José Carlos Pouca Sorte e Vera Sequeira, ao volante do Porsche 991.2 GT3 Cup da Megamotors, estiveram em excelente plano no Rali de Porto Santo 2025, assinando uma exibição de grande nível que combinou rapidez, consistência e uma notável capacidade de adaptação às exigentes estradas da “Ilha Dourada”.
Sem qualquer conhecimento prévio das classificativas nem experiência anterior em ralis do arquipélago da Madeira, a dupla enfrentou adversários locais com larga experiência nestes troços. Ainda assim, Pouca Sorte mostrou-se competitivo desde o primeiro quilómetro, discutindo os lugares do pódio entre os RGT ao longo de toda a prova.
Depois de um arranque promissor, com o 2.º melhor tempo entre os RGT na Super Especial Porto Santo Line, disputada na noite de sexta-feira, o piloto de Resende manteve um ritmo forte no sábado, sempre dentro dos três primeiros da categoria. Uma recuperação determinada na derradeira classificativa valeu-lhe um excelente 2.º lugar entre os RGT e a 7.ª posição da geral, numa edição que contou com 33 equipas à chegada.
Ao longo das sete provas especiais de classificação do último dia de competição, Pouca Sorte foi por diversas vezes o 2.º mais rápido da categoria, confirmando não apenas o potencial competitivo do Porsche 991.2 GT3 Cup, mas também a competência técnica e a capacidade de adaptação de toda a estrutura Megamotors que, recorde-se, apenas dispôs do período oficial de reconhecimentos para preparar a estreia madeirense.
No final, o piloto mostrava-se satisfeito com o desempenho alcançado: “Estamos muito felizes com este resultado, que confirma que não viemos à Madeira apenas para experimentar. Fomos competitivos do primeiro ao último troço, frente a grandes pilotos da região e a carros de geração mais recente”, referiu José Carlos Pouca Sorte.
O piloto destacou ainda que o resultado “faz jus à excelente época” que a tem vindo a realizar, tanto no Campeonato de Portugal de Montanha JC Group, onde alcançou dois pódios na Categoria GT, como nas participações pontuais em ralis.
Impressionado com a organização e com o ambiente de fair play vivido em Porto Santo, Pouca Sorte elogiou a prova e o espírito das equipas madeirenses: “Ficámos fãs do Rali de Porto Santo, dos troços, da organização e, acima de tudo, da camaradagem entre todos. Tivemos até um problema técnico e foram os próprios adversários que nos ajudaram a resolver. Isto mostra bem o espírito fantástico desta família dos ralis madeirenses.”
O Rali de Fafe foi o palco ideal para o desfecho de uma temporada memorável da dupla Mário Castro / Ricardo Cunha, em Renault Clio RS, que conquistou o título das Duas Rodas Motrizes (2RM) do Campeonato Norte de Ralis (CNR).
E fê-lo com chave de ouro: vencendo o rali à geral entre os concorrentes do CNR, na prova de encerramento do campeonato: “Carimbar o título nas 2RM em Fafe, e com uma vitória à geral no CNR, foi especial…”, começou por sublinhar Mário Castro, visivelmente emocionado com a conquista alcançada perante o seu público.
Para o piloto da Liber Jeans, correr em Fafe tem sempre um sabor particular. Além de competir em casa, a responsabilidade era acrescida: havia um título para confirmar e muitos adeptos a apoiar: “À partida para o rali sabíamos que só muito azar nos dois ralis que faltavam nos poderia tirar o título, mas eu, melhor que ninguém, sei o que é perder por ‘uma unha negra’ e por isso nunca facilitamos na preparação das provas.”
Apesar da vantagem confortável no campeonato, a dupla manteve a concentração e a abordagem rigorosa que caracterizou toda a época. O resultado de Viana do Castelo, onde um furo impediu a vitória, serviu de aviso: “Já em Viana, um furo retirou-nos a possibilidade de vitória e isso só veio demonstrar que nada estava garantido, ainda mais quando estava a lutar com dois jovens cheios de sangue na guelra.”
A estratégia para Fafe passava por garantir o título sem riscos desnecessários, mas a vontade de vencer em casa acabou por falar mais alto: “Nós não precisávamos de arriscar nada para lutar pela vitória em Fafe, mas ao mesmo tempo também queríamos fazer um bom rali e, se possível, fechar de vez as contas do campeonato.”
O início de prova foi forte, mas com margem de segurança. No entanto, Rafael Cunha (Ford Fiesta R200), sobrinho e rival direto de Mário Castro, mostrou ritmo para lutar pela vitória, o que obrigou o piloto da Liber Jeans a reagir: “Entrámos bem, mas com margem em termos de andamento, e o Rafael mostrou, e bem, que não estava no rali para me facilitar a vida. Então decidi responder na especial seguinte e, felizmente, conseguimos mostrar que, se fosse necessário, ainda teríamos argumentos para andar mais rápido.”
A disputa entre tio e sobrinho foi intensa e exemplar. Ambos demonstraram velocidade e respeito mútuo, proporcionando um dos duelos mais empolgantes da temporada: “O Rafa não baixou os braços, mas nós respondemos outra vez, e desta feita abrindo uma vantagem, ainda que curta, mas suficiente para demonstrar que só um azar nos retiraria a vitória.”
Com o rali sob controlo, a dupla Castro / Cunha confirmou a vitória à geral entre os concorrentes do CNR, triunfou nas 2RM e garantiu matematicamente o título. Um fecho perfeito para uma época que Mário Castro descreve como das mais exigentes da carreira: “Chegados ao final do rali, vencemos à geral do CNR, vencemos também nas 2RM e, mais que tudo, carimbámos o título. Esta foi uma época desafiante a vários níveis, mas penso que eu, o Ricardo e o nosso preparador, Auto Docim, merecemos este desfecho.”
Para o piloto fafense, o título é o reflexo de um trabalho consistente e de uma equipa coesa. Mas há também espaço para a emoção e o orgulho de ver crescer os que o acompanham: “Fico extremamente feliz por ver o Rafael e o Gonçalo terminarem como vice-campeões. Cresceram comigo, acompanharam-me nas corridas, tornaram-se piloto e navegador na ‘minha equipa’ e vê-los alcançar este nível é um orgulho enorme. Estou certo de que, não tardará muito, também eles serão campeões.”
O novo campeão 2RM não esqueceu os adversários nem os colegas de campeonato, deixando também uma palavra ao vencedor absoluto: “Os meus parabéns ao Tiago pelo título absoluto, que lhe assenta muito bem.”
A fechar, Mário Castro fez questão de agradecer a todos os que tornaram possível esta conquista: a equipa técnica, o navegador, os patrocinadores e a família: “Um muito obrigado ao meu preparador e amigo José Carlos Pereira, por tudo o que tem feito por mim ao longo destes anos, entregando-me sempre um carro competitivo. Obrigado, também ao meu navegador, Ricardo Cunha, por toda a dedicação que incute neste nosso desafio. Ele merece este título tanto ou mais do que eu. Agradeço igualmente aos meus patrocinadores, que me proporcionaram as condições para fazer o meu trabalho da melhor forma, e à minha família, em especial à minha esposa e filhos, pelo apoio e paciência e pelas vezes em que têm de aturar o meu mau feitio quando as coisas não correm como eu desejaria!”
Com o título conquistado e uma vitória “em casa”, Mário Castro e Ricardo Cunha encerram a temporada com mérito e emoção, confirmando o estatuto de uma das duplas mais consistentes e competitivas do Campeonato Norte de Ralis.
O Fafe Historic Rally 2025, prova de encerramento do Campeonato Europeu de Ralis Históricos (EHRC), terminou de forma inglória para Rui Madeira e Nuno Rodrigues da Silva, que voltaram a demonstrar grande competitividade, mas foram forçados a desistir quando estavam em luta pelo top 5 da geral, devido à cedência do diferencial central do Mitsubishi Lancer Evo III.
Sem se sentir limitado por tripular um carro de Grupo N, Rui Madeira esteve sempre entre os mais fortes. Foi 5.º no shakedown, antes da prova começar, e iniciou o rali com excelente ritmo, sendo 4.º na primeira especial e descendo a 5.º da geral na seguinte, posição que manteve quase até ao fecho da primeira etapa. Mas, alguns problemas sentidos nessa parte final, fizeram Rui Madeira e Nuno Rodrigues da Silva terminarem a jornada inaugural no 6º lugar
No segundo dia, contudo, a sorte voltou a virar costas à dupla portuguesa: “Não era o resultado que esperávamos no Historic Rally Fafe. Desta vez, o Lancer pregou-nos a partida. O diferencial central cedeu na sétima classificativa, quando íamos num ritmo forte para recuperar um lugar no top 5. Infelizmente, e apesar do carro ter sido todo montado de novo para esta prova, uma peça fez toda a diferença”, lamentou Rui Madeira.
O piloto reconheceu a frustração pelo desfecho, mas sublinhou a consistência e a qualidade do desempenho mostrado ao longo da temporada: “Estamos bastante tristes, pois queríamos muito fechar o ano com um bom resultado. Agora é tempo de fazer um balanço do ano desportivo, que teve momentos altos como o Rali das Camélias, o Rally Costa Brava e o RallySpirit, entre outras provas. No Rally de Lisboa demonstrámos que, apesar de poucos quilómetros com um Rally2, somos competitivos.”
Apesar do abandono em Fafe, Rui Madeira sai com motivação renovada e a ambição de continuar a representar Portugal ao mais alto nível nas provas históricas internacionais.
“Vamos analisar com os patrocinadores a possibilidade de fazer em 2026 algumas provas do Europeu de Históricos de Terra, em pisos que nos dão muito mais prazer, e também 3 ou 4 Rally Legends internacionais.”
O Fafe Historic Rally encerra assim uma época intensa e exigente, onde Rui Madeira voltou a destacar-se pela sua experiência, ritmo e paixão pelos ralis, virtudes que continuam a fazer dele uma referência do automobilismo português.
O Historic Rally de Fafe 2025 teve honras de prova de encerramento do Campeonato Europeu de Ralis Históricos da FIA (CERH), numa edição organizada pelo Demoporto, com o forte apoio do Município de Fafe. A prova contou igualmente para a Taça de Portugal de Clássicos e para o Campeonato Norte de Ralis (CNR).
Nem a muita chuva — já uma tradição em Fafe —, que se fez sentir sobretudo no dia inaugural, afastou o público das classificativas. Milhares de adeptos marcaram presença para assistir a um desfile de carros icónicos da história dos ralis, e foram amplamente recompensados com um rali intenso, competitivo e espetacular.
Latvala imbatível e campeão europeu
Com um andamento muito superior ao dos adversários, Jari-Matti Latvala (Toyota Celica ST185) confirmou em toda a linha o favoritismo que lhe era atribuído. O piloto finlandês venceu o Historic Rally de Fafe e sagrou-se campeão absoluto do Campeonato Europeu de Ralis Históricos da FIA.
Latvala, que apresentou um ritmo de “outro campeonato”, beneficiou de um carro que funcionou na perfeição, alcançando o seu objetivo — e justificando perante a Toyota a ausência do Japão, onde seria normalmente o team manager da equipa oficial no WRC. No final, venceu com 4m43,5s de vantagem sobre o italiano Valter Pierangioli (Ford Sierra RS Cosworth 4×4).
Pierangioli acabou por impedir que Maciej Lubiak (Porsche 911 2.7 RS) — líder do CERH à partida para esta última prova — alcançasse o segundo lugar, comprometendo as suas hipóteses de título absoluto.
O quarto lugar foi conquistado por Richard Genesca (Subaru Legacy RS), que se impôs ao já campeão da Categoria 3, Jesus Ferreiro (Ford Escort RS 1800). Já Will Graham (BMW E30 M3), outro dos candidatos ao título, começou bem, mas um pião no terceiro troço fez-lhe perder quase um minuto e refrear os ânimos, terminando em sexto, aquém das expectativas.
Campeões por Categorias
No fecho da temporada, os títulos do CERH ficaram assim distribuídos:
Categoria 2 (1970-1975): Maciej Lubiak (Porsche 911 2.7 RS)
Categoria 3 (1976-1981): Jesus Ferreiro (Ford Escort RS 1800)
Categoria 4 (1982-1992) e Absoluto: Jari-Matti Latvala (Toyota Celica ST185)
Taça de Portugal de Clássicos e Campeonato Norte de Ralis
Paralelamente, o Historic Rally de Fafe integrou a Taça de Portugal de Clássicos, vencida por Rui Ribeiro (Ford Escort MK2), seguido de César Fernandes (Ford Escort MK1) e Armando Marques (Toyota Starlet). Entre os concorrentes em disputa pelo cetro nacional, Filipe Madureira e Sofia Mouta (Nissan Micra) foram os mais fortes.
Na prova de encerramento do Campeonato Norte de Ralis (CNR), disputada apenas no sábado, Mário Castro (Renault Clio RS) conquistou um saboroso triunfo “em casa”, batendo Rafael Cunha (Ford Fiesta R200) por 11,6 segundos — diferença suficiente para se sagrar campeão 2RM (duas rodas motrizes), após um aceso duelo fafense e familiar (Rafael é seu sobrinho).
O já campeão absoluto do CNR, Tiago Silva (Ford Fiesta R5), terminou em terceiro, a 32,3 segundos do vencedor. Em termos absolutos, a prova foi dominada pela dupla fafense Paulo Antunes / Alberto Oliveira (Peugeot 208 Rally4), que competiu extra-campeonato, integrada no Grupo X5.
Fafe confirma estatuto de “Catedral dos Ralis”
Em balanço final, nota máxima para a organização e para a aposta em trazer a Portugal o Campeonato Europeu de Ralis Históricos da FIA. O Demoporto e o Município de Fafe voltaram a demonstrar a capacidade de atrair à “Catedral dos Ralis” a elite das competições internacionais.
Depois de acolher o WRC Rally de Portugal e o CERH, Fafe prepara-se agora para um ainda mais entusiasmante 2026: além de continuar a ser epicentro do WRC, as icónicas especiais em piso de terra do concelho vão marcar o regresso do Campeonato Europeu de Ralis (ERC), mantendo também o CERH no calendário internacional.
O finlandês Jari-Matti Latvala, principal favorito à conquista do título absoluto no Campeonato Europeu de Ralis Históricos da FIA (CERH), em Toyota Celica ST 185, foi o mais rápido, na tarde desta quinta-feira, no Shakedown do Historic Rally Fafe, a prova de encerramento da temporada.
Nos 3,03 quilómetros de extensão do troço de Gontim, o piloto do Toyota deixou o rival mais próximo, o polaco Maciej Lubiak (Porsche 911 2.7 RS), atual líder do CERH, a 3,4s de diferença.
Neste ensaio das “máquinas” para o Historic Rally Fafe que tem início na manhã de sexta-feira, o italiano Valter Pierangioli (Ford Sierra RS Cosworth 4×4) registou o terceiro tempo, na frente do francês Richard Genesca (Subaru Legacy RS).
A dupla Rui Madeira/Nuno Rodrigues da Silva (Mitsubishi Lancer Evo III), única equipa portuguesa participante nesta última prova do CERH, deixou boas indicações ao averbar o quinto tempo absoluto, aos comandos do carro que lhe permitiu, em 1995, sagrar-se campeão mundial de Produção.
Recorde-se que este Historic Rally Fafe vai decidir a atribuição do título europeu, num duelo entre os já referidos Maciej Lubiak, Jari-Matti Latvala e Will Graham (BMW M3).
Shakedown (3,03 km)
1º, Jari-Matti Latvala/Topi Luhtinen (Toyota Celica ST 185), 1m56.5s
2º, Maciej Lubiak/Grzegorz Dachowski (Porsche 911 2.7 RS), a 3.4s
3º, Valter Pierangioli/Michela Baldini (Ford Sierra RS Cosworth 4×4), a 5.7
4º, Richard Genesca/Florent Sompayrac (Subaru Legacy RS), a 7.4
5º, Rui Madeira/Nuno Rodrigues da Silva (Mitsubishi Lancer Evo III), a 12.3
6º, Hervé Guignard/Jean-Jacques Collinet (Alpine A 310), a 12.8
7º, Will Graham/Karen Graham (BMW E30 M3), a 17.9
8º, Ernie Graham/Anna Graham (Ford Escort Escort RS 1800), a 19.3
9º, Eric Guignard/Didier Mefre (Renault 5 Turbo Cevennes), a 19.7
10º, Gregory McCormack/Rhodri Evans (Ford Escort RS 1800), a 20.1
Depois da participação no Rally de Lisboa, Rui Madeira e Nuno Rodrigues da Silva regressam este fim de semana à competição para disputar o Fafe Historic Rally, prova pontuável para o European Historic Rally Championship (EHRC). A dupla vai estar ao volante do lendário Mitsubishi Lancer Evo III, máquina com que o piloto conquistou o título mundial de Produção em 1995.
O shakedown, realizado esta quinta-feira, decorreu de forma positiva, servindo para ultimar detalhes de afinação antes do arranque da prova que, uma vez mais, promete atrair milhares de adeptos às míticas especiais de Fafe.
“Estamos focados em efetuar bons tempos, embora limitados, já que o nosso carro, do Grupo P2, é um Grupo N. Gostamos muito das especiais da primeira etapa e esperamos que o São Pedro nos ajude, assim como à organização”, começou por referir Rui Madeira, que destaca a forte ligação emocional à região e à prova.
As condições meteorológicas adversas durante os reconhecimentos poderão, paradoxalmente, jogar a favor da experiência da dupla: “Os reconhecimentos foram sempre com muita chuva, e nesse caso até podemos ter um pouco mais de experiência numa prova com muitas especiais. Utilizámos o shakedown fazer o acerto total do carro.”
Rui Madeira fez questão de sublinhar o esforço da equipa técnica na preparação do mítico Mitsubishi, que foi completamente revisto nas últimas semanas: “Agradeço à equipa de assistência pelo fantástico trabalho ao montarem o carro todo em apenas três semanas. Esperamos um bom rali, num ambiente fantástico e com o apoio dos nossos fãs e amigos e logo numa das catedrais dos ralis em Portugal, que é Fafe. Vamos tentar lutar pelos lugares cimeiros, mesmo perante grandes pilotos e carros muito mais competitivos.”
O Fafe Historic Rally marca o encerramento da temporada de Rui Madeira, num regresso às origens e às emoções que ajudaram a construir a sua carreira, agora, com o mesmo espírito competitivo e a mesma paixão pelos ralis que o tornaram uma referência do automobilismo português.
O Historic Rally Fafe 2025 contará com um percurso de cerca de 130 quilómetros cronometrados em asfalto, num total de 351 quilómetros de extensão.
O Historic Rally Fafe marca este fim de semana o regresso à ação de Mário Castro, piloto Liber Jeans, que será navegado por Ricardo Cunha. A dupla entra em prova com um objetivo muito claro: manter acesa a esperança na conquista do título das 2 Rodas Motrizes (2RM) no Campeonato Norte de Ralis, que se disputa em simultâneo com o Campeonato da Europa de Ralis Históricos.
A instabilidade meteorológica que tem marcado os últimos dias promete acrescentar dificuldade a um rali já de si exigente. “Com o tempo tão incerto, este pode ser um rali ainda mais complicado. Uma simples escolha errada de pneus pode deitar por terra um bom resultado”, reconhece Mário Castro, que encara a prova com prudência, mas também com ambição.
O piloto admite que o tipo de piso poderá influenciar o seu desempenho, mas mostra confiança na preparação feita. “Se tivermos um rali seco, acredito que conseguirei imprimir um ritmo forte. Caso venha a chuva, será mais um desafio, pois ainda não tenho experiência com este carro nessas condições. Mas estamos prontos para tudo.”
Fafe é uma prova especial para o piloto, que considera jogar em casa uma motivação acrescida: “Conheço bem as classificativas e sei que isso pode ser uma vantagem. Este é o nosso rali de casa, e não será por desconhecimento do terreno que deixaremos escapar um bom resultado.”
Com a mira apontada ao título, Mário Castro e Ricardo Cunha sabem que uma vitória em Fafe poderá selar o campeonato. “O nosso objetivo é claro: vencer entre as 2 Rodas Motrizes. Se conseguirmos esse resultado, carimbamos já o título. Caso contrário, teremos ainda a oportunidade de o garantir em Murça, já que basta terminar em quarto lugar nas duas provas para sermos campeões.”
Com o apoio da Liber Jeans e o entusiasmo do público fafense, Mário Castro parte determinado em “dar tudo em prova” e, se possível, fechar o título ainda este fim de semana.
Piloto de Baião conclui época de 2025 com balanço “extremamente positivo” após participar pela primeira vez em todas as provas da competitiva competição monomarca.
O Rali de Lisboa marcou o encerramento da época 2025 para Filipe Nogueira, piloto de Baião que este ano assumiu o desafio de disputar pela primeira vez todas as provas da Peugeot Rallye Cup Portugal, competição monomarca organizada pela Peugeot Portugal e Espanha com os competitivos 208 Rally4.
O balanço final não podia ser mais positivo: 10.º lugar na classificação geral, num pelotão com 24 pilotos pontuantes, e a sensação de dever cumprido num projeto que aliou competição, aprendizagem e responsabilidade social.
“Sabia que esta temporada seria um enorme desafio”, reconhece Filipe Nogueira. “Era a minha primeira época completa com o 208 Rally4, um carro exigente e com muitos pilotos experientes ao volante. Entrei sem criar grandes expectativas em termos de resultados. No final, o sentimento é de orgulho: fizemos o que prometemos e estivemos sempre à altura.”
O piloto sublinha que esta temporada foi “um projeto montado de raiz”, com limitações orçamentais e uma preparação concentrada em poucos dias antes da primeira prova. “Comecei a época praticamente com uma folha em branco, mas com uma equipa motivada e parceiros que acreditaram em nós. Cumprimos tudo o que nos propusemos fazer e participámos nos melhores eventos do calendário nacional.”
Cinco provas, cinco histórias
A aventura começou no Rali do Algarve, onde o projeto foi confirmado apenas na véspera da prova. “Fizemos um pequeno teste em terra no fim de semana anterior e, mesmo com tão pouco tempo de preparação, conseguimos um resultado positivo”, recorda Nogueira.
Seguiu-se o Rali Terras D’Aboboreira, “a prova de casa”, onde as condições meteorológicas voltaram a ser um fator determinante. “Há três ou quatro anos que não fazemos um Aboboreira sem chuva. Foi um rali com lama, muito difícil, onde passámos praticamente até sábado à hora de almoço a tentar encontrar um ‘set-up’ adequado para o carro. Mas, estar a correr em casa tem sempre um sabor especial.”
Com o fim das provas em terra (as preferidas do piloto) começou a fase de asfalto, com o Rali Vinho da Madeira, uma das grandes clássicas do calendário. “Foi uma experiência fantástica. Tínhamos preparado bem a prova e fizemos um teste importante, mas um suporte solto logo na primeira especial de sábado obrigou-nos a parar e fez-nos perder cerca de 10 minutos. Depois a organização cancelou três especiais, o que foi lamentável, pois impediu-nos de completar a totalidade dos quilómetros planeados. Mesmo assim, a adaptação ao asfalto evoluiu muito.”
Em Chaves/Verín, essa evolução ficou evidente: “Foi um rali onde conseguimos mostrar o nosso ritmo e registámos tempos muito interessantes, terminando com uma sensação muito positiva.”
A época terminou no Rali de Lisboa, disputado em condições particularmente difíceis. “Os pisos estavam extremamente traiçoeiros e a meteorologia não ajudou, mas mantivemos a regularidade e conseguimos fechar a temporada com um 5.º lugar, que acabou por compensar as dificuldades enfrentadas.”
Aprendizagem, resiliência e reconhecimento
O balanço final é claramente positivo. “Este foi um ano de enorme aprendizagem. Estar entre os dez primeiros da Peugeot Rallye Cup Portugal, com um carro novo, contra adversários de grande experiência e equipas bem estruturadas, é algo que nos deixa orgulhosos. Mais do que o resultado, importa a evolução e a capacidade de cumprir o projeto do início ao fim.”
O piloto destaca também a importância do apoio técnico e humano: “Tivemos sempre um carro irrepreensível preparado pela Fernando Costa Motorsport, com o empenho do Bruno Cunha e do Carlos Carneiro. E não posso deixar de agradecer ao Pedro Figueira, que aceitou o desafio de sair da Madeira para disputar pela primeira vez provas no Continente e logo no Campeonato de Portugal de Ralis. Foi um parceiro incansável.”
Um projeto com dimensão social
Para além da vertente desportiva, Filipe Nogueira continua a associar a sua presença nos ralis ao projeto de Prevenção Rodoviária desenvolvido no Município de Baião, que este ano foi também levado a Amarante.
“Mais uma vez conseguimos acrescentar valor e inovação, usando o desporto motorizado como veículo para transmitir mensagens de segurança rodoviária e responsabilidade ao volante. É algo que nos orgulha muito e que queremos continuar a fazer crescer.”
Filipe Nogueira faz questão de agradecer a todos os parceiros que tornaram a época possível: Go Shop, Visit Baião, Kamoka, PHC Serralharia, WTL, Fielnorte, Glassdrive, Yellow MotorLobos, Proteu, Solgás, Marantauto, Freguesia de Teixeira e Teixeiró, CEIB Informática, Petrofregim, Tasca do João, Pestana Automóveis, CSP, RN Design, Protoitures, Mondim Conta e Fernando Costa Motorsport. “A todos os que acreditaram, colaboraram e ajudaram a concretizar este projeto, o meu profundo obrigado. Com pouco fizemos muito, e isso é motivo de grande orgulho.”
Num registo mais pessoal, o piloto dedicou ainda a temporada ao pai, falecido em agosto: “Foi ele quem me transmitiu, desde criança, a paixão pelos carros de rali, nas encostas da Serra da Aboboreira. Esta época é, acima de tudo, uma homenagem à sua memória.”
Filipe Nogueira admite que gostaria de dar continuidade ao trabalho realizado: “Seria extremamente positivo poder fazer uma segunda época com o 208 Rally4, agora com a experiência acumulada. Sinto que temos margem para evoluir e para continuar a representar com dignidade Baião, os nossos parceiros e todos os que nos acompanham.”
Kris Meeke será a grande atração do Killarney Towers Hotel Historic Rally, marcado para 29 de novembro. O norte-irlandês fará uma participação especial ao volante de um BMW M3 E30 preparado pela equipa MATS, dos Países Baixos.
Vencedor de cinco provas do WRC, Meeke regressa a casa depois de uma época completa no Campeonato de Portugal de Ralis, onde venceu cinco ralis ao volante de um Toyota GR Yaris Rally2.
A presença de Meeke é uma homenagem a Maurice Nagle, fundador do rali em 1996 e pai do seu antigo navegador no Mundial, Paul Nagle. Durante os anos em que competiram juntos, a dupla conquistou cinco vitórias no WRC e uma amizade profunda com a família Nagle. “O Maurice sonhava ver os melhores pilotos do mundo em carros históricos nas estradas de Kerry. É um privilégio poder contribuir para manter vivo esse sonho”, sublinhou Meeke.
O evento de Killarney marcará também o regresso de Meeke às estradas irlandesas, 16 anos depois da sua última prova no país, e 18 anos após a sua participação no Historic Rally de 2007 — o mesmo ano em que venceu o Rally of the Lakes. A edição deste ano incluirá novas classificativas na região de Kenmare e terminará com uma prova noturna completa por Moll’s Gap. O rali assinala ainda o 35.º aniversário da icónica vitória de Bertie Fisher e Rory Kennedy em 1990.
“Conduzir um M3 neste rali é um sonho tornado realidade”, afirmou Meeke. “O meu pai, Sydney, que fez 80 anos este ano, trabalhou no BMW de Bertie Fisher na altura. Seria fantástico tê-lo comigo em Killarney. É especial regressar à Irlanda, rever amigos e voltar a competir nas estradas que me inspiraram.”
A participação é possível graças ao apoio de Paul Ahern, da Ahern’s BMW em Castleisland. Entre os nomes já confirmados no rali estão os campeões em título Donagh Kelly e Rory Kennedy, também num BMW M3 da MATS.
O navegador Noel O’Sullivan, natural de Killarney, acompanhará Meeke, renovando a parceria que lhes valeu top 10 no Otago Classic Rally, na Nova Zelândia, em 2024 e 2025. “Competir com o Kris na minha terra natal é especial. O M3 promete ser uma máquina fantástica e estamos ansiosos por sentir a atmosfera única deste rali”, disse O’Sullivan.
Para o diretor de prova Anthony O’Connor, a presença de Meeke confirma “o prestígio internacional do único rali irlandês dedicado a carros históricos”. O Killarney Historic Rally realiza-se a 29 de novembro, com partida cerimonial na noite anterior, no centro de Killarney.
Contra todas as probabilidades, a equipa mafrense Jet Motorsport conseguiu alinhar no Rally de Lisboa 2025, prova pontuável para a Taça de Portugal de Ralis, e terminou com uma vitória no Grupo X2 e um prestigiante 30.º lugar da geral.
O piloto Cristiano Santos destacou o “esforço titânico” necessário para estar à partida, sublinhando o apoio da Câmara Municipal de Mafra e o facto de o centro operacional da prova ter decorrido na cidade. A corrida ficou marcada por várias dificuldades técnicas. “Tivemos problemas elétricos desde as verificações, mas optámos por rodar baterias entre assistências para manter o carro em prova”, explicou o piloto, elogiando o “trabalho à mundial” da equipa de assistência.
A forte chuva foi outro desafio, mas os novos pneus de chuva revelaram-se decisivos: “O carro agarrava-se tão bem como em seco”, referiu Santos. Apesar da tensão e de alguns sustos, a equipa levou o VW Corrado até ao final, conquistando também o 1.º lugar da classe X2-10/11/12.
O navegador João Santos resumiu o espírito da equipa: “Entrámos em modo de sobrevivência, mas conseguimos terminar e vencer — foi uma conquista enorme.”
Para o futuro, Cristiano Santos é cauteloso: “Este ano terminamos por aqui. Em 2026 queremos regressar no Rallye das Camélias, se conseguirmos apoios.”
A Jet Motorsport agradeceu à autarquia, patrocinadores e parceiros mediáticos “pelo apoio e visibilidade dados a este modesto projeto de competição automóvel”.