Categoria: Montanha

  • Bruno Carvalho: consistência, paixão e espetáculo premiados com mais uma época de sucesso

    Bruno Carvalho: consistência, paixão e espetáculo premiados com mais uma época de sucesso

    Em poucas épocas, Bruno Carvalho e o seu Citroën Saxo, preparado pela LX Sport, afirmaram-se como um dos binómios mais competitivos e carismáticos do Campeonato de Portugal de Montanha JC Group.

    O piloto lisboeta voltou a protagonizar, em 2025, uma temporada de elevado nível, marcada por vitórias, nova conquista do cetro na Divisão SC-C e presença no pódio final da categoria Super Challenge, evolução técnica contínua e uma presença constante na luta pelos lugares cimeiros, sem abdicar do espetáculo e da entrega total em cada rampa. Uma época de referência, complementada ainda por participações esporádicas em ralis, que reforçam a sua versatilidade e paixão pelo desporto automóvel.

    Com 49 anos, Bruno Carvalho traz para a competição uma ligação profunda e genuína ao automóvel, construída muito antes de qualquer ambição desportiva. Empresário do ramo automóvel há mais de duas décadas, dedica-se à comercialização de viaturas usadas de segmento elevado, com especial enfoque em modelos seminovos de alta cilindrada e grande performance. Paradoxalmente, é precisamente fora desse universo profissional que encontra o seu maior desafio pessoal.

    “Lido diariamente com carros de enorme performance, mas é na ligação emocional ao meu primeiro carro desportivo que encontro o verdadeiro estímulo. É aí que está o hobby, o prazer puro de conduzir e de tentar evoluir, décimo a décimo, sabendo que tudo é conquistado com trabalho, persistência e dedicação.”

    Essa filosofia está na base do projeto LX Sport Racing Team, estrutura totalmente suportada pela sua. Atualmente, a LX Sport é a única patrocinadora do projeto, embora o piloto não esconda a abertura a novos parceiros que se identifiquem com este percurso construído com seriedade e paixão.

    2025: uma das épocas mais exigentes… e mais gratificantes

    A temporada de 2025 revelou-se uma das mais duras e, simultaneamente, mais recompensadoras da carreira de Bruno Carvalho. O arranque em Murça foi tudo menos simples. A chuva intensa e problemas evidentes ao nível da suspensão tornaram o comportamento do Citroën Saxo particularmente difícil, com excesso de ressalto e falta de tração, tornando a condução extremamente delicada logo na primeira ronda do campeonato: “O carro estava muito difícil de guiar, sem tração e com um comportamento que exigia muito cuidado. Foi um início complicado, mas sabíamos que o potencial estava lá e que era uma questão de trabalho e evolução.”

    Prova após prova, a equipa foi afinando soluções, corrigindo erros e adaptando o carro às exigências específicas de cada rampa. Esse trabalho contínuo revelou-se fundamental para ganhar competitividade e confiança, num campeonato onde cada detalhe faz a diferença.

    O ponto alto da temporada surgiu de forma clara na Rampa da Penha. Num fim de semana em que tudo pareceu alinhar — carro, piloto, equipa e condições — Bruno Carvalho assinou uma prestação de enorme qualidade, baixando dois segundos ao seu recorde pessoal num contexto de concorrência particularmente forte: “Foi uma prova muito especial. Conseguir baixar dois segundos ao meu melhor tempo e ainda assim vencer, num ambiente tão competitivo, foi a confirmação clara de que todo o trabalho feito desde o início da época estava a dar frutos.”

    Mais do que a vitória, o resultado representou a consolidação de um percurso de evolução técnica e desportiva que vinha sendo construído desde as primeiras provas do ano.

    Como em qualquer época intensa, também houve momentos difíceis. A Rampa da Falperra, prova rainha do campeonato, acabou por ser o ponto mais baixo da temporada. As condições meteorológicas instáveis tornaram o piso traiçoeiro e culminaram num acidente significativo.

    “Perdi o controlo do carro num local onde já tinha havido um incidente anteriormente. Tudo indica que poderia haver óleo no piso, algo que, na minha opinião, merecia maior atenção por parte da organização, sobretudo numa prova com esta importância.”

    Os danos no carro foram consideráveis, mas o episódio acabou por evidenciar, uma vez mais, a força da equipa. Com enorme empenho técnico e humano, o Citroën Saxo foi recuperado em tempo recorde, permitindo um regresso imediato à luta.

    Duas semanas depois, a resposta foi dada em pista, com a vitória na Rampa da Serra da Estrela, num dos momentos mais marcantes da época: “Foi uma das respostas mais fortes que podíamos dar após um contratempo daqueles. Demonstrou a capacidade da equipa e a nossa determinação em nunca baixar os braços.”

    A vitória na Super Challenge C: consolidar um percurso

    A conquista da Divisão Super Challenge C em 2025 teve um sabor particularmente especial. Em 2024, Bruno Carvalho decidiu avançar para a preparação de um segundo Citroën Saxo, com uma carroçaria mais reforçada e um nível de desenvolvimento superior.

    O processo não foi isento de erros, sobretudo ao nível da suspensão, que comprometeram a eficácia em várias situações: “Houve decisões que não correram como esperávamos, especialmente na suspensão, e isso refletiu-se nos tempos. Ainda assim, nunca deixámos de trabalhar.”

    Apesar de ainda existirem pormenores a afinar — nomeadamente no corte eletrónico da caixa de velocidades, responsável por algum desgaste prematuro — a evolução foi clara e sustentada: “Esta vitória vem consolidar um percurso iniciado há poucos anos, mas construído com muito trabalho, persistência e paixão.”

    Da juventude aos títulos: o caminho até à Montanha

    A entrada oficial na competição aconteceu em 2022, mas a história com o Citroën Saxo vem de muito antes. Foi o seu primeiro carro desportivo na juventude e o elo emocional nunca se perdeu.

    Em 2019, adquiriu um Saxo original, inicialmente preparado para track days. A evolução foi natural e, em 2021, decidiu experimentar uma prova isolada na Arrábida, onde venceu. Esse resultado foi decisivo para avançar para um campeonato completo.

    A temporada de 2022 foi altamente competitiva e marcada por vários contratempos, incluindo uma grave falha de motor na última prova. Ainda assim, graças ao trabalho da equipa mecânica, foi possível recuperar o carro e alcançar a vitória no campeonato — um momento que Bruno reconhece como decisivo na sua carreira.

    Ralis: experiências complementares

    As participações em ralis fora do campeonato surgem de forma pontual, mas desempenham um papel importante no desenvolvimento do projeto.

    “São contextos completamente diferentes da Montanha e obrigam a alterações profundas no setup do carro, mas são extremamente úteis para testar soluções e manter o ritmo competitivo.”

    2026: manter o rumo, com ambição e seriedade

    Para 2026, os objetivos estão bem definidos: continuar na mesma divisão e manter o registo de conquistas dos últimos anos, consolidando a evolução técnica do carro e competindo ao mais alto nível.

    “A ambição é clara: continuar a ganhar, mas sempre com os pés assentes no chão e com a mesma paixão que nos trouxe até aqui.”

    Bruno Carvalho termina a época com uma palavra de reconhecimento a quem esteve sempre presente: “Nada disto seria possível sem pessoas fundamentais neste percurso. Um agradecimento muito especial ao André Cerol e ao Rogério, verdadeiros pilares deste projeto, pela capacidade extraordinária de resolver problemas, muitas vezes em contextos limite. E, claro, à minha família, pelo apoio constante e pela compreensão das exigências deste desporto.”

    Em 2025, Bruno Carvalho confirmou-se como uma das figuras mais consistentes e carismáticas da Montanha nacional, provando que, quando a paixão é genuína e o trabalho é sério, os resultados acabam sempre por surgir.

  • Boticas recebe a 9.ª Gala da Montanha e celebra a histórica época de 2025

    Boticas recebe a 9.ª Gala da Montanha e celebra a histórica época de 2025

    O concelho de Boticas, no coração de Trás-os-Montes, será o palco da 9.ª edição da Gala da Montanha, evento que assinala o encerramento oficial da temporada 2025 do Campeonato de Portugal de Montanha JC Group.

    A cerimónia terá lugar no próximo dia 7 de fevereiro de 2026, reunindo pilotos, equipas, organizadores, parceiros e entidades ligadas à modalidade.

    A Gala da Montanha é promovida pelo promotor oficial do Campeonato de Portugal de Montanha, estrutura formada pela APPAM – Associação dos Pilotos Portugueses de Automóveis de Montanha e pelos clubes organizadores das provas do campeonato em 2025: CAM – Clube Automóvel do Minho, Cami Motorsport, Clube Automóvel da Régua, Clube de Motorismo de Setúbal, Demoporto e Targa Clube.

    Esta nona edição da Gala irá premiar todos os pilotos participantes na temporada 2025, uma das mais marcantes e emocionantes de sempre na história do Campeonato. A época ficou assinalada por um crescimento significativo em termos de impacto mediático, afluência de público e número de participantes, com 2025 a registar vários recordes de inscrições ao longo das diferentes provas do calendário.

    Para além da celebração dos êxitos desportivos alcançados em 2025, a Gala da Montanha será, como é tradição, o palco de apresentação das principais novidades para a temporada de 2026, marcando oficialmente o arranque de uma nova época do Campeonato de Portugal de Montanha JC Group.

    O evento terá lugar no Pavilhão Multiusos de Boticas, contando com o patrocínio institucional da Câmara Municipal de Boticas. A escolha do concelho transmontano reveste-se de particular simbolismo, uma vez que Boticas acolhe uma das rampas mais emblemáticas do panorama nacional e internacional: a Rampa Internacional de Boticas que já recebeu uma edição do Europeu de Montanha.

    No dia 7 de fevereiro de 2026, a “Família da Montanha” volta assim a reunir-se em Boticas para celebrar uma época histórica, homenagear os seus protagonistas e lançar, de forma oficial, a temporada de 2026.

  • Evolução e consistência marcam a época de Carlos Ferreira na Montanha

    Evolução e consistência marcam a época de Carlos Ferreira na Montanha

    Carlos Ferreira, da Brazcar Racing / CIRAC, fez o balanço da sua temporada de 2025 no Campeonato de Portugal de Montanha JC Group, sublinhando uma época globalmente positiva, apesar de algumas limitações que condicionaram a luta pelos lugares cimeiros da Divisão Turismo 3.

    O arranque tardio da temporada acabou por marcar o rumo do campeonato, consequência direta da chegada atrasada de componentes essenciais para o Citroën Saxo, situação que impediu uma participação plena desde o início: “Antes de mais, considero que foi uma época positiva. Começámos um pouco tarde, devido à chegada tardia de peças para o nosso Citroën Saxo, o que não nos permitiu lutar pela vitória no campeonato da nossa divisão.”

    Apesar dessa limitação, a evolução do carro ao longo da época foi clara, refletindo-se em resultados consistentes num campeonato extremamente competitivo e sem margem para erros: “Mesmo assim, a evolução do Citroën Saxo foi notória. Conseguimos aumentar o seu grau de competitividade e, com isso, alcançar alguns resultados de vulto, num campeonato muito disputado. Dei o meu máximo, tentei sempre fazer o melhor que sabia e que o carro permitia, e no final estou satisfeito.”

    Com o fecho da temporada de 2025, o foco começa agora a virar-se para o futuro, embora ainda sem decisões fechadas quanto ao próximo ano: “Para ser franco, ainda não sei o que iremos fazer em 2026. Estamos nesta fase a contactar os patrocinadores que nos apoiaram este ano. Ainda é cedo para falar, pois existem negociações em curso que carecem de resposta, mas assim que houver novidades serão anunciadas.”

    Antes de concluir, Carlos Ferreira fez questão de deixar uma palavra de agradecimento a todos os que tornaram possível a sua presença em pista: “Quero dedicar todos os nossos resultados aos patrocinadores, pois sem eles nada disto seria possível. À minha família, aos amigos que nos apoiaram de forma incrível ao longo da época, a toda a equipa, e também aos amigos e fãs que estiveram sempre presentes. A todos, o meu muito obrigado. Agora é olhar para 2026.”

  • Gonçalo Inácio: talento, velocidade e um vice-campeonato agridoce e à décima

    Gonçalo Inácio: talento, velocidade e um vice-campeonato agridoce e à décima

    A temporada de 2025 ficará marcada como uma das mais intensas e exigentes da carreira de Gonçalo Inácio, piloto reconhecido unanimemente como um dos mais rápidos e competitivos do Campeonato de Portugal de Montanha JC Group.

    No final de um ano duro, repleto de mudanças de rumo, adaptações constantes e decisões à décima de segundo, o piloto terminou como Vice-Campeão Nacional de Turismos, num campeonato onde esteve sempre no centro da luta pelo título e onde mostrou, prova após prova, uma combinação rara de velocidade pura, capacidade de adaptação e leitura estratégica da competição.

    “Foi, sem dúvida, uma das épocas mais duras, desafiantes e competitivas que já vivi”, resume, com lucidez, no balanço final.

    O projeto para 2025 estava bem definido desde o início: disputar toda a época ao volante de um Peugeot 208 Rally4, uma viatura que se enquadrava perfeitamente no seu estilo de condução e nos objetivos delineados. No entanto, o atraso na entrega do carro acabou por obrigar a uma mudança de planos ainda antes da primeira prova.

    Determinando a não perder pontos logo à partida, Gonçalo procurou uma solução alternativa que lhe permitisse alinhar em Murça num carro elegível para os Turismos 2. Foi nesse contexto que, através de Luís Delgado, surgiu a oportunidade de competir com o Kia Ceed TCR da LOB Motorsport, um carro potente, exigente e completamente diferente daquilo que estava inicialmente previsto.

    “Cheguei a Murça com total desconhecimento do carro e, para complicar, com chuva. Sabia que ia ser um fim de semana muito exigente, onde tudo teria de ser aprendido rapidamente”, recorda.

    A prova inaugural acabou por revelar muito sobre o carácter competitivo do piloto. Em condições meteorológicas difíceis e num traçado que não perdoa erros, Gonçalo conseguiu adaptar-se ao Kia Ceed TCR com uma rapidez impressionante, beneficiando também de um trabalho de equipa extremamente sólido ao longo de todo o fim de semana.

    O resultado foi inequívoco: vitória nos Turismos 2 e vitória à geral dos Turismos, um arranque de campeonato que superou largamente as expectativas e colocou desde logo o piloto na linha da frente da luta pelo título.

    “Foi um fim de semana muito trabalhoso, mas extremamente positivo. Conseguimos tirar partido do carro e do trabalho da equipa, e esse resultado foi fundamental para o resto da época.”

    Na Rampa da Penha, Gonçalo regressou finalmente ao Peugeot 208 Rally4, iniciando a prova de forma muito forte. O primeiro dia, disputado em piso húmido, permitiu-lhe explorar as qualidades do carro e terminar na liderança da Geral dos Turismos 2 e da Geral absoluta, reforçando a sensação de que tinha condições para lutar de igual para igual. No entanto, com a melhoria das condições meteorológicas e o piso completamente seco no segundo dia, a diferença de potência face às viaturas TCR tornou-se evidente, condicionando o andamento e obrigando a uma abordagem mais defensiva.

    “Com o piso seco, a diferença de potência fez-se sentir de forma clara. Lutámos até onde foi possível, mas tivemos de aceitar essa limitação”, explica, terminando a prova num 3.º lugar que, ainda assim, se revelou importante em termos pontuais.

    A Rampa da Falperra, terceira prova do campeonato, representava um desafio adicional: era um traçado completamente novo para Gonçalo. De novo ao volante do Kia Ceed TCR, encontrou rapidamente um ritmo forte numa rampa rápida e extremamente técnica, assumindo a liderança da prova. Tudo parecia alinhar-se para mais uma vitória. No entanto, na última subida de prova, um pequeno erro acabou por ter consequências significativas, relegando-o para o 2.º lugar final.

    “São coisas que acontecem na montanha. Estava a liderar, mas um erro paga-se caro”, admite, num dos muitos momentos em que o campeonato se decidiu em margens mínimas.

    A Rampa de Santa Marta marcou, assumidamente, o ponto mais baixo da temporada. O fim de semana começou com ambição e confiança, mas uma saída de estrada na segunda subida alterou completamente os objetivos inicialmente traçados. A partir desse momento, o foco passou a ser terminar a prova e somar o máximo de pontos possível. Graças a um trabalho exímio da equipa, o carro foi reparado a tempo da última subida, permitindo a Gonçalo alinhar novamente e garantir um 2.º lugar final. “Sem o trabalho incrível da equipa, nem sequer teria voltado à linha de partida”, sublinha.

    No Caramulo, um persistente problema elétrico limitou o andamento durante todo o fim de semana. Apesar das inúmeras tentativas para solucionar a falha, a equipa acabou por não conseguir resolver o problema, obrigando o piloto a gerir e levar o carro até ao fim, assegurando novamente a 2.ª posição.

    A Rampa de Boticas, penúltima prova do campeonato, poderia ter sido decisiva. Gonçalo esteve sempre entre os mais rápidos, assinando mesmo os melhores tempos entre os TCR ao longo do fim de semana. À entrada para a última subida, tanto ele como o adversário direto tinham hipóteses reais de vencer e ganhar vantagem na luta pelo título.

    “A meio da subida, o carro desligou-se do nada e nunca mais pegou. São corridas…”, lamenta, num abandono que pesou fortemente nas contas finais.

    Tudo ficou então adiado para a Rampa da Arrábida, onde Gonçalo chegou em igualdade pontual com o principal rival, Pedro Alves. A equação era simples: quem vencesse seria Campeão Nacional. Durante todo o fim de semana, o piloto foi consistentemente o mais rápido em pista, mas, mais uma vez, a última subida revelou-se ingrata. Décimas de segundo afastaram-no do título, numa decisão resolvida nos detalhes.

    No balanço final, Gonçalo Inácio faz uma análise desportivamente lúcida e frontal: “Posso dizer que fui um jogador de futebol com uma má finalização.” A velocidade esteve sempre presente, o andamento nunca foi posto em causa, mas a montanha, como poucas modalidades, não perdoa erros nem azares.

    O piloto faz questão de destacar o papel da LOB Motorsport, sublinhando o profissionalismo, a dedicação e o espírito competitivo de toda a estrutura: “Foi um orgulho fazer parte de uma equipa que queria vencer tanto ou mais do que eu.” Aos parceiros que acreditaram no projeto, JMM, Ducati Leiria, Diatosta, Grupo Segurança Máxima, Perfilcapital, BP Évora, Stand Manobra Máxima, Optusângulo, Ambicare, Novum Canal, Restaurante À Mesa, Q&F Lda. e WildTT, deixa um agradecimento claro e sentido.

    Quanto a 2026, a ambição mantém-se intacta: “A vontade é repetir o campeonato e lutar pelo título. As negociações não estão fáceis, mas veremos o que o próximo ano nos reserva.”

  • Nuno Guimarães Jr.: Garra, Talento e ADN de campeão

    Nuno Guimarães Jr.: Garra, Talento e ADN de campeão

    A temporada de 2025 representou muito mais do que um título para Nuno Guimarães Jr. Representou o primeiro grande capítulo de uma carreira que se adivinha longa e promissora.

    O jovem talento duriense, filho de Nuno Guimarães, o consagrado “Capitão da Montanha”, foi a grande figura da 2.ª edição do FPAK Júnior de Montanha, conquistando o título com números impressionantes: seis vitórias em sete provas disputadas. Mais do que a supremacia estatística, ficou a imagem de um piloto em permanente evolução, capaz de aprender rapidamente e de assumir responsabilidades em pista com uma maturidade pouco comum para a sua idade.

    Um sonho que começou antes da primeira subida

    A origem deste projeto remonta ainda a 2024, logo após a Gala da FPAK. Foi nesse momento que, entre conversas e reflexões, nasceu a ideia de tentar uma candidatura ao FPAK Júnior Team de Montanha para a época seguinte. A decisão não foi tomada de ânimo leve. Houve tempo para amadurecer a ideia, tratar da burocracia necessária e perceber se aquele seria, de facto, o caminho certo: “Depois da gala da FPAK surgiu a ideia de, em 2025, nos candidatarmos ao FPAK Júnior Team. Quando conseguimos entrar, mesmo antes da época começar, já sentia que parte do meu sonho estava realizado.”

    Esse sonho tinha uma condição clara e emocionalmente forte: começar a correr cedo, mas com o pai sempre por perto: “Sempre disse ao meu pai que, aos 16 anos, gostava de começar a correr. Mas queria que ele estivesse ao meu lado, porque foi graças a ele que nasceu este amor pelas corridas.”

    Murça: o primeiro triunfo que marca uma vida

    A estreia no campeonato não poderia ter sido mais simbólica. Logo na Rampa Porca de Murça, Nuno Guimarães Jr. alcançou a sua primeira vitória absoluta numa prova oficial de montanha. Um momento que ficará para sempre gravado na sua memória e que marcou o verdadeiro início da sua afirmação como piloto: “Essa prova nunca vou esquecer. Foi a minha primeira corrida e consegui sair de lá no lugar mais alto do pódio. É uma sensação muito difícil de explicar, mas que fica connosco para sempre.”

    Esse resultado não foi um acaso isolado. Pelo contrário, foi o ponto de partida para uma época em crescendo, onde cada rampa serviu como mais uma oportunidade de aprender, corrigir erros e evoluir.

    À medida que a época avançava, os resultados confirmavam aquilo que se via em pista: um jovem piloto a ganhar confiança, a entender melhor o carro e a adaptar-se a traçados distintos com naturalidade. Mas, para Nuno Guimarães Jr., o verdadeiro ganho foi tudo aquilo que aprendeu fora do cronómetro: “Daí para a frente foi sempre a melhorar. Os resultados são importantes, claro, mas o mais importante foi tudo o que aprendi ao longo da época.”

    Grande parte desse crescimento deveu-se ao ambiente encontrado na Befast Motorsport, estrutura que acolheu o jovem piloto e lhe deu as ferramentas necessárias para evoluir: “Foi graças à Befast que consegui aprender, evoluir e crescer neste mundo das corridas.”

    Dentro da equipa, houve figuras determinantes. O piloto faz questão de destacar o trabalho incansável de Filipe Barbosa, o responsável máximo da estrutura, e do engenheiro Miguel Cunha, que acompanhou o projeto de forma próxima e constante: “O Filipe Barbosa foi incansável durante toda a época. O engenheiro Miguel Cunha ensinou-me praticamente tudo o que sei hoje. E houve ainda muitas pessoas nos bastidores que estiveram sempre prontas a ajudar.” A ligação criada foi tão forte que deixou uma convicção clara no final do ano: “Saí de Setúbal com a certeza de que é na Befast que quero continuar.”

    Apesar do brilho individual, Nuno Guimarães Jr. nunca esquece que um título é sempre um trabalho coletivo. Patrocinadores, equipa e, sobretudo, família foram pilares constantes ao longo da época: “Sem os meus patrocinadores Município de Peso da Régua, Tomeifel, Transprest, M.M Peças, Francisco Carvalho, Farmácia da Ponte, Azul Pastel, Rampa de Santa Marta, A Tendinha Guest House, Oliveira imobiliária, NF Car e Comprauto, nada disto teria sido possível. Eles ajudaram-me a construir este sonho.”

    Mas o agradecimento mais emotivo é reservado à família, presença constante nos momentos bons e nos mais difíceis: “Foram o meu maior apoio durante toda a época. Um campeão nunca corre sozinho.”

    2026: continuar a crescer, com mais ambição e o mesmo espírito

    Com o título de 2025 conquistado, o foco já está colocado no futuro. Em 2026, Nuno Guimarães Jr. vai dar continuidade ao seu percurso no Campeonato de Portugal de Montanha JC Group, agora com um carro mais competitivo e objetivos ajustados à nova realidade.

    “A ideia é continuar esta carreira. Vamos para mais um ano de Montanha, desta vez com um carro mais competitivo. Queremos continuar a aprender, evoluir ao longo do campeonato e, acima de tudo, divertir-nos, porque isso é o mais importante.”

    Nuno Guimarães Jr. mostrou em 2025 que talento e números são apenas parte da equação. O resto constrói-se com trabalho, humildade, pessoas certas ao lado e a capacidade de aprender todos os dias. Filho do Capitão da Montanha, começa agora a escrever a sua própria história: com identidade própria, mas com a mesma paixão que sempre definiu o apelido Guimarães.

  • Bárbara Barros: a terceira geração dum clã que ama competição

    Bárbara Barros: a terceira geração dum clã que ama competição

    A trajetória da jovem Bárbara Barros ganha cada vez mais destaque no panorama do automobilismo nacional. Herdeira de uma linhagem ímpar – neta de António Barros, o patriarca que iniciou a saga competitiva da família, e filha de António Barros, bicampeão Legends de Montanha – a piloto representa hoje a terceira geração do clã Barros, um nome que há décadas deixa marca profunda no desporto motorizado português.

    A estreia de Bárbara aconteceu num dos momentos mais atípicos da história recente: o ano da pandemia. As pistas estavam silenciosas, o país vivia incertezas, mas o sonho nunca foi adiado: “A minha paixão pelo desporto automóvel vem de família. Tenho a sorte de ter dois Campeões na família, o meu pai e o meu avô, e isso só me dá mais vontade de crescer, de aprender e, um dia, conseguir ser ‘um Barros’ por mérito próprio”, afirma a jovem nortenha.

    Foi numa simples conversa que tudo começou. O pai, percebendo que o momento podia ser decisivo, perguntou-lhe: “Será este o momento certo?”. A resposta veio na forma de coragem. Sem grande tempo para pensar, encontrava-se na linha de partida ao volante de um modesto, mas memorável Fiat Uno 45S da MNE Sport. Era a sua primeira experiência como piloto na montanha e a primeira vez que enfrentava a adrenalina das subidas, os receios naturais e o magnetismo próprio da modalidade.

    “Quando dei por mim, já estava em prova. O sonho era tão grande que apagou todos os medos. Diverti-me imenso e vivi um fim de semana fantástico com pessoas que nunca esquecerei.”

    O plano inicial era simples: seria apenas uma prova. Mas a montanha raramente deixa quem a experimenta pela primeira vez sair incólume. O “bichinho” ficou. Ainda nesse ano voltou à competição, desta vez na Rampa do Caramulo, novamente no Uno, onde mostrou evolução constante subida após subida.

    Em 2022, já com maior confiança, regressou ao Caramulo num Peugeot 106 preparado pela MNE Sport, um carro mais competitivo e capaz. A experiência intensificou-lhe a vontade de evoluir: “Foi a primeira vez que senti o que era conduzir um carro verdadeiramente preparado para correr. A adrenalina foi incrível.”

    Mas seria em 2023 que daria um salto significativo, ao estrear o seu atual carro: o Fiat Bravo TD 100 GT, preparado pela Auto Mapusi: “Era o carro dos meus sonhos. Muito competitivo, muito equilibrado. Proporcionou-me um fim de semana fantástico e a sensação plena de estar realmente a ‘pilotar’. Agradeço ao Mário Silva e ao Albertino Silva por todo o empenho”. A ligação ao carro e à equipa consolidou a sua identidade enquanto piloto.

    2024: a emoção de partilhar pista com o pai e o desafio de Boticas

    O ano de 2024 trouxe um dos momentos mais emotivos da sua jovem carreira: partilhar pista com o pai na Rampa da Penha.

    “Foi um fim de semana intenso, difícil de gerir. Sabia que ele vinha logo atrás de mim. A responsabilidade era enorme. Mas também senti muito orgulho por estarmos os dois na nossa rampa de casa.”

    O fim de semana ficou marcado por um grande susto: o violento acidente do pai na subida de sábado. A ausência dele na meta foi um dos momentos mais angustiantes que a piloto enfrentou. Apesar disso, e demonstrando uma resiliência notável, Bárbara completou a prova com uma evolução constante.

    Depois da Penha, sentia que a época estava incompleta. Queria mais quilómetros, mais experiência, mais desafios. Com o apoio dos patrocinadores, alinhou então na Rampa de Boticas 2024, uma das mais exigentes do calendário: “Boticas exigiu tudo de mim. É rápida, técnica e intimidadora. Passei o fim de semana a superar medos, mas saí de lá muito mais forte.”

    2025: maturidade crescente e a melhor prova da carreira

    Em 2025, voltou a marcar presença em diversas provas do Campeonato Nacional Legends de Montanha JC Group, experiências curtas, mas que revelaram evolução consistente. E mais uma vez, partilhar pista com o pai reforçou a ligação familiar que tem encantado a comunidade da montanha.

    A época começou de novo na Penha, sob ameaça constante de chuva, o seu maior desconforto. Mas todas as subidas decorreram a seco. No sábado, viveu novo sobressalto com outro acidente do pai: “É difícil explicar o que se sente. Mas, mesmo com tudo isso, mantive o foco e consegui completar a prova.”

    A Rampa de Paços de Ferreira trouxe estreia em traçado novo, exigindo concentração absoluta e grande trabalho de reconhecimento, desafios que Bárbara soube transformar em evolução.

    A melhor atuação da temporada surgiria novamente em Boticas 2025. Determinada a melhorar, tirou dias para estudar o percurso, contou com apoio técnico e psicológico do seu “professor de casa” e mostrou a prova mais sólida da carreira: ”Foi, sem dúvida, a minha melhor prova. Senti-me segura, competitiva e focada. Subida após subida, evoluí. Foi um fim de semana que me marcou.”

    Bárbara faz questão de agradecer àqueles que tornam o sonho possível: família, amigos, equipa técnica e patrocinadores: “Nada disto aconteceria sem eles. A minha gratidão é enorme pela Auto Mapusi, pelo Pereira Group, Tintas 200, Clínica Beco com Saída, Hello Hello, By Manuela Carvalho, A Frutaria do Bruno, Clave de Sol, Stand Couto Car, STSAUTO, Restaurante Sei Lá Tapas, Porto Clássico, Vinte e Oito, Casinhas do Campo… e todos os que estão sempre comigo.”

    E há um agradecimento especial, dito com emoção: “Obrigada aos meus companheiros dos Legends e, sobretudo, ao nosso bicampeão. Obrigada, pai, por acreditares em mim.”

    2026: o primeiro grande objetivo

    A decisão está tomada e o foco está definido: “2026 será o ano de fazer o Campeonato Nacional de Legends de Montanha a 100%. “Estamos a trabalhar para isso. Quero fazer a temporada completa e mostrar o meu verdadeiro potencial.”

    A terceira geração do clã Barros acelera rumo ao futuro. Com respeito pelo passado, segurança no presente e a promessa clara de que ainda há muito para conquistar.

  • Candidaturas ao FPAK Júnior Team 2026 na Montanha

    Candidaturas ao FPAK Júnior Team 2026 na Montanha

    A FPAK abriu oficialmente o processo de seleção para jovens pilotos que pretendam integrar o programa Júnior Team na Montanha em 2026, uma oportunidade única de competir ao mais alto nível nacional e desenvolver talento em ambiente profissional.

    A Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting anunciou a abertura das candidaturas para o FPAK Júnior Team na Montanha 2026, convidando todos os interessados a enviarem o seu currículo desportivo até 31 de janeiro de 2026, através do e-mail comunicacao@fpak.pt.

    . Podem candidatar-se pilotos com licença desportiva FPAK que, durante o ano de 2026, tenham entre 16 e 25 anos, provenientes de qualquer modalidade de automobilismo ou karting. Será dada preferência a uma piloto feminina, sendo o currículo desportivo dos últimos três anos um dos principais critérios de avaliação, juntamente com o compromisso de participação em todas as provas previstas no programa.

    Ficam excluídos os pilotos que já tenham tido Licenças Internacionais de Automobilismo, que tenham disputado provas FIA ou competições internacionais, ou que tenham integrado projetos anteriores do FPAK Júnior Team. A FPAK sublinha que a seleção final terá em conta o potencial de evolução, a capacidade de comunicação e a ética desportiva dos candidatos, reservando-se o direito de escolher os perfis que considere mais ajustados aos objetivos do projeto.

    No total, serão selecionados três jovens pilotos, que irão disputar as sete provas do Campeonato de Portugal de Montanha JC Group 2026 aos comandos de um Peugeot 208 preparado pela Befast Motorsport. Aos pilotos caberá suportar o custo fixo por prova, bem como o valor dos pneus, o seguro e a caução respetiva. Estes valores, assim como o regulamento final, serão comunicados oportunamente.

  • António Barros: o bicampeão que fez da coragem a sua maior arma na montanha

    António Barros: o bicampeão que fez da coragem a sua maior arma na montanha

    Há épocas que se conquistam com carros perfeitos, outras com estratégia. A época de 2025 de António Barros, no Campeonato de Portugal Legends de Montanha JC Group, foi ganha com algo mais raro e mais valioso: fibra humana.

    Ao volante do seu inconfundível BMW M3, o piloto nortenho tornou-se Bicampeão Nacional, num ano em que tudo, à exceção da sua vontade, parecia conspirar contra ele. Seis vitórias, uma sequência de contratempos quase inacreditável e um dos regressos mais emocionantes da época: assim se escreve a história de um piloto que nunca desiste.

    Murça: a primeira batalha e o primeiro aviso

    A temporada abriu em Murça, um traçado técnico, rápido e sempre temperamental. As condições atmosféricas foram tão severas quanto imprevisíveis. Chuva, vento e piso escorregadio transformaram cada curva num teste à concentração. E foi precisamente com concentração que António Barros venceu. Mais do que a vitória, ficou um sinal à concorrência: o 5.º lugar absoluto na 1.ª subida de prova, um momento de puro brilhantismo.

    A Penha é, assumidamente, a prova favorita do piloto. E foi lá que viveu um dos episódios mais marcantes da época e da sua carreira. Na última curva da 1.ª subida de prova, sofreu um acidente violentíssimo. Uma pancada dura, um carro muito danificado e um silêncio pesado ao longo da rampa inteira.

    Para muitos pilotos, aquele momento marcaria o fim do fim de semana. Para António Barros, foi o início de algo ainda maior. Num esforço coletivo quase comovente, amigos, equipa, mecânicos e até espetadores transformaram a noite numa oficina improvisada.

    “Só com a minha paixão é que não desisti”, recorda o piloto. No domingo, com um carro remendado, sem estar em condições ideais, voltou à pista… e venceu. O público, que vibrou com a sua coragem, viveu um dos momentos humanos da temporada.

    A Falperra seria a prova da força física. Literalmente. O BMW M3 voltou a responder mal à dureza do campeonato e perdeu direção assistida. “Manobrar um carro daqueles, naquela rampa, naquela velocidade, sem apoio do sistema hidráulico… é quase sobre-humano”, recorda. Ainda assim, e apesar de condições meteorológicas novamente extremas, António Barros voltou a vencer. Uma vitória arrancada com esforço, técnica e uma tenacidade que poucos conseguem compreender.

    Depois do inferno das provas anteriores, a Serra da Estrela quase pareceu suave. “Talvez a rampa mais fácil do campeonato”, resumiu. A facilidade, claro, é relativa quando se fala de montanha, mas com tudo finalmente a funcionar, assinou a quarta vitória da época.

    Santa Marta, quando tudo volta a falhar… e Barros volta a ganhar!

    Santa Marta é “especial para todos os que lá passam, pela organização, pela energia do público, pela sensação de família”, relembra. Mas para Barros, a edição de 2025 foi mais um teste à resistência. Na primeira subida de prova: a caixa de velocidades partiu. E mais uma vez surgiram as mãos amigas do paddock: Horst Baptista e Ricardo Pereira emprestaram uma caixa… que acabou por ser de um carro a gasóleo. O escalonamento era impossível, o setor útil praticamente inutilizado. Mesmo assim, com total concentração, venceu pela quinta vez na temporada!

    Uma nova caixa emprestada permitiu alinhar na Rampa do Caramulo, desafio seguinte do campeonato.… mas só depois de chegar ao evento é que descobriu que não tinha 2.ª velocidade. Num traçado técnico, repleto de mudanças de ritmo, era meio caminho para o desastre. Mas não para António Barros. “Foi uma prova de grande concentração”, admite e foi mais uma vitória, a sexta consecutiva que o colocou às portas da renovação do título de campeão.

    Boticas: quando o 2.º lugar vale ouro

    Com a caixa definitiva ainda por reparar, surgiu na Rampa de Boticas uma terceira caixa improvisada, que não aguentava o torque do BMW. Sempre que acelerava a fundo, a velocidade saltava fora. Tornava-se impossível lutar pela vitória. E foi ali que se confirmou a grandeza do piloto: soube gerir, soube ler o campeonato, soube levar o carro até ao fim. O 2.º lugar em Boticas selou o bicampeonato, numa época “dura, imprevisível e emocionalmente intensa”.

    Foi vencida não pelo carro, mas pelo piloto. Pelas pessoas à sua volta. Pela comunidade que o ajudou a reconstruir o BMW M3, física e simbolicamente, várias vezes ao longo do ano.

    “Quero agradecer à família, aos amigos, à minha equipa técnica e aos meus patrocinadores. E uma palavra especial aos meus adversários diretos, Filipe Macedo, Telmo Costa e Miguel Gonçalves, que me obrigaram a elevar o meu nível. Este título também é deles.”

    António Barros encerra 2025 como uma das figuras maiores da Montanha. Um campeão que vence tanto com talento, garra e perseverança, provando que a força de continuar, mesmo quando tudo falha, vale mais do que qualquer tempo no cronómetro!

  • Flávio Sainhas: o tricampeão da Covilhã que fez da Montanha o seu território

    Flávio Sainhas: o tricampeão da Covilhã que fez da Montanha o seu território

    O Campeonato de Portugal de Montanha JC Group 2025 voltou a consagrar um nome incontornável entre os Clássicos: Flávio Sainhas, piloto covilhanense que conquistou o título de Tricampeão Nacional de Clássicos de Montanha, ao volante do seu inconfundível Ford Escort MK1 RS2000.

    Uma época marcada por condições adversas, desafios mecânicos e momentos de pura emoção, culminou numa consagração mais do que merecida.

    Rampa a rampa, a força da consistência

    A temporada começou em Murça, um traçado técnico e exigente, com tempo instável e forte concorrência. “Gosto muito desta rampa. Apesar das dificuldades meteorológicas, conseguimos um 2.º lugar no pódio, que valeu como 1.º em pontos para o campeonato.” Seguiu-se a Penha, novamente com chuva e piso difícil. “Foi mais uma prova complicada, mas optámos por não arriscar. Fechámos em 2.º lugar, sem contratempos.”

    Na Falperra, o desafio foi outro. “Todos os anos prometo não voltar…”, confessa entre risos. “As falhas organizativas e a diferença de tratamento entre pilotos tornam esta prova desgastante. Ainda assim, enfrentámos um tempo instável e conseguimos um 4.º lugar — 3.º em pontos.”

    A Serra da Estrela, “a rampa de casa”, foi um dos pontos altos do ano. “O que sinto em cada subida é indescritível. Ouvir o público, ver rostos conhecidos, sentir aquele apoio é algo que não tem preço.” O momento teve ainda mais significado por marcar a estreia do primo e preparador Miguel Sainhas como piloto. “Partilhar o pódio com ele logo na primeira subida foi um orgulho enorme.” Apesar da emoção, a falta de pneus condicionou o resultado: 2.º lugar.

    Em Santa Marta, uma das provas preferidas da equipa, os problemas mecânicos voltaram a aparecer. “Fizemos a prova toda com uma roda travada. Mesmo assim, terminámos em 3.º, 2.º em pontos para o campeonato. A organização foi, como sempre, exemplar.” O Caramulo trouxe o renascimento competitivo. “Fomos determinados a ganhar. Tínhamos o carro no ponto e quatro pneus novos. Gosto muito do traçado e conseguimos o 1.º lugar, sem contratempos.”

    Finalmente, em Boticas, tudo se decidiu. “Precisávamos de um grande resultado para sonhar com o título. A prova correu na perfeição e, sem esperarmos, conseguimos os pontos necessários para garantir o tricampeonato logo ali.” A Arrábida foi pura celebração: “O título já estava garantido, mas quisemos festejar com a ‘família da montanha’. Foi uma prova para desfrutar e terminámos em 2.º, com o sentimento de dever cumprido.”

    Um título com significado especial

    “Este título de Tricampeão Nacional teve um sabor muito especial”, admite Flávio Sainhas. “Nem sempre as coisas correram como esperava. As corridas são feitas de altos e baixos, e esta época foi um exemplo disso. Mas chegar ao fim do campeonato e vencer é a prova de que, com esforço, resiliência e fair play, tudo é possível.”

    Mais do que números, este título representa a consolidação de uma carreira feita de trabalho, humildade e paixão. “As vitórias passam, mas o respeito pelos adversários e a amizade que encontramos na montanha ficam para sempre.”

    Para o próximo ano, o futuro está em aberto. “Os planos ainda não estão definidos. Quero mudar de carro e de categoria, sinto que já fiz tudo o que podia com este Escort. Se não surgir a oportunidade certa, faremos apenas as provas que mais gostamos e logo veremos o que o futuro nos reserva.”

    O tricampeão não esquece quem o acompanha nesta jornada: “Sou muito grato a todos os meus apoiantes, sponsors e à equipa pelo apoio incondicional. Sem eles, nada disto seria possível. A A. Sainhas Racing Team e os parceiros — A. Sainhas – Comércio e Reparações Auto, Câmara Municipal da Covilhã, M. Xavier da Costa Lda, Tabacaria Express, Sildicons, Padarias Dias, Creat Business by JF Peças, Tacofrota Lda, Junta de Freguesia de Orjais, Graph&Co Design de Comunicação, FUCHS Lubrificantes Portugal, Oficina Manuel Gonçalves Sainhas, Auto Dionísio e Correntes de Luz, são parte essencial deste sucesso. Dedico-lhes todas as vitórias e títulos. Este tricampeonato é tanto deles como meu.”

    Uma carreira forjada na montanha

    A paixão pelas corridas nasceu cedo. “Comecei aos 18 anos, em autocross, com um Ford Escort RS1600 que eu próprio preparei, o eterno ‘laranjinha’.” Em 2014, herdou o Ford Escort MK1 RS2000 com que o pai foi campeão em 2008. “A partir daí, passei a competir regularmente no Campeonato de Portugal de Clássicos de Montanha.”

    Em 2017, disputou pela primeira vez o campeonato completo, conquistando o título de Vice-Campeão Nacional, feito que repetiu em 2018. Depois de várias evoluções no carro, chegou o momento alto: Campeão Nacional em 2023, bicampeão em 2024 e agora tricampeão em 2025.

    Flávio Sainhas é hoje um dos nomes de referência dos Clássicos de Montanha. Da Covilhã para o topo do país, fez da resiliência e da consistência a sua marca pessoal. Três títulos depois, continua a acelerar com a mesma paixão de sempre, porque, para ele, a montanha não é apenas um campeonato: é a sua segunda casa.

  • José Salgado: o vimaranense que transformou a persistência num título nacional

    José Salgado: o vimaranense que transformou a persistência num título nacional

    Piloto vimaranense conquistou o cetro reservado aos 1300 no Campeonato de Portugal de Montanha JC Group, após cinco vitórias consecutivas e consagração no Caramulo.

    A época começou com um 2.º lugar, mas a partir daí José Salgado entrou num ritmo vitorioso difícil de igualar. As vitórias nas rampas da Penha, Falperra, Serra da Estrela, Santa Marta e Caramulo selaram uma caminhada perfeita, culminando na consagração como Campeão Nacional de Montanha 1300 JC Group 2025.

    A 34.ª edição da Rampa do Caramulo foi o ponto alto de uma temporada de sonho. Apesar de partir como favorito, graças ao desempenho do seu Toyota Starlet — um carro já consagrado, com três títulos conquistados pelo preparador Armando Freitas —, a prova foi tudo menos fácil.

    “Na primeira subida, o Aníbal Rolo surpreendeu e eu cometi um erro, um pião que me fez perder muito tempo no sábado”, recorda José Salgado. Mas no domingo, o piloto vimaranense mostrou toda a sua garra e frieza competitiva: venceu as duas subidas que contavam para a classificação e garantiu definitivamente o título nacional. “Foi um fim de semana de emoções fortes. A responsabilidade era grande, mas a equipa deu-me um carro perfeito e conseguimos alcançar o objetivo.”

    Uma carreira construída com paixão

    A história de José Salgado nas corridas começou há mais de três décadas.

    “Tudo começou em 1990, quando participei como navegador num Rali de Iniciados, ao lado do meu primo Albano Miranda num Renault 11 Turbo”, recorda. Mas o “bichinho” das corridas já vinha de trás, dos tempos em que acompanhava o amigo José Varela no Ralicross. Depois de várias tentativas para competir ao volante e até um projeto falhado com um Renault 5 Turbo, o destino voltaria a sorrir-lhe em 2006, quando regressou aos ralis, novamente com o Renault 5 Turbo, agora como navegador no Campeonato Open de Ralis.

    “Fizemos meia época para ganhar ritmo, e no ano seguinte conquistámos o 3.º lugar à geral. Em 2008 fomos campeões nacionais de Clássicos. Foi um período marcante da minha vida.”

    Do Mini ao Toyota: o regresso à montanha

    Depois de alguns anos afastado, José Salgado voltou ao volante em 2019, com um Mini R52 JCW, destinado inicialmente a track days.

    “Mas o gosto pelas corridas falou mais alto. Comecei a acompanhar o meu amigo Miguel Gonçalves nas rampas e rapidamente quis experimentar também.”

    A estreia aconteceu em 2021, na Rampa da Penha, ao volante de um VW Polo emprestado pelo mecânico, “um castigo que acabou em recompensa”, brinca, já que terminou 3.º à geral no regional. No final da época estreou finalmente o Mini, mas um acidente em Boticas obrigou-o a desistir. As épocas seguintes (2022 e 2023) serviram para evoluir o carro e conhecer as rampas, embora vários problemas mecânicos, sobretudo de caixa, tenham dificultado a caminhada.

    “Em 2024, na Arrábida, parti a caixa logo na primeira subida. Fiz cem metros e parei. Pensei em desistir das rampas.”

    Mas dois nomes o fizeram mudar de ideias: Armando Freitas e Miguel Gonçalves: “Convenceram-me a continuar. A rampa seguinte era a da nossa casa, a Penha, e o Armando preparou um novo desafio: um Toyota Yaris. O carro estava excelente, e foi amor à primeira curva. Terminei em 5.º lugar à geral e percebi que ainda havia muito para dar.”

    O Starlet e o sonho concretizado

    A ligação com Armando Freitas, um dos mais respeitados preparadores nacionais, seria determinante: “Quando o Armando se sagrou campeão nacional de Montanha 1300 em 2024 e decidiu não fazer as duas últimas rampas, deu-me a oportunidade de correr com o seu Toyota Starlet, tricampeão nacional. Foi um desafio enorme, mas não hesitei.”

    Duas rampas, duas vitórias e a confirmação de que algo grande se estava a construir: “Gostei tanto do carro que foi com ele que iniciei 2025. O resto é história: cinco vitórias consecutivas e o título nacional.”

    No Caramulo, após a vitória e o título confirmados, a emoção tomou conta da equipa: “Foi uma festa linda, uma sensação difícil de descrever. Quando olho para trás e vejo tudo o que aconteceu desde aquele Renault 11 Turbo até este momento, sinto que valeu a pena cada esforço.”

    José Salgado fez questão de agradecer a todos os que o acompanharam nesta jornada: “A minha equipa, a minha família, os patrocinadores — Texal Sport, Donair Portugal e Armando Sport — e todos os que acreditaram em mim. Este título também é deles.”

    Para 2026, o plano é simples: “Espero voltar à montanha com o Mini R52 JCW. Continuo apaixonado por este desporto e ainda tenho muito para viver ao volante.”

    José Salgado, campeão nacional da categoria 1300 em 2025, é o retrato da perseverança que define a Montanha portuguesa. Da navegação em ralis ao topo dos pódios, construiu uma carreira feita de paixão, resiliência e fé na equipa. E se há algo que a sua história ensina é que, na montanha, quem não desiste acaba sempre por chegar ao topo.