Autor: Joaquim Amândio Santos

  • Daniel Teixeira: transformar uma época parcial num duplo título

    Daniel Teixeira: transformar uma época parcial num duplo título

    Daniel Teixeira voltou a demonstrar, na temporada de 2025, porque é amplamente reconhecido como um dos melhores e mais consistentes pilotos portugueses de velocidade. Aos comandos do Hyundai Elantra TCR do JT59 Racing Team, o piloto de Murça conseguiu um feito de enorme relevo competitivo: transformar uma participação parcial no calendário numa época de sucesso absoluto, conquistando dois títulos: Campeão Nacional de Velocidade e Campeão Ibérico, tanto à geral dos Turismos como na divisão TCR.

    Num campeonato que atravessa um dos seus períodos mais fortes, com grelhas numerosas, elevado profissionalismo e um nível técnico raramente visto em Portugal, Daniel Teixeira destacou-se pela capacidade de leitura estratégica, pela consistência em pista e pela forma como conseguiu maximizar cada fim de semana de competição.

    A abordagem à temporada de 2025 foi tudo menos improvisada. A decisão de disputar apenas quatro rondas do campeonato — todas elas a contar para o Campeonato de Portugal de Velocidade e três também para o Campeonato Ibérico — foi tomada de forma consciente e estratégica, tendo em conta os recursos disponíveis e os objetivos realistas.

    “Desde o início sabíamos que não faria sentido tentar abraçar tudo. Ao não estarmos presentes em Jarama e Valência, ficávamos automaticamente fora da luta pelo campeonato espanhol, porque só iríamos disputar metade das corridas. A partir daí, a decisão foi clara: concentrar todos os esforços no Campeonato Nacional e no Campeonato Ibérico, tentar ser competitivos em todas as provas em que estivéssemos presentes e não dispersar recursos. Felizmente, essa estratégia acabou por resultar.”

    A época arrancou no Autódromo Internacional do Algarve, um circuito que Daniel considera particularmente exigente para o seu conjunto técnico, pela importância que a potência assume no traçado. A ausência de testes prévios, por limitações orçamentais, e a chuva inesperada vieram acrescentar dificuldade ao desafio.

    “Portimão é, provavelmente, a pista menos favorável para nós em todo o campeonato. É um circuito onde a potência pesa muito e onde é mais difícil compensar apenas com condução. Ainda por cima, não tínhamos conseguido fazer testes antes da época e a chuva acabou por baralhar completamente as contas. Mesmo assim, conseguimos ser muito competitivos desde o início.”

    O desempenho nas qualificações foi revelador, com um primeiro e um segundo lugares que garantiram a primeira linha da grelha para ambas as corridas. Daniel aproveitou ainda para sublinhar a importância da separação das grelhas entre GT e Turismos: “Com mais de 40 carros inscritos, a separação das grelhas foi uma decisão muito positiva. Melhorou o tempo útil em pista, aumentou a segurança e tornou o espetáculo mais limpo e mais interessante para quem assiste.”

    A primeira corrida ficou marcada pelo primeiro contratempo da época: “Tivemos um problema técnico na volta de formação que me obrigou a ir às boxes e perdi uma volta. Apesar de conseguir regressar à pista, fazer a volta mais rápida à geral e recuperar muitas posições, tornou-se impossível lutar pela vitória.”

    Na segunda corrida, disputada à chuva, tudo mudou: “Foi uma corrida muito de gestão, de cabeça fria. Não era o dia para forçar sem necessidade. Controlámos o ritmo, evitámos erros e conseguimos vencer à geral. Saímos de Portimão com uma vitória quando, honestamente, tínhamos andamento para ganhar as duas corridas.”

    Vila Real: competir num palco de dimensão mundial

    A segunda ronda levou o campeonato até Vila Real, o evento mais emblemático do calendário. Para Daniel Teixeira, correr em casa tem sempre um significado especial, tanto pela ligação pessoal como pela dimensão única do evento; “Vila Real é muito mais do que uma corrida. É um dos maiores eventos desportivos do país, com uma moldura humana impressionante. Para mim, é correr em casa e tem sempre um peso emocional diferente.”

    Integrado no programa do TCR World Tour, o fim de semana foi encarado sem pressão de resultados: “Sabíamos perfeitamente que não tínhamos condições para lutar com equipas e pilotos de fábrica. Entrámos em pista com o objetivo de ser consistentes, fiáveis e competitivos dentro das nossas possibilidades.” Dois furos – um na qualificação e outro na segunda corrida – condicionaram o fim de semana. Na qualificação, o furo na última tentativa ditou o 13.º lugar, posição ingrata num circuito onde ultrapassar é extremamente difícil.

    A primeira corrida, apesar de uma penalização posteriormente reconhecida como erro da organização, acabou por ser um dos momentos mais intensos do fim de semana: “Foi uma corrida muito dura, com uma luta até à última volta com o Honda do Inácio Montenegro. Terminei como o segundo Hyundai mais rápido em pista, num contexto com três carros oficiais da marca, o que nos deixou bastante satisfeitos.”

    A terceira ronda, em Jerez de la Frontera, voltou a testar a capacidade de superação da equipa. Pelo terceiro ano consecutivo, problemas mecânicos comprometeram o início do fim de semana: “Na qualificação, depois de fazer o melhor primeiro setor à geral, tivemos um problema nos travões que me levou a sair de pista. Isso obrigou-nos a arrancar do último lugar, o que parecia comprometer tudo.”

    A primeira corrida, com zonas ainda molhadas e pneus de seco, foi uma demonstração de talento e leitura de corrida: “Fiz uma primeira volta muito forte, recuperei 14 posições logo ali e, a partir daí, consegui impor um ritmo consistente até à vitória. Foi uma corrida muito especial, daquelas que ficam na memória.”

    Na segunda corrida, quando seguia em segundo lugar à geral, um novo problema mecânico ditou a desistência: “Foi frustrante, porque tínhamos claramente condições para lutar pela vitória novamente, mas faz parte das corridas.”

    Estoril: fechar a época de forma irrepreensível

    A derradeira prova da época, no Estoril, foi o culminar perfeito de todo o trabalho desenvolvido ao longo do ano. Daniel conquistou a pole-position para ambas as corridas, venceu as duas à geral e assinou as melhores voltas.

    “Apesar dos resultados, não foi um fim de semana fácil. Na primeira corrida, com pista fria e húmida, tive muitas dificuldades em colocar temperatura nos pneus traseiros. Optei por uma abordagem mais calculista, deixei-me cair para terceiro e esperei pelo momento certo. Na segunda corrida perdi a liderança na primeira curva, fiquei atrás do Rui Mirita e tivemos uma luta intensa até à paragem nas boxes. Depois disso consegui assumir a liderança e construir uma vantagem confortável até ao final.” Com esses resultados, ficaram selados os títulos nacional e ibérico.

    No balanço final, Daniel Teixeira destaca a evolução do campeonato e o nível atual da competição: “Acredito sinceramente que temos hoje o melhor Campeonato de Portugal de Velocidade de sempre. Não apenas pelo número de carros, mas sobretudo pela qualidade dos pilotos, das equipas e do espetáculo. A separação das grelhas foi um passo muito importante e fico satisfeito por saber que vai continuar em 2026.”

    Quanto ao futuro, mantém os pés bem assentes no chão: “Com os meios que tínhamos, foi muito difícil fazer melhor. Fomos sempre competitivos e isso motiva-me a tentar manter ou até elevar o nível na próxima época, embora 2026 ainda esteja em aberto.”

    Daniel termina com uma mensagem clara de gratidão. “Nenhuma vitória se constrói sozinho. Estes títulos são o reflexo do trabalho de uma equipa extraordinária e do apoio fundamental dos nossos parceiros e patrocinadores. O sucesso é de todos nós.”

    Nesse agradecimento, Daniel faz questão de destacar o papel central do pai, Joaquim Teixeira, figura incontornável no seu percurso desportivo e humano: “Um agradecimento muito especial ao meu pai, Joaquim Teixeira. Para além de tudo aquilo que representa enquanto pai, foi também um pilar essencial nesta época, sempre presente, sempre a acreditar. Sem ele, este projeto simplesmente não existia. Quero agradecer igualmente à minha irmã Sónia Teixeira, ao Jorge Mourão, ao Filipe Borges, ao Tiago Silva e à Joana Cepeda. Cada um teve um papel fundamental, seja no planeamento, na execução, na logística ou no apoio constante. Foi um verdadeiro trabalho de equipa, com profissionalismo, dedicação e um enorme espírito de entreajuda.”

    Daniel Teixeira faz ainda questão de sublinhar a importância decisiva dos parceiros e patrocinadores: “Nada disto seria possível sem o apoio dos nossos patrocinadores, que acreditaram no projeto e estiveram connosco ao longo de toda a época. A todos eles, o meu mais sincero obrigado: Bompiso S.A., Município de Murça, ASF Construction, Município de Boticas, Villae3000, Cordialpanther, Jacinto Lda., Intermarché Valpaços e Alijó, Potauco, Iluadviser S.A., Publiserv e Officials.”

    Em 2025, Daniel Teixeira não conquistou apenas títulos. Reafirmou-se como uma referência da velocidade ibérica, capaz de transformar limitações em resultados máximos através de talento, inteligência e uma abordagem exemplar à competição.

  • José Carlos Pouca Sorte evoluiu na Montanha e brilhou nos ralis numa época de afirmação

    José Carlos Pouca Sorte evoluiu na Montanha e brilhou nos ralis numa época de afirmação

    O piloto líder da equipa Megamotors, José Carlos Pouca Sorte, encerrou a temporada de 2025 com um balanço claramente positivo, num ano repartido entre o Campeonato de Portugal de Montanha JC Group e a participação em provas de ralis.

    Na Montanha, Pouca Sorte protagonizou uma evolução consistente ao longo da época, afirmando-se progressivamente na competitiva Categoria GT. Apesar de ter participado apenas em quatro das oito provas do campeonato, o piloto do Porsche GT3 Cup terminou a temporada no Top 5 da classificação final, um feito assinalável face à elevada concorrência e ao calendário incompleto.

    A adaptação ao comportamento do Porsche em contexto de prova foi um processo exigente, mas os resultados acabaram por surgir na fase final do campeonato, com dois lugares de pódio, confirmando a crescente competitividade do piloto e da equipa Megamotors na luta pelos lugares cimeiros.

    Paralelamente, 2025 ficou também marcada pelo regresso aos ralis, uma disciplina que continua a entusiasmar José Carlos Pouca Sorte. O grande destaque foi a estreia no Rali de Porto Santo, no arquipélago da Madeira, onde o piloto alcançou um excelente 2.º lugar entre os RGT, deixando uma impressão muito positiva numa prova exigente e tecnicamente desafiante.

    Fazendo o balanço da temporada, José Carlos Pouca Sorte sublinha o lado construtivo do ano vivido: “Acima de tudo foi uma participação positiva. Não correu tudo como eu gostaria, sobretudo na Montanha, onde a habituação ao Porsche GT3 Cup continuou a ser um processo de aprendizagem, mas a verdade é que quase no final da época os frutos começaram a aparecer com um pódio. Nos ralis houve um pouco de tudo, alguns contratempos técnicos, mas sempre que possível foram superados. No meio disto tudo, estou satisfeito.”

    Com os olhos já postos em 2026, o piloto natural de Resende mantém prudência quanto às decisões futuras: “Para já uma coisa é certa: parado não fico. Estamos a começar a planear a próxima época, mas só mais para o final de fevereiro deverei ter decisões definitivas. Nessa altura as novidades serão anunciadas.”

    Antes de fechar o ano, José Carlos Pouca Sorte fez ainda questão de agradecer a todos os que tornaram possível a época de 2025: “Quero agradecer a toda a equipa, aos mecânicos, aos nossos patrocinadores, sem os quais nada seria possível, à minha família e, em especial, à minha mulher, Vera Sequeira, que foi também a minha navegadora nos ralis. Não esqueço os amigos e os fãs que sempre apoiaram a Megamotors. A todos, muito obrigado. Agora é pensar em 2026, desejando um excelente Natal e um novo ano cheio de sucessos.”

  • Uma vitória à prova de tudo: Team Kartódromo Baltar vence as 6 Horas de Ralicross Paulo Sérgio

    Uma vitória à prova de tudo: Team Kartódromo Baltar vence as 6 Horas de Ralicross Paulo Sérgio

    O Team Kartódromo Baltar, liderado pelo campeão europeu João Ribeiro, que fez equipa com Nuno Araújo e Hélder Ribeiro, venceu a 28.ª edição das 6 Horas Ralicross Paulo Sérgio, prova que encerrou a temporada do automobilismo nacional no Circuito Internacional de Lousada, após uma corrida intensa e marcada por condições extremas. A formação vencedora completou 280 voltas ao traçado, ao volante de um Peugeot 208, conquistando igualmente o triunfo na Divisão 1.

    Depois de um interregno de dois anos, esta emblemática prova de resistência regressou ao calendário reunindo 34 equipas e 133 pilotos, entre campeões europeus e nacionais de ralicross. Todos os concorrentes alinharam em viaturas de tração dianteira e motores atmosféricos até 2050 cc, respeitando o regulamento específico da competição, que mantém vivo o espírito clássico destas corridas de longa duração.

    Para além do elevado nível competitivo, o evento voltou a cumprir a sua missão de homenagear Paulo Sérgio, figura incontornável do ralicross lousadense, num fim de semana em que a meteorologia foi protagonista. Chuva intensa, lama e baixas temperaturas criaram um cenário exigente, multiplicando incidentes, penalizações e constantes mudanças de liderança.

    Nos treinos cronometrados, a surpresa veio da DM Motorsport, que garantiu a pole position com um Citroën Saxo da Divisão 2, superando viaturas de maior cilindrada da Divisão 1. Na largada, a equipa foi rapidamente ultrapassada pelo Team Kartódromo Baltar, mas ambas perderam tempo ainda na primeira volta, permitindo à Fersport assumir o comando da corrida.

    Ao fim da primeira hora, a Fersport liderava com 3,7 segundos de vantagem sobre a Kaxa & Motor, mas problemas mecânicos acabariam por atirar essa equipa para o fundo da classificação. A meio da prova, a Kaxa & Motor construiu uma margem confortável na frente, enquanto o Team Kartódromo Baltar recuperava até ao segundo lugar.

    A consistência e o ritmo forte da equipa formada por João Ribeiro, Hélder Ribeiro e Nuno Araújo revelaram-se decisivos. A cerca de duas horas do final, e após contratempos técnicos que afetaram a Kaxa & Motor depois de quatro horas na liderança, o Team Kartódromo Baltar assumiu definitivamente a dianteira. Com os principais adversários já a várias voltas de distância, a fase final foi gerida com controlo absoluto até à bandeira de xadrez.

    Penalizações alteram o pódio

    A luta pelos lugares secundários manteve-se acesa até ao final, com a RJ Racing Team a cruzar a meta em segundo, seguida da AJM Motorsport. Contudo, já após o término da corrida, RJ Racing Team e Filauto Racing foram penalizadas em cinco voltas por incumprimento do regulamento nas trocas de piloto.

    Com esta decisão, a AJM Motorsport, em Peugeot 106, ascendeu ao segundo lugar absoluto e garantiu a vitória na Divisão 2, enquanto o Team SJMB, em Toyota Corolla, subiu ao terceiro lugar do pódio. A GS Racing Team, em Fiat Punto, terminou como a melhor equipa da Divisão 3, fechando a prova na sétima posição final.

    Classificação final

    1.º Team Kartódromo Baltar (Peugeot 208) – 6h00m33,624s
    2.º AJM Motorsport (Peugeot 106) – a 6 voltas (1.º Divisão 2)
    3.º Team SJMB (Toyota Corolla) – a 10 voltas
    4.º RJ Racing Team (Peugeot 206) – a 11 voltas
    5.º Filauto Racing (Fiat Punto) – a 12 voltas

    Com mais uma edição memorável, as 6 Horas Ralicross Paulo Sérgio reafirmaram-se como uma das provas mais duras e carismáticas do calendário nacional, encerrando a época com espetáculo, resistência e homenagem à história do ralicross português.

  • Autódromo Internacional do Algarve arranca 2026 com dois grandes eventos de inverno

    Autódromo Internacional do Algarve arranca 2026 com dois grandes eventos de inverno

    Com a temporada de 2025 a chegar ao fim, o Autódromo Internacional do Algarve já prepara o arranque de 2026 com um mês de janeiro particularmente intenso. O traçado junto a Portimão receberá, na segunda quinzena do mês, duas competições de elevado nível, prometendo forte adesão de equipas, grande diversidade de máquinas e muita animação em pista.

    O primeiro grande evento do ano será a Winter Series, agendada para os dias 17 e 18 de janeiro. A prova marca o regresso do campeonato de inverno à “Montanha-Russa” algarvia e traz uma novidade de peso: os protótipos juntam-se aos mais recentes GT, elevando ainda mais o nível competitivo.

    Em 2025, a Winter Series contou com mais de 40 viaturas em pista; com a integração dos protótipos, antecipa-se um pelotão ainda mais numeroso. As corridas de resistência, a gestão de tráfego e a estratégia prometem ser ingredientes-chave de um fim de semana em que os motores voltarão a ecoar com intensidade nas 15 curvas do circuito.

    Uma semana depois, a Porsche Sprint Challenge Sul da Europa volta a animar o asfalto algarvio, com prova marcada para 25 de janeiro. Pilotos oriundos de vários países escolhem Portimão para iniciar a nova época ao volante dos sempre icónicos Porsche, numa grelha competitiva onde os pilotos portugueses têm, tradicionalmente, uma palavra a dizer na luta pelos lugares do pódio.

    Com estes dois eventos, o Autódromo Internacional do Algarve confirma um arranque de 2026 em grande, antecipando um ano novamente marcado por momentos de alto nível competitivo e forte presença internacional, reforçando o estatuto do circuito algarvio como um dos palcos de referência do automobilismo europeu.

  • Trenós MX-5 entregaram meia tonelada de víveres ao Banco Alimentar contra a Fome de Leiria/Fátima

    Trenós MX-5 entregaram meia tonelada de víveres ao Banco Alimentar contra a Fome de Leiria/Fátima

    Mais de 30 membros do Club MX-5 Portugal, desta vez adotando o conceito natalício, reuniram-se no passado sábado, dia 20 de dezembro, na região centro do país, para levarem ajuda a quem dela mais precisa. Foi sob este conceito de Jantar de Natal/Passeio Solidário 2025 que se realizou esta última concentração do ano, com as particularidades inerentes a esta época.

    Ao contrário das duas últimas edições, em que a base do encontro foi a capital, organização apontou agora o azimute a Leiria, para um evento cuja receção esteve a cargo do concessionário Auto Julio (Leiria), onde, a meio da tarde de sábado, se concentraram os Mazda MX-5 nele participantes, de onde, pouco depois, sairiam os pequenos trenós coloridos, rumando às instalações do Banco Alimentar Contra a Fome Leiria/Fátima

    A bordo levavam um conjunto de prendas muito especiais, em forma de produtos de mercearia, numa pequena, mas muito valiosa, ajuda, para que instituição – tal como acontece em muitas outras zonas do país – possa desempenhar o seu papel fulcral na região, reforçando os sempre parcos recursos que são necessários para dar resposta às cada vez maiores solicitações. Organização e participantes reuniram, no seu conjunto, um volume de 503 quilogramas de víveres, então entregues aos responsáveis pela instituição, os quais, em conjunto com elementos da sua equipa, receberam e agradeceram a generosa ajuda. Cabe, aqui, um agradecimento especial à D. Filomema e D. Maria Olímpia, que aproveitaram também para falar um pouco sobre o imenso trabalho que ali desenvolvem no quotidiano.

    Terminado esse momento, condutores e acompanhantes voltaram, depois, à estrada, para cumprir um curto percurso a bordo dos seus Mazda MX-5, até ao Restaurante Quinta do Paúl, na localidade de Ortigosa, local onde se deu por concluída esta ação, bem como as atividades do ano de 2025.

  • FIA revela conceito WRC27 Rally1 que vai moldar a nova geração do Mundial de Ralis

    FIA revela conceito WRC27 Rally1 que vai moldar a nova geração do Mundial de Ralis

    A FIA apresentou o primeiro conceito visual dos WRC27 Rally1, antecipando a profunda transformação técnica e estrutural que marcará o Campeonato do Mundo de Ralis a partir de 2027, com foco na redução de custos, maior acessibilidade e manutenção do espetáculo ao mais alto nível.

    A Fédération Internationale de l’Automobile (FIA) revelou oficialmente o conceito do WRC27 Rally1, o automóvel que servirá de base à próxima era do FIA World Rally Championship a partir da temporada de 2027. Este primeiro vislumbre materializa, em termos visuais e técnicos, o novo regulamento aprovado em 2024 pelo Conselho Mundial do Desporto Motorizado, após um amplo processo de consulta com equipas, construtores e promotor do campeonato.

    O novo enquadramento regulamentar foi concebido para tornar o topo do Mundial de Ralis mais acessível e sustentável, sem comprometer o desempenho, a exigência técnica e o espetáculo que caracterizam a disciplina. No coração do conceito WRC27 está uma célula de segurança tubular, evolução direta da estrutura introduzida nos Rally1 de 2022. Desenvolvida através de simulações avançadas, testes comparativos e ensaios de impacto com protótipos, esta nova célula oferece níveis superiores de proteção dos ocupantes, melhorando a absorção de energia e a resistência à intrusão em impactos frontais, laterais, traseiros e no capotamento, ao mesmo tempo que reduz complexidade e custos.

    Performance acessível e maior proximidade competitiva

    A filosofia do WRC27 passa por reduzir o fosso de performance entre a categoria de topo e o escalão Rally2, facilitando a progressão de jovens pilotos e equipas, sem a necessidade de extensos programas de testes específicos.

    Os novos carros serão equipados com um motor 1.6 turbo de combustão interna, com cerca de 290 cavalos, alimentado por combustível sustentável, associado a tração integral e a uma caixa sequencial de cinco velocidades. A suspensão adota uma configuração double wishbone, enquanto os sistemas de travagem e direção derivam diretamente das atuais especificações Rally2, garantindo eficiência, robustez e controlo de custos.

    O chassis tubular enquadra-se num volume bem definido, com comprimento entre 4100 e 4300 mm, largura máxima de 1875 mm, distância entre eixos mínima de 2600 mm e altura mínima de 1270 mm, permitindo, ainda assim, uma ampla liberdade criativa aos construtores no desenho dos automóveis.

    Com a entrada em vigor do novo regulamento, os WRC27 irão competir ao mais alto nível lado a lado com os atuais Rally2, promovendo uma grelha mais diversificada e competitiva na categoria principal do campeonato.

    Embora o arranque do ciclo regulatório esteja centrado no motor 1.6 turbo de combustão interna com combustível sustentável, o regulamento WRC27 foi concebido como uma plataforma aberta, permitindo a introdução futura de outras soluções de propulsão, acompanhando a evolução tecnológica e ambiental do desporto automóvel.

    Um dos pilares do WRC27 é a contenção de custos, com o preço máximo de um carro pronto a competir fixado em 345 mil euros (versão asfalto), o que representa uma redução superior a 50% face à geração atual. Este objetivo é alcançado através da normalização de componentes, maior durabilidade das peças e limitação de recursos operacionais, incluindo pessoal, logística e testes. A utilização de infraestruturas locais e o reforço da conectividade de dados para engenharia remota contribuem igualmente para baixar os custos ao longo da época.

    Liberdade de design e nova definição de construtor

    Ao contrário de regulamentos anteriores, o WRC27 não obriga os carros a derivarem de modelos de produção, definindo apenas um volume de referência para a carroçaria. Dentro desse espaço, os construtores podem desenvolver desde silhuetas inspiradas em modelos de estrada até conceitos totalmente dedicados aos ralis. A aerodinâmica foi simplificada para reduzir custos e complexidade técnica.

    Outro ponto-chave é a nova definição de Construtor, que passa a incluir tanto fabricantes (OEM) como preparadores independentes, colocando ambos em igualdade regulamentar. Esta abertura pretende alargar a base de participantes e reforçar a competitividade no topo do campeonato.

    O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, sublinhou a importância estratégica do novo regulamento: “Os regulamentos WRC27 representam um momento decisivo para o Mundial de Ralis. Garantem controlo de custos, sustentabilidade e acessibilidade, sem comprometer o desafio técnico e o desempenho que definem o rali ao mais alto nível.”

    Já Malcolm Wilson, vice-presidente da FIA para os ralis, destacou a flexibilidade do conceito: “A liberdade de aplicação do regulamento permite uma grande variedade de soluções técnicas e conceitos de veículo, mantendo sempre os requisitos de segurança e performance.”

    Por sua vez, Peter Thul, diretor desportivo do promotor do WRC, mostrou-se confiante: “A forte aposta na acessibilidade será decisiva para atrair mais construtores ao topo do campeonato. O trabalho conjunto até agora dá-nos plena confiança de que 2027 marcará o início de uma nova grande era do WRC.”

  • MotoStudent FEUP testa novamente a MS01 no Aeródromo da Maia e prossegue desenvolvimento do projeto elétrico

    MotoStudent FEUP testa novamente a MS01 no Aeródromo da Maia e prossegue desenvolvimento do projeto elétrico

    A MotoStudent FEUP, equipa de estudantes da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), realizou na passada semana mais um teste em pista da sua moto elétrica de competição MS01, desta vez no Aeródromo da Maia, numa ação desenvolvida em estreita colaboração com o Parallel Velocity Club.

    Este ensaio inseriu-se numa nova fase do desenvolvimento e afinação do protótipo, permitindo à equipa recolher dados técnicos fundamentais em condições reais. Durante a sessão, os pilotos percorreram cerca de dois mil metros em ambos os sentidos, avaliando parâmetros como comportamento dinâmico, estabilidade, resposta do acelerador, travagem e fiabilidade dos sistemas eletrónicos.

    O teste assumiu particular importância por permitir validar soluções após a experiência competitiva internacional, funcionando como um passo adicional na evolução técnica da MS01. A recolha de dados em pista revelou-se essencial para identificar ajustes finos ao nível da eletrónica, da gestão energética e da interação entre piloto e máquina.

    Para o Parallel Velocity Club, parceiro neste ensaio, a iniciativa destacou-se pelo seu caráter inovador. O presidente do clube, Jorge Manuel Galhardo, sublinhou a importância do momento: “Foi algo bastante diferente daquilo a que estamos habituados. Um projeto inovador, que correu muito bem do nosso lado. Este teste foi claramente positivo para a equipa da FEUP e esperamos que este tipo de colaboração volte a repetir-se.”

    Um projeto académico que já passou pela apresentação oficial e pela estreia internacional

    Este teste no Aeródromo da Maia surge como mais uma etapa no percurso de desenvolvimento da MS01, um projeto que resulta de quase dois anos de trabalho interdisciplinar e que envolve 42 estudantes das áreas de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, Engenharia Mecânica e Engenharia e Gestão Industrial.

    A apresentação oficial do protótipo teve lugar em setembro passado, no Auditório José Carlos Marques dos Santos, na FEUP, marcando o primeiro momento público da primeira moto elétrica de competição desenvolvida pela MotoStudent FEUP.

    Posteriormente, entre 15 e 19 de outubro de 2025, a equipa viveu um momento histórico ao participar na competição internacional MotoStudent, em Aragão, Espanha, onde a MS01 fez a sua estreia absoluta em provas internacionais, num evento que reuniu mais de 80 equipas universitárias de todo o mundo.

    No plano técnico, a MS01 distingue-se por integrar uma bateria de alta tensão desenvolvida especificamente para competição, composta por mais de 300 células cilíndricas de iões de lítio, com 114 V de tensão máxima e 5,7 kWh de capacidade nominal. Todo o sistema de gestão e segurança é assegurado por placas eletrónicas (PCBs) projetadas internamente, garantindo fiabilidade e integração total com os restantes sistemas da mota.

    O protótipo inclui ainda uma dashboard digital desenvolvida pela equipa, que fornece ao piloto informação em tempo real sobre o comportamento da moto, permitindo decisões em pista baseadas em dados precisos.

    Com este novo teste realizado na Maia, a MotoStudent FEUP demonstra que o projeto MS01 continua em evolução contínua, consolidando a experiência adquirida em competição e reforçando o seu compromisso com a inovação, a engenharia aplicada e o desenvolvimento da mobilidade elétrica em ambiente de alto desempenho.

  • Problemas mecânicos travam ambição do Team Megamotors no Rali União

    Problemas mecânicos travam ambição do Team Megamotors no Rali União

    O Rali União, disputado em Alpendurada, Marco de Canaveses, não correu como esperado para a dupla do Team Megamotors, que viu goradas as ambições de lutar pelo triunfo devido a problemas mecânicos no competitivo Porsche 991.2 GT3 Cup. José Carlos Pouca Sorte e Vera Sequeira, foram forçados a abandonar depois de um início de prova marcado por esforço e persistência.

    Num rali que, como antecipado, se apresentava rápido e exigente, com especiais curtas mas técnicas, a equipa entrou determinada em aproveitar o potencial do carro alemão. A primeira passagem pela especial de Bitetos – Vista Alegre 1, com 1,93 km de extensão, resultou num tempo de 1.13,2, demonstrando desde logo um ritmo competitivo. Contudo, logo a partir dessa fase inicial começaram a surgir problemas na caixa de velocidades, que se agravaram progressivamente. Na segunda passagem pelo mesmo troço, a dupla acabou por perder bastante tempo, registando 12.13,8, reflexo claro das dificuldades mecânicas. Ainda assim, numa demonstração de perseverança, José Carlos Pouca Sorte e Vera Sequeira conseguiram concluir a terceira passagem com 1.14,0, mantendo-se em prova apesar das limitações evidentes.

    A situação tornar-se-ia insustentável na ligação para a quarta prova especial, quando os problemas na transmissão se agravaram de forma definitiva, levando a equipa a optar pelo abandono, numa decisão tomada com o objetivo de evitar danos maiores no Porsche GT3 Cup.

    À chegada à assistência, José Carlos Pouca Sorte explicou o desfecho: “São coisas dos carros. Começámos logo a debater-nos com problemas na caixa de velocidades no primeiro troço e ainda tive esperança que desse para aguentar. Mas na terceira classificativa a situação já estava a deteriorar-se bastante e optei por desistir para não provocar danos mais graves no carro.”

    O piloto acrescentou ainda que o foco passa agora pela próxima temporada: “O Porsche vai agora entrar num período de revisão geral e, a partir daqui, é começar a pensar na época de 2026.”

    Apesar do abandono, a participação da dupla do Team Megamotors confirmou o espírito competitivo e a ambição evidenciada na antevisão do rali, ficando a certeza de que, em condições normais, o conjunto tinha argumentos para lutar por um resultado condizente com o seu potencial.

  • Filipe Maia fecha 2025 no pódio do Campeonato de Portugal de Novas Energias

    Filipe Maia fecha 2025 no pódio do Campeonato de Portugal de Novas Energias

    O piloto vilacondense Filipe Maia, em representação da ADA – Associação do Desporto Automóvel de Vila do Conde, concluiu a temporada 2025 do Campeonato de Portugal de Novas Energias com um meritório 3.º lugar da classificação geral, garantindo um lugar no pódio da principal competição nacional dedicada à mobilidade elétrica.

    Aos comandos de um Polestar 4, e navegado por Tiago Caio, Filipe Maia protagonizou uma época marcada pela regularidade, consistência e competitividade, enfrentando um calendário exigente que incluiu provas nacionais e internacionais sob a égide da FIA.

    Entre os destaques da temporada contam-se participações em eventos de referência como o E-Rally de Monte Carlo, bem como as provas da Corunha, Valência, Madeira e Oeiras. Para além do pódio nacional, a dupla alcançou igualmente o 3.º lugar da Iberian Cup – Classe 2, consolidando a sua posição entre as equipas mais competitivas do panorama ibérico da mobilidade elétrica.

    O projeto contou com o apoio da Triauto – Polestar Porto e da Polestar Portugal, afirmando-se como um exemplo claro da conjugação entre performance, sustentabilidade e inovação tecnológica, valores que definem a nova era do automobilismo elétrico.

    O encerramento da época aconteceu no E-Rally de Lisboa, disputado nos dias 29 e 30 de novembro e pontuável para a Taça de Portugal de Novas Energias, onde a equipa terminou na 5.ª posição, confirmando o elevado nível competitivo demonstrado ao longo de todo o ano.

    No final da temporada, Filipe Maia sublinhou a satisfação pelo percurso realizado: “Tem sido uma temporada fantástica. Estar entre os melhores num campeonato em crescimento e representar a Polestar com resultados consistentes é um grande orgulho. Fechar o ano com um top-5 na Taça de Portugal, aliado ao 3.º lugar na Iberian Cup, reforça o excelente balanço desta época.”

    Com 2025 concluído de forma positiva, Filipe Maia já se encontra totalmente focado na preparação da temporada de 2026 do Campeonato de Portugal de Novas Energias, com o objetivo de reforçar a competitividade do projeto e consolidar a sua presença entre os protagonistas da mobilidade elétrica em Portugal.

  • Rafael Cardeira transforma quilómetros em solidariedade e entrega apoio à ATLAS – People Like Us

    Rafael Cardeira transforma quilómetros em solidariedade e entrega apoio à ATLAS – People Like Us

    O piloto Rafael Cardeira encerrou a temporada desportiva de 2025 com um gesto que vai muito além da competição, ao concluir mais uma edição do seu projeto de responsabilidade social KM’Solidários. Numa ação marcada pelo compromisso com a comunidade, o piloto do Sporting Clube de Portugal entregou à ATLAS – People Like Us um cheque solidário correspondente ao total de quilómetros competitivos percorridos ao longo da época.

    Foram 940 quilómetros em competição durante a temporada de 2025, valor que se traduziu diretamente no montante do donativo entregue à organização não-governamental para o desenvolvimento, da qual Rafael Cardeira é embaixador. Com o apoio da CO2 Auto, parceira do piloto, a iniciativa voltou a transformar esforço, dedicação e desempenho desportivo em impacto social concreto, encerrando de forma simbólica e positiva a sua pegada solidária no ano de 2025.

    Rafael Cardeira destacou a importância desta iniciativa, sublinhando o dever de retribuir à sociedade o apoio recebido ao longo da carreira: “O desporto só faz sentido quando conseguimos devolver à sociedade parte daquilo que ela nos dá, especialmente quando apoiamos instituições que realizam um trabalho indispensável junto das populações mais carenciadas.”

    A ação contou ainda com o envolvimento ativo da TIEN21, marca que apoia o projeto do piloto da Marinha Grande e que reforçou o contributo solidário através da oferta de eletrodomésticos, ampliando o impacto da iniciativa. Joana Matos, Diretora de Marketing e Comunicação da marca, destacou: “Identificámos-nos desde cedo com esta vertente do projeto do Rafael. Acreditamos que as empresas têm a responsabilidade de apoiar causas que geram impacto real na sociedade.”

    Também a CO2 Auto reforçou a relevância da ação. Para Octávio Filipe, Sócio-Gerente da empresa, “estar presente na comunidade é um pilar fundamental da nossa identidade, tão importante quanto o trabalho que desenvolvemos diariamente”.

    A cerimónia contou com representantes dos municípios da Marinha Grande e de Alcobaça, bem como da Junta de Freguesia de Pataias e Martingança, que sublinharam o papel determinante das iniciativas privadas no apoio social às populações locais. Foi igualmente destacado o impacto positivo da ligação de Rafael Cardeira aos jovens, através das suas visitas e ações solidárias em escolas dos concelhos abrangidos.

    Helena Vasconcelos, presidente da ATLAS – People Like Us, salientou a importância da relação próxima com o piloto: “O envolvimento do Rafael tem sido essencial para dar visibilidade às nossas causas e para reforçar o impacto humano das nossas ações, num crescimento sustentado da instituição sem perder a ligação às suas origens.”

    Com esta entrega solidária, Rafael Cardeira fecha mais uma época desportiva reforçando a convicção de que a competição pode e deve caminhar lado a lado com a responsabilidade social.