano em que tem sido quase imparável aos comandos do Peugeot 205 Rallye. Para a tentar parar, entrarão em liça os habituais José Pedro Figueiredo (Datsun 1200) e Domingos Fernandes (Autobianchi A122 Abarth). Este ano, ainda não lograram levar de vencida a setubalense.
O traçado de 2850 metros será, como é habitual nas provas do Campeonato de Portugal de Montanha JC Group, percorrido por oito vezes, com distribuição equitativa pelas jornadas de sábado e domingo. O programa do primeiro dia arrancará às 14 horas, com o Warm Up 1, seguindo-se as duas habituais sessões de treinos oficiais, fechando a jornada com a 1ª Subida de Prova. Após as 10 horas de domingo, será dado arranque ao dia decisivo. Novo Warm Up a anteceder a 3ª subida de treinos oficiais da rampa, que decorrerá ainda de manhã. O início da tarde servirá “dose dupla” de emoção total com as duas derradeiras Subidas de Prova, sempre fundamentais para o desfecho competitivo da prova.