Autor: Joaquim Amândio Santos

  • Castrol Portugal Rally Series 2026 abre temporada junto ao Rio Tejo, em Vila Velha de Ródão

    Castrol Portugal Rally Series 2026 abre temporada junto ao Rio Tejo, em Vila Velha de Ródão

    A temporada 2026 do Castrol Portugal Rally Series arranca de forma especial, com o Rally Series Terras de Oiro como prova inaugural, disputada em asfalto nos dias 21 e 22 de março. A competição marca o regresso de uma prova mítica dos ralis nacionais, agora totalmente centrada em Vila Velha de Ródão, num cenário único junto ao Rio Tejo, prometendo uma abertura de época com forte impacto mediático.

    Integrada num calendário de seis rondas ao longo de 2026, esta primeira prova da temporada aposta num formato moderno, com uma arena centralizada junto ao rio, complementada por duas classificativas exteriores disputadas nas exigentes e espetaculares estradas de asfalto da região. A localização estratégica de Vila Velha de Ródão — a cerca de uma hora de Leiria e 45 minutos de Portalegre, com excelentes acessos rodoviários — surge como um fator determinante para facilitar a presença de equipas, público e parceiros.

    Segundo o Diretor-Geral do Rally Series Promoter, André Lavadinho, a escolha do local para abrir a época teve um forte significado estratégico. “Queríamos que a primeira prova de 2026 fosse diferente, marcante e com identidade própria. Encontrámos junto ao Rio Tejo um cenário único e uma vila com todas as condições para receber um evento próximo do público e com enorme potencial mediático”, sublinha o responsável, acrescentando que se trata “do regresso de uma prova mítica, agora integrada num conceito moderno e pensado para o futuro dos ralis”.

    A organização do Rally Series Terras de Oiro está a cargo da Escuderia de Castelo Branco, entidade que, de acordo com o seu presidente, João Lucas, acredita plenamente no formato e na evolução do Rally Series. “É com enorme satisfação que assumimos a organização desta prova tão especial. Trabalhámos em conjunto com o Rally Series desde o seu início, acreditando sempre neste formato inovador e muito interessante para o futuro dos ralis, para criar um evento compacto, seguro e altamente atrativo, honrando a história da prova e projetando-a para uma nova geração”, afirma.

    Também o Município de Vila Velha de Ródão vê neste evento uma oportunidade estratégica de promoção do território. O presidente da Câmara Municipal, António Carmona, destaca que “receber a prova de abertura do Castrol Portugal Rally Series é motivo de grande orgulho para o Município, em parceria com a Escuderia de Castelo Branco”, sublinhando que o rali “representa uma oportunidade única de promoção da nossa vila, do Rio Tejo e da dinâmica local, atraindo público, equipas e atenção mediática a nível nacional”.

    Mais informações sobre o calendário completo de 2026 e os planos oficiais da temporada do Castrol Portugal Rally Series serão reveladas no próximo dia 10 de janeiro, durante a Rally Series Awards, evento que terá lugar no Museu do Rali. A cerimónia marcará não só a entrega de prémios da época anterior, mas também o arranque simbólico de uma nova fase da série, reforçando a sua ambição de crescimento e inovação.

  • Maria Luís Gameiro sobe 11 posições nos Ultimate e reforça solidez na etapa maratona do Dakar 2026

    Maria Luís Gameiro sobe 11 posições nos Ultimate e reforça solidez na etapa maratona do Dakar 2026

    Pilota portuguesa conclui a primeira metade da maratona no Top 40 da geral, com recuperação forte e sem problemas mecânicos

    Maria Luís Gameiro concluiu esta quarta-feira a Etapa 4 do Dakar Rally 2026 com uma prestação claramente positiva. Navegada por Rosa Romero, a pilota portuguesa terminou a primeira metade da etapa maratona na 42.ª posição, resultado que lhe permitiu subir 11 lugares na classificação geral, ocupando agora o 40.º posto entre os Ultimate.

    Num dia marcado por 452 quilómetros cronometrados e pelas exigências específicas de uma etapa maratona — onde não existe assistência externa e a fiabilidade mecânica é decisiva — Maria Luís adotou uma abordagem inteligente e consistente. O início da jornada foi pautado por um ritmo seguro e regular, que lhe permitiu rodar nos Top 40 nos primeiros quilómetros, evidenciando uma boa adaptação ao terreno e ao seu MINI.

    A meio da etapa, a dupla enfrentou maiores dificuldades, sobretudo devido ao pó intenso, que condicionou fortemente a visibilidade e obrigou a uma gestão mais conservadora do andamento. Ainda assim, no último terço do setor seletivo, Maria Luís protagonizou uma excelente recuperação, voltando a ganhar tempo e fechando o dia com um resultado muito sólido.

    A importância da etapa foi reforçada pelo facto de a dupla ter chegado ao bivouac sem problemas mecânicos relevantes, com o carro em boas condições e com a confiança intacta para a segunda parte da maratona. Pelo caminho, Maria Luís voltou ainda a demonstrar espírito de equipa, ao parar para auxiliar Guillaume De Mévius, fornecendo óleo de embraiagem ao companheiro da X-Raid.

    Completar a primeira metade da maratona é sempre um marco num Dakar. A progressão na classificação geral reflete não apenas o desempenho do dia, mas também a consistência acumulada ao longo das primeiras quatro etapas de uma das provas mais duras do desporto motorizado mundial.

    Apesar das dificuldades, Maria Luís mostrou-se satisfeita com o resultado, com o ritmo evidenciado e, sobretudo, com o facto de ter evitado furos e problemas mecânicos, garantindo que o carro está preparado para a segunda metade da maratona:

    “Esta etapa correu-nos muito bem. Conseguimos recuperar algumas posições e mostrar um bom ritmo, sem arriscar em demasia e, acima de tudo, sem danificarmos o nosso MINI. Foi uma etapa muito dura, em que sofremos bastante com o pó. Fizemos cerca de 180 km praticamente sempre sem visibilidade, o que foi muito difícil. Ainda assim, conseguimos ultrapassar mais essa adversidade. Parámos também para ajudar o Guillaume, que voltou a ter um problema, e ainda tivemos um pequeno percalço de navegação, mas conseguimos rapidamente reencontrar o caminho. O resultado deixa-nos satisfeitas, mas o mais importante foi termos superado todas as dificuldades e termos o carro pronto para a segunda metade da etapa maratona.”

    Esta quinta-feira, 8 de janeiro, Maria Luís Gameiro e Rosa Romero enfrentam a Etapa 5, segunda e última parte da maratona, com 356 quilómetros cronometrados no percurso entre o bivouac-refúgio e Hail, onde a equipa as espera novamente. O traçado será, em termos gerais, mais rápido, mas atravessa zonas rochosas exigentes, com sucessivas mudanças de direção e a navegação novamente em destaque. Chegar a Hail representa muito mais do que um simples final de etapa: significa segurança, assistência técnica e a oportunidade de recuperar totalmente após dois dias isoladas no deserto.

  • Bruno Santos entra no Top 10 do Rally 2 no Dakar 2026 e sobe ao Top 20 da geral

    Bruno Santos entra no Top 10 do Rally 2 no Dakar 2026 e sobe ao Top 20 da geral

    Bruno Santos continua a destacar-se no Dakar Rally 2026, ao alcançar esta quarta-feira um notável 8.º lugar na classificação Rally 2, resultado que lhe permitiu subir duas posições e entrar no Top 10 da categoria. O piloto de Torres Vedras melhorou igualmente a sua prestação na classificação geral absoluta, onde ascendeu ao Top 20.

    Depois da excelente exibição na 3.ª etapa, Bruno Santos voltou a mostrar consistência e rapidez na primeira parte da etapa maratona, disputada ao longo de 451 quilómetros cronometrados, numa jornada particularmente exigente para homens e máquinas. Inscrito pela Frutas Patrícia Pilar, o piloto português confirmou a boa forma e a capacidade de gestão num dos momentos mais duros da prova.

    Por se tratar de uma etapa maratona, os concorrentes encontram-se totalmente isolados, sem qualquer contacto com as equipas. A noite será passada em pleno deserto, cabendo exclusivamente aos próprios pilotos a manutenção e reparação das suas motos, sem qualquer tipo de assistência externa.

    Na quinta etapa, correspondente à segunda parte da maratona, a caravana do Dakar prossegue o percurso entre Alula e Hail, com 356 quilómetros cronometrados. O traçado será, em geral, mais rápido, mas exigente, incluindo sucessivas mudanças de direção e várias secções em terreno rochoso, onde a concentração e a resistência continuarão a ser decisivas.

  • Nissan marca presença no Salão Automóvel de Tóquio 2026

    Nissan marca presença no Salão Automóvel de Tóquio 2026

    A Nissan vai estar presente no Salão Automóvel de Tóquio 2026, que decorre de 9 a 11 de janeiro, no recinto do Makuhari Messe, apresentando uma ampla gama de modelos, concept cars e projetos especiais que refletem a identidade desportiva, tecnológica e inovadora da marca.

    Entre os destaques encontra-se a estreia de um NISMO Concept Model, cujos detalhes serão revelados durante a conferência de imprensa da marca, bem como o Fairlady Z renovado, que contará com uma nova versão Z NISMO MT, equipada com caixa manual e orientada para os puristas da condução. Estará também em exposição o X-Trail Rock Creek Multibed Wildplay, uma proposta de vocação aventureira pensada para atividades ao ar livre, e o Nissan LEAF AUTECH, que combina design desportivo com um interior de inspiração premium.

    O evento inclui ainda projetos de forte carga simbólica, como o “Matchy’s March”, um Nissan March restaurado por alunos do Nissan Automobile College, e a presença do MOTUL AUTECH GT-R da temporada de 2016 do Super GT, integrado numa homenagem ao piloto Tsugio Matsuda, que encerrou a sua carreira no final de 2025.

    Com esta participação, a Nissan reforça a sua visão de futuro, aliando desempenho, personalização e sustentabilidade, num dos mais importantes palcos do calendário automóvel internacional.

  • Winter Series regressam à Península Ibérica com automobilismo de topo e forte presença em Portugal

    Winter Series regressam à Península Ibérica com automobilismo de topo e forte presença em Portugal

    As Winter Series voltam a afirmar-se, no primeiro trimestre do ano, como uma das mais relevantes plataformas de automobilismo mundial fora da época regular, levando competição de alto nível a alguns dos circuitos mais emblemáticos da Península Ibérica, incluindo dois em Portugal. Trata-se de uma oportunidade única tanto para o público nacional como para pilotos e equipas portuguesas, que podem competir ou medir forças com algumas das melhores estruturas europeias de cada disciplina.

    Nenhuma outra região do mundo concentra uma densidade tão elevada de circuitos homologados pela FIA, aliada a condições climatéricas particularmente favoráveis durante o Inverno. Ao longo de seis fins de semana de competição, sob organização comercial da Gedlich Racing e organização desportiva da Race Ready, serão disputados cinco campeonatos distintos, quatro dos quais passam por Portugal: GT Winter Series, GT4 Winter Series, Formula Winter Series e Sports Prototypes Winter Series. Está ainda prevista uma prova de resistência de seis horas, reforçando o atrativo desportivo do programa.

    O calendário foi cuidadosamente estruturado para facilitar a logística das equipas. A competição arranca no sul de Portugal, com provas no Autódromo Internacional do Algarve e no Autódromo do Estoril, seguindo depois para Espanha, com eventos em Valência, Motorland Aragón e Barcelona. As corridas decorrem ao fim de semana, ficando quintas e sextas-feiras reservadas a testes privados, permitindo às equipas e pilotos usufruírem de extensos períodos de pista — um dos grandes atrativos das Winter Series.

    GT Winter Series mantém estatuto de referência

    A GT Winter Series, categoria fundadora do projeto, entra em 2026 na sua sétima edição, mantendo-se como a principal referência das competições de inverno. A grelha integra diversas classes e troféus monomarca de GT, com um sistema de pontuação que pondera o nível de competitividade de cada classe, valorizando de forma acrescida os triunfos nos contextos mais exigentes.

    Além dos GT2 e GT3, oriundos de campeonatos como o DTM, GT World Challenge ou International GT Open, participam também viaturas de troféus monomarca, como Ferrari 296 Challenge, Porsche 992 GT3 Cup, McLaren Artura Trophy e Lamborghini Huracán Super Trofeo. Cada fim de semana inclui duas qualificações, duas corridas sprint de 30 minutos e uma corrida de 55 minutos com paragem obrigatória nas boxes.

    GT4 Winter Series consolida-se como plataforma de topo

    Na sua terceira temporada, a GT4 Winter Series afirma-se como um importante palco de preparação para uma categoria em forte crescimento no sul da Europa. A competitividade elevada é assegurada por um Balance of Performance definido pela SRO e pelo fornecimento de pneus Pirelli.

    Cada evento inclui duas corridas sprint de 30 minutos e uma corrida de 60 minutos com paragem nas boxes. O pelotão divide-se pelas classes AM, PRO-AM e PRO, de acordo com a graduação dos pilotos, existindo pontuação por classe e também uma classificação absoluta do campeonato. A grelha integra ainda viaturas GT4 sem homologação SRO válida e Porsche Cayman GT4 CS oriundos de troféus monomarca.

    Novidades: protótipos e formação de jovens talentos

    A grande novidade para 2026 é a Sports Prototypes Winter Series, destinada a protótipos fora da família LMP, com um formato compacto e financeiramente mais acessível, alargando o leque de disciplinas presentes.

    Já a Formula Winter Series (FWS) consolidou-se como uma ferramenta essencial de preparação para jovens pilotos de Fórmula 4, funcionando como trampolim antes do arranque dos campeonatos nacionais e regionais. Pela FWS passaram já vencedores dos campeonatos britânico e espanhol de Fórmula 4, confirmando o seu estatuto de viveiro de talento internacional.

    A série utiliza o conjunto Tatuus-Abarth com pneus Pirelli e oferece três corridas por fim de semana. Pela primeira vez, o calendário passa a contar com cinco eventos, incluindo o Autódromo do Estoril.

    Resistência em destaque em Portimão

    Os carros das GT e GT4 Winter Series, bem como viaturas de Turismo, poderão ainda participar na segunda edição das 6 Horas de Portimão, prova de resistência independente a disputar no Autódromo Internacional do Algarve, entre 5 e 8 de fevereiro, reforçando o papel de Portugal como um dos grandes polos do automobilismo europeu durante o Inverno.

    Com grelhas de alto nível, circuitos de referência e um formato pensado para maximizar tempo de pista e competitividade, as Winter Series voltam a colocar a Península Ibérica — e Portugal em particular — no centro do automobilismo internacional.

  • Dakar: Henk Lategan vence etapa, assume liderança e lança candidatura à vitória

    Dakar: Henk Lategan vence etapa, assume liderança e lança candidatura à vitória

    Ainda é cedo no Dakar 2026, mas Henk Lategan pode já ter dado um passo decisivo rumo à glória. Depois do intenso duelo travado no ano passado com Yazeed Al Rajhi, que acabou por lhe escapar perto da meta, o sul-africano decidiu desta vez arriscar para quebrar o ciclo de furos que o vinha penalizando.

    A aposta revelou-se certeira. Ao volante do Toyota Hilux, Lategan conquistou a sua quinta vitória em etapas no Dakar, ganhou mais de sete minutos a Nasser Al-Attiyah e assumiu a liderança da classificação geral, com 3m55s de vantagem sobre o qatari.

    Mais atrás, o clã Goczał fez-se notar em peso: Marek Goczał foi terceiro, a 14m15s, Eryk Goczał terminou em quarto, a 17m36s, e Michał Goczał foi sexto, a 19m53s. Pelo meio, os polacos rodearam Sébastien Loeb, quinto classificado a 17m54s. Para Loeb, os sinais começam a somar-se num Dakar difícil: o francês é agora 8.º da geral, a cerca de 20 minutos do líder. Apesar disso, a sua experiência e talento mantêm-no como um nome a ter em conta para uma recuperação na segunda metade da prova.

    Toyota e Dacia no topo, Ford à espreita

    No cume da classificação, Toyota e Dacia ocupam posições de destaque, mas os Ford Raptor continuam ao alcance do ataque, depois do impacto causado na véspera. O norte-americano Mitch Guthrie Jr. teve um dia difícil a abrir pista e perdeu quase 44 minutos, mas os seus companheiros mantêm-se bem colocados: Mattias Ekström foi terceiro, a 13 minutos, e Carlos Sainz quarto, a 15m53s. Ambos partem para a segunda metade da etapa maratona/refúgio em 12.º e 13.º, respetivamente, posições favoráveis para atacar.

    Fim da luta pelo título para Al Rajhi

    O dia marcou ainda o adeus às aspirações ao título do campeão da categoria Ultimate. Depois de um início de Dakar abaixo do esperado, Yazeed Al Rajhi foi definitivamente travado por três furos, com o seu Toyota Hilux a ficar pelo caminho ao km 234. O piloto saudita poderá retomar a prova após a etapa maratona/refúgio, mas sem hipóteses de lutar pelo pódio, encerrando de forma precoce a defesa do título.

    Com a geral ao rubro e estratégias a definirem destinos, o Dakar 2026 entra numa fase em que ousadia, fiabilidade e gestão prometem decidir quem chega verdadeiramente à glória.

  • Dakar: Schareina assina dobradinha, assume liderança e acentua duelo Honda–KTM

    Dakar: Schareina assina dobradinha, assume liderança e acentua duelo Honda–KTM

    A estratégia voltou a ser um fator decisivo no Dakar 2026, numa modalidade onde o receio de ficar preso a um efeito “yo-yo” — perder posições por abrir pista e voltar a ganhá-las no dia seguinte — tira o sono aos candidatos ao título. Tosha Schareina, porém, ignorou os riscos e brilhou com autoridade ao conquistar duas vitórias consecutivas, algo reservado a muito poucos pilotos capazes de vencer a partir da frente.

    O espanhol da Monster Energy Honda HRC protagonizou uma atuação de grande nível, liderando sozinho durante metade dos 417 quilómetros cronometrados da especial, rumo à sua quarta vitória em etapas neste Dakar. O triunfo valeu-lhe também a liderança da classificação geral.

    Duelo ao segundo: Schareina e Brabec empatados no tempo

    A geral está ao rubro: Ricky Brabec segue no mesmo segundo que Schareina após cinco dias de corrida. O espanhol lidera apenas por ter sido melhor na etapa de hoje, num empate técnico que sublinha o domínio da Honda neste início de rali.

    A força da marca japonesa ficou ainda mais evidente com Skyler Howes, terceiro classificado a 10 segundos, fechando um 1-2-3 da Honda. No polo oposto, Adrien Van Beveren voltou a perder tempo (mais 5 minutos) e caiu para a periferia do Top 10, agora a 27m24s de Schareina.

    Na Red Bull KTM Factory Racing, a palavra de ordem é paciência. Daniel Sanders foi quinto, a 2m37s, enquanto Edgar Canet terminou em oitavo, a 3m49s. Ambos seguem na discussão pela geral, com especial destaque para Sanders, que está a apenas 1m24s de Schareina e Brabec e beneficiará de uma posição de partida mais favorável na próxima etapa.

    Reviravolta dramática na Rally 2

    A categoria Rally 2 viveu um dia de forte reviravolta. Os dois líderes viram as suas ambições severamente comprometidas: Michael Docherty não chegou ao bivouac-refúgio devido a uma roda partida, o que lhe valerá uma penalização pesada; já Martim Ventura perdeu quase duas horas com problemas mecânicos, tornando um lugar no pódio um objetivo distante.

    A má sorte dos favoritos abriu caminho ao estreante Preston Campbell, filho do pioneiro norte-americano Johnny Campbell, que assumiu a liderança da Rally 2. Nota final para Neels Theric, que conquistou a sua primeira vitória em etapas — também a primeira da marca chinesa Kove no Dakar.

    Com diferenças mínimas na frente e favoritos ainda em jogo, o Dakar 2026 entra numa fase decisiva onde a leitura estratégica poderá pesar tanto quanto a velocidade pura.

  • Dakar: João Ferreira resiste à dureza da maratona e termina dia em 17.º

    Dakar: João Ferreira resiste à dureza da maratona e termina dia em 17.º

    A primeira metade da etapa maratona do Dakar 2026 revelou-se particularmente madrasta para uma parte significativa do pelotão, com vários pilotos a enfrentarem dificuldades sérias. Apesar de um dia condicionado pela posição de partida, João Ferreira conseguiu gerir o esforço e concluiu a jornada na 17.ª posição, tanto na etapa como na classificação geral, mantendo-se em condições favoráveis para atacar os lugares cimeiros na segunda metade da maratona.

    O piloto da Repsol Portugal viu o seu ritmo limitado desde cedo pelo tráfego em pista, num contexto que não permitia grandes riscos sem comprometer a continuidade em prova. Ainda assim, a opção por uma abordagem prudente revelou-se acertada num dia marcado por incidentes que afetaram vários nomes de referência do rali.

    “A posição de partida acabou por condicionar bastante o que era possível fazer hoje. Apanhámos tráfego desde cedo e, nestas condições, não havia grande margem para arriscar mais sem comprometer o essencial”, explicou João Ferreira no final da etapa. “A prioridade passou por evitar situações que pudessem ter consequências mais sérias, como aconteceu a pilotos de referência, incluindo o vencedor do Dakar 2025.”

    O piloto português sublinhou ainda a importância de uma visão estratégica numa prova desta dimensão: “O Dakar está longe de ser um sprint. Olhando para a classificação e para o tempo para a frente da corrida, pode parecer que estamos numa posição delicada, mas esta é uma prova que se constrói ao longo de muitos dias, com fases muito distintas. A consistência, a gestão e a capacidade de chegar ao fim continuam a ser determinantes, e só no final é que se fazem verdadeiramente as contas.”

    A quinta etapa do Dakar 2026 dá continuidade à fase de maratona sem assistência externa, ligando AlUla a Hail através de uma especial cronometrada de cerca de 372 quilómetros, integrada num total aproximado de 428 quilómetros, incluindo ligações. Tal como no dia anterior, a etapa arrancará ao amanhecer, com um desafio acrescido para os pilotos que partem na frente: a navegação sem referências de trilhos, deixadas pelas motos, poderá complicar significativamente a orientação nos setores iniciais. A gestão do ritmo, a leitura do terreno e a fiabilidade mecânica voltarão a ser fatores decisivos numa das fases mais exigentes do Dakar 2026.

  • Dakar 2026: Maria Luís Gameiro conclui Etapa 3 com gestão e solidez em AlUla

    Dakar 2026: Maria Luís Gameiro conclui Etapa 3 com gestão e solidez em AlUla

    Maria Luís Gameiro assinou mais uma etapa positiva no Dakar 2026, ao concluir a Etapa 3, disputada em AlUla, com 421 quilómetros cronometrados e 315 quilómetros de ligações. Num dia particularmente exigente em termos de navegação e condições do terreno, a piloto portuguesa, acompanhada pela navegadora espanhola Rosa Romero, privilegiou a consistência e a gestão do risco, alcançando o 50.º lugar da etapa.

    Sem conseguir repetir o ritmo mais forte evidenciado na jornada anterior, a dupla optou por uma abordagem prudente, sobretudo face às muitas armadilhas do traçado, que custaram tempo significativo a vários candidatos aos lugares cimeiros. As zonas pedregosas e o muito pó obrigaram a cuidados redobrados, mas permitiram preservar o MINI JCW T1+ da X-Raid, evitando incidentes de maior gravidade.

    A etapa ficou também marcada pelo espírito de entreajuda que caracteriza o rali-raid. Ao longo do percurso, Maria Luís Gameiro e Rosa Romero cederam uma roda aos colegas de equipa Guillaume De Mévius e Lionel Baud, gesto decisivo para que ambos pudessem chegar ao final da especial.

    Apesar destas paragens, a dupla portuguesa concluiu a etapa sem problemas mecânicos relevantes, validando mais um dia importante na construção de um Dakar sólido e estratégico, especialmente tendo em conta a proximidade da etapa maratona.

    No final da etapa, a piloto portuguesa explicou a abordagem adotada ao longo do dia: “Foi mais um dia duro em que não nos expusemos muito ao risco. Adotámos um ritmo conservador porque, além das pedras no troço, enfrentámos muito pó, o que nos colocou em situações mais difíceis. Não conseguíamos chegar perto dos carros para darmos o Sentinel e ficámos um pouco ‘presas’. Conseguimos evitar outro acidente com um carro parado, que acabou por ser mais um grande susto. Esta etapa foi muito exigente, mas a nossa toada cautelosa permitiu-nos chegar ao fim e ainda ajudar o Guillaume De Mévius e o Lionel Baud, a quem cedemos um pneu. Se não fosse essa ajuda, não teriam chegado ao fim. O Dakar é mesmo assim, com o espírito de entreajuda sempre muito presente.”

    A piloto sublinhou ainda a importância da preparação para o desafio que se segue: “Agora é tempo de preparar tudo, pois amanhã temos a etapa maratona. Sabemos da exigência deste tipo de etapas e temos de preparar tudo ao pormenor para estarmos prontas para qualquer eventualidade.”

    Com a primeira etapa maratona prestes a arrancar, Maria Luís Gameiro e Rosa Romero entram numa das fases mais duras do Dakar 2026, onde a gestão mecânica, a fiabilidade e a tomada de decisões estratégicas serão tão importantes quanto a velocidade pura. Depois de mais um dia que voltou a pôr à prova máquinas e tripulações, o rali entra agora numa fase decisiva. É o Dakar em todo o seu esplendor.

  • Dakar: Alexandre Pinto regressa à liderança do Mundial SSV após etapa estratégica em AlUla

    Dakar: Alexandre Pinto regressa à liderança do Mundial SSV após etapa estratégica em AlUla

    Alexandre Pinto regressou esta terça-feira à liderança do World Rally-Raid Championship (W2RC) na categoria SSV, ainda que em igualdade pontual com outros dois pilotos, após uma terceira etapa cautelosa no Dakar Rally 2026. O piloto da Old Friends Rally Team somou um ponto, correspondente ao 5.º lugar entre os concorrentes do Campeonato do Mundo em prova no Dakar, primeira ronda da temporada 2026 do W2RC.

    A 3.ª etapa, com partida e chegada em AlUla, integrou um setor seletivo de 421 quilómetros cronometrados, marcado por navegação difícil e exigente. Aos comandos de um Polaris RZR Pro, Alexandre Pinto e o seu navegador Bernardo Oliveira, ambos campeões do mundo de Rally Raid SSV, optaram por uma abordagem estratégica, privilegiando a fiabilidade e a gestão mecânica numa jornada que antecede a decisiva etapa maratona.

    Apesar de um furo, que provocou alguma perda de tempo, a dupla manteve um andamento controlado, especialmente nas zonas mais empedradas, garantindo um resultado consistente e alinhado com os objetivos da equipa.

    “Hoje foi novamente uma etapa longa e difícil. Era preciso fazer uma boa gestão do carro”, explicou Alexandre Pinto no final do dia. “Furámos um pneu, o que nos atrasou um pouco. Fomos conservadores nas zonas mais empedradas e isso custou algum tempo face a quem atacou mais, mas optámos por uma toada cautelosa. Amanhã começa a etapa maratona: são dois dias sem assistência e uma noite no deserto. Estamos a preparar tudo nesse sentido. Estamos no Top 5 da geral, o que é positivo para nós.”