O nosso programa foi até à The Racing Factory para conversar com Armindo Araújo e Luís Ramalho, campeões nacionais de ralis 2020, aos comandos de um Skoda Fabia R5 EVO daquela equipa nortenha. Numa conversa conduzida pelo jornalista Joaquim Amândio Santos, ficamos a saber tudo sobre a época que deu o sexto título da carreira do piloto e o segundo do navegador. Imagens e edição de Armando Leitão, com sonoplastia de Paulo Seabra.
Piloto polivalente, tem assumido uma carreira bem sucedida na Montanha e nos Ralis, sendo ainda um dos líderes do projeto MNE Sport.Veio até ao Motorsport Hoje para conversar sobre a sua carreira com o jornalista Joaquim Amândio Santos, com especial destaque para o título de Vice-Campeão de. montanha entre os Legends.As imagens são de José Bernardo Coelho e a edição de Armando Leitão.
Fez uma época de 2020 simplesmente notável. No primeiro ano em que enfrentou a “tempo inteiro” o Campeonato de Portugal de Montanha JC Group, António Rodrigues ousou exigir um papel entre os protagonistas principais e levou o seu BRC CM 05 Evo aos títulos de vice-campeão nacional absoluto e da categoria Protótipos.
O médico dentista de Santa Marta de Penaguião é o convidado de Joaquim Amândio Santos, num episódio com imagens de José Bernardo Coelho e edição de Armando Leitão.
Campeão do Mundo de Resistência LMP2, Campeão do European Le Mans Series e vencedor das 24h de Le Mans em 2020, Filipe Albuquerque terá em 2021 um programa desportivo ao mais alto nível no que aos Campeonatos de Resistência diz respeito: para além do Campeonato Norte Americana de Resistência já confirmado há umas semanas, é agora altura de confirmar a presença, uma vez mais, no Campeonato do Mundo de Resistência LMP2 com a United Autosports.
Em equipa que vence, não se mexe, e Filipe volta a juntar-se a Phil Hanson na luta pela revalidação do título, a quem se junta também o jovem piloto Fábio Scherer. Numa das melhores fases da sua carreira desportiva Filipe está ciente dos desafios que tem pela frente e dos objectivos que pretende alcançar: “Depois do que conseguimos em 2020, não posso ser modesto nos objectivos para 2021: quero revalidar o Título Mundial e quero ser Campeão Norte Americano. Se será tarefa fácil?! Não, não será. Mas as dificuldades e a exigência de trabalho, nunca me assustaram. Estou ciente das condições que tenho em mãos e sei que é possível alcançar estes feitos. É com isso em mente que vou arrancar para 2021”, começou por dizer.
Desta forma Filipe irá disputar as duas provas mais exigentes em termos mundiais: as 24h de Daytona em Janeiro, prova que já venceu por duas vezes, e as 24h de Le Mans, prova que ganhou em 2020 e que disputará pelo oitavo ano: “Acho que disputar estes dois campeonatos e estas duas provas é o sonho de qualquer piloto de resistência. Não poderia pedir melhor”, continuou.
Com a United Autosports pelo quinto ano consecutivo e partilhando o Oreca com Phil Hanson e agora com Fábio Scherer, o piloto de Coimbra está confiante: “Que vamos estar na luta pela revalidação do título. Temos um óptimo carro, o Phil tem evoluído como nunca enquanto piloto e isso viu-se bem na época passada e o Fábio, que agora se junta à estrutura, é um piloto jovem mas rápido. Acho que temos um conjunto muito forte que vai dar muita luta em pista”, rematou.
A disputar dois campeonatos ao longo do ano, a agenda será cheia e começa já em Janeiro com as 24h de Daytona.
Edição 2021 apresentará diversas novidades com a introduçãode algumas classificativas novas, uma das quais em Boticas.
O Conselho Mundial da FIA (Federação
Internacional do Desporto Automóvel) já aprovou o calendário do ERC (European
Rally Championship), confirmando o Rally Serras de Fafe e Felgueiras, de 12 a
14 de março próximo, como a primeira das oito provas de 2021. O rali organizado
pelo Demoporto – Clube de Desportos Motorizados do Porto sucede ao “Fafe
Montelongo” que nos passados dias 3 e 4 de outubro, em pisos de asfalto,
integrou o Europeu. Agora, o “Serras de
Fafe e Felgueiras” vai correr-se em classificativas de terra, tal como sucederá
no ano seguinte.
“O contrato assinado com o promotor [Eurosport Events] já previa que em
2021 e 2022 a prova decorra em pisos de terra e essa foi uma das condições
estabelecidas quando aceitámos, este ano, organizar o Rally Fafe Montelongo em
asfalto, que na altura era a única hipótese que tínhamos para integrar o
ERC. É uma longa história que começou em
2018, quando surgiu a possibilidade de o rali fazer parte do Europeu e as
conversações mantiveram-se em 2019, até que em junho deste ano ficou decidido
avançar com um rali de asfalto, para nos dois anos seguintes passar a piso de
terra”, explica Carlos Cruz, presidente do Demoporto.
A edição 2021 do Rally Serras de Fafe
e Felgueiras, cuja prova estará na estrada sábado e domingo (13 e 14 de março),
já se encontra delineada, apresentando um total de 14 classificativas, 7 das
quais diferentes, repartidas entre aqueles dois dias.
Sem entrar em grandes detalhes, Carlos Cruz adiantou que o regulamento da prova já foi encaminhado para a FIA, para aprovação: “O Rally Serras de Fafe e Felgueiras do próximo ano será alargado a mais concelhos, como Vieira do Minho e Boticas. Há várias novidades, como é o caso de classificativas completamente novas. Mesmo em Felgueiras, uma das ‘especiais’ apresentará alterações”, acrescentou aquele responsável.
A façanha torna-se ainda a mais relevante pois o lugar alcançado corresponde ao primeiro entre os que não utilizaram viaturas R5. E apenas só a ausência em algumas provas impediu o piloto de juntar a este resultado o título entre os RC2N.
A época começou logo da melhor forma, com a
conquista do triunfo entre os RC2N no Rally Serras de Fafe e Felgueiras,
impondo assim Adruzilo Lopes os pneus Kumho nos desafiantes pisos de terra nortenhos,
realizando aos comandos do Mitsubishi EVO IX da Domingos Sport uma fantástica exibição
que foi ainda coroada com um 8º posto entre todos os concorrentes do
campeonato.
O calendário competitivo do piloto só teria
recomeço no Rai Vinho Madeira, onde Adruzilo Lopes optou por alinhar com um
Peugeot 208 VTi R2. Acompanhado, como sempre, pelo navegador Paulo Silva, viu a
sua prova muito condicionada por problemas de motor no primeiro dia. Mesmo assim,
venceu três especiais entre os 2R2M ao longo do rali e conseguiu ser 9º
classificado na luta pelos pontos pelo campeonato principal.
O Mitsubishi EVO IX regressou às lides no
Rai Alto Tâmega e Adruzilo Lopes não deu veleidades aos adversários do Grupo
RC2N, vencendo e juntando a esse feito mais um 8º lugar nas contas da geral do
CPR.
Já o Rali Vidreiro teria um desfecho
precoce e trágico que abalou todos quantos fazem parte do CPR. No momento em
que o mesmo foi interrompido, Adruzilo Lopes era 9º da geral e liderava o
grupo, sendo esses os resultados que viriam a ser homologados.
Na terra se iniciou a época de 2020, na terra a mesma teve o seu fim. O Rali Terras D’Aboboreira foi o palco de uma prova magnífica e onde o piloto Kuhmo voltou a puxar dos galões e a assinar uma “faena” impressionante, fechando o campeonato com um brilhante 8º posto e mais uma vitória no grupo.
No balanço final da época, ficam assim as 4
vitórias no Grupo RC2N e o pleno de presenças dentro do Top 10 absoluto do CPR.
A isto se junta o facto de ser o piloto melhor classificado na geral final,
entre os que não usaram os R5 como arma competitiva.
Para Alfonso Salgueiro, diretor geral da
ASR Tyres, empresa representante da Kumho Motorsport na Península Ibérica, estes
resultados “são notáveis e sendo muito frutos do mérito do piloto, revelam
também a competitividade dos pneus Kumho nas mais diversas condições e pisos e
o esforço que a ASR Tyres tem feito, em conjunto com a Kumho, para evoluir e
aumentar a nossa aposta e presença no desporto automóvel”.
O responsável galego considera ainda que
“esta parceria com o Adruzilo Lopes foi muito importante não apenas pelos
excelentes resultados, mas também pelo enorme trabalho de desenvolvimento dos pneus
que que com ele efetuamos, a exemplo do que temos vindo a fazer com pilotos consagrados
nos diferentes mercados europeus onde estamos presentes”.
Alfonso Salgueiro garante que “vamos continuar em 2021 a apostar neste tipo de parcerias, estando a ser preparado um plano que aumentará muito mais o nosso esforço no Motorsport!”.
Foi renhido! Pedro Salvador voltou a sagrar-se Campeão da Super Seven by Toyo Tires, competição que teve o seu epílogo no último fim-de-semana, no mítico Autódromo do Estoril, onde o pluricampeão oriundo de Chaves superou a concorrência para voltar a celebrar um título.
Numa temporada atípica, marcada
por diversas alterações de calendário devido à pandemia de Covid-19 que
atravessamos, Pedro Salvador chegou à última ronda da competição organizada
pela CRM Motorsport na segunda posição do Campeonato. Com corridas disputadas
até ao último centímetro, como comprova a necessidade de recurso ao
photo-finish em duas das últimas provas disputadas no passado fim-de-semana,
Pedro Salvador mostrou a sua garra para subir ao lugar mais alto do pódio
final. “Foi sem dúvida uma temporada diferente do habitual, mas que mostrou
a forma como o desporto motorizado se organizou para conseguir realizar os
campeonato de forma rigorosa e segura. Desportivamente, conseguimos novo título
que muitos nos enche de orgulho, mas queríamos destacar a fantástica prestação
dos nossos adversários, com destaque para o José Carlos Pires, que valorizaram
em muito esta vitória”, destacou o piloto flaviense, antes de agradecer o “excelente
trabalho de toda a equipa Speedy Motorsport na preparação do Caterham 420R ao
longo da temporada.”
Num ano marcado pelas dificuldades generalizadas nos mais diversos setores, os Super Seven mostraram toda a sua competitividad e acessibilidade, como comprovam os recordes de inscritos no passado fim-de-semana no Estoril. Isso deixa Pedro Salvador bastante confiante para o futuro: “A modalidade mostrou competitividade e um número de inscritos bastante interessante, o que acaba por valorizar a presença dos nossos patrocinadores sem o qual não seria possível participarmos e vencermos esta competição”, explicou o piloto antes de parabenizar “todos os pilotos que correram pela Speedy Motorsport nesta temporada por todos os triunfos e títulos alcançados. Que venha 2021!!”
Não há muitas mulheres no automobilismo e o Campeonato de Portugal de Montanha JC Group não é exceção. Gabriela Correia é porventura o rosto feminino mais conhecido da competição, mas há outra piloto a subir as rampas deste país. É Eva Laranjeira, originária de Setúbal mas a residir no norte.
Fomos conhecer melhor quem é esta ‘volante’ da MNE Sport, terceira na Taça de Portugal de Montanha 1300, após uma época conturbada devido à pandemia, mas “muito interessante e muito gratificante” para a própria. “Foi um desafio que me foi lançado”, começa por explica Eva, referindo-se à forma como chegou à modalidade. “Numa fase inicial fiquei um pouco apreensiva. E refleti se devia ‘abraçar’ o desafio ou não. E não podia estar mais feliz por ter aceite, e fiquei feliz. Embora o fecho da época tenha sido esta obra de arte ali exposta, foi muito positivo e estou obviamente muito feliz por ter terminado no terceiro lugar da Taça”, afirmou apontando para o capô do seu carro danificado na Rampa da Arrábida.
O marido da piloto da MNE Sport, José Carlos
Magalhães, foi quem ‘pegou o bichinho’ dos automóveis a Eva Laranjeira. “Fiz
umas experiências com o José ao lado. Umas ‘brincadeiras’ e desafiei-o a fazer
umas provas, umas super-especiais. E aquilo acabou por despertar em mim uma
curiosidade extra, que até à data não tinha. Depois com o desafio que ele me
lançou, foi o juntar de dois pontos que fez com que este ‘bichinho’ se tornasse
em algo mais, que me fez dar o passo para me sentar ao volante”,
explica.
Eva Laranjeira tomou alguns cuidados neste início
de carreira, pois “é muito fácil quem inicia se entusiasmar”. E
acentua: “Fui sempre recordando isso, tendo sempre o apoio da equipa,
porque tem mais experiência, para me dar uma linha de orientação, para
refrearmos um bocado aquilo que é o entusiasmo natural que possamos ter.
Obviamente que há sempre um trabalho contínuo que devemos ter. Há muitas
cautelas que temos que manter”.
A estreia em Murça
A Rampa Porca de Murça foi um momento marcante
para a piloto sadina, pois foi a sua estreia na Montanha. O nervosismo era
enorme, mas Eva não o mostrou: “Tenho uma capacidade de exteriorizar
pouco. Aparentemente estava calma. Mas obviamente que não estava. Foi um
turbilhão de emoções. Um nervoso miudinho. Quando saí da assistência, sentada
no carro e em direção à linha de partida , não pensei em nada. Ia com o
objetivo de chegar, arrancar e tudo mais. Quando me vi parada, a olhar para as
luzes vermelhas, a saber que iam passar para verde e tinha de arrancar, por
momentos pensei; o que é que estou aqui a fazer? Que loucura !”.
“Mas no momento em que a luz passa a verde… não
sei. Há algo em nós que nos munimos de uma concentração. E foi o que eu fiz.
Pensei no objetivo final. Quis chegar ao fim naquela primeira subida. Pensei em
tudo o que o José me tinha dito quando nós passamos na rampa para treinar, em
todas as linhas de orientação que ele também me tinha dado. Aqueles pequenos
detalhes…. No poste metes aquela mudança… Aqui travas… Aqui aceleras. Portanto
tinha tudo isso na cabeça. Aquela questão de nós decorarmos a rampa. Um
principiante, por mais que possa acreditar que consiga decorar, ao fim da
segunda curva já não sabia onde estava. Eram aqueles pontos de referência…e
quando cheguei ao fim era um sentimento de adrenalina e de missão cumprida.
Ficará sempre gravado para mim aquela rampa, porque foi a primeira. Digo sempre
que aquela rampa é a minha preferida, embora não tenha feito muitas. Foi o início
de um desafio, de um projeto e nunca me esquecerei desse primeiro dia”, recorda a piloto da MNE Sport.
A segunda prova de Eva Laranjeira foi a Rampa
Serra da Estrela, onde foi encontrar o ponto mais alto de Portugal Continental
e também um percurso extenso: “Foi uma prova muito positiva. Tivemos
muito tempo parados entre a primeira rampa e a segunda e isso, para mim que era
uma estreante, não ajudou muito. Por isso o sentimento na primeira subida era
quase como se estivesse a começar outra vez. Era como fosse tudo novo. A rampa
é lindíssima. O percurso é fantástico. Adorei a rampa. Gostei do facto de ser
um pouco mais longa do que as outras. Foi muito desafiante. Senti-me muito bem
com aquilo que fiz. Avalio-me muito pessoalmente. Muito mais do que olhar propriamente
para o ‘ranking’ e para os tempos. Desafio-me a melhorar em cada subida. E isso
foi um objetivo que consegui atingir na Serra da Estrela. Foi superar-me sempre
em cada subida. Terminei a rampa muito satisfeita com aquilo que tinha feito”.
Correr em casa e acidente
Depois competir na terra que a viu ‘nascer’ no
final do campeonato, na Rampa Pêquêpê Arrábida, acabou por ser especial para
Eva. “Foi muito gratificante ter a possibilidade de correr. Com a
diminuição de provas sei que o Clube de Motorismo de Setúbal fez um esforço
enorme para conseguir levar avante a realização da rampa. E fiquei muito feliz
quando percebi que efetivamente a rampa ia existir e que ia à minha
terra-natal, a um sítio que eu conheço, fazer aquilo que hoje em dia é uma paixão,
que é correr na montanha”, sublinha. O evento começou bem: “Tive no primeiro
dia de prova um misto de sentimentos. O que prevalecia era o facto de estar em
casa. Estava muito feliz por estar a fazer aquela rampa”.
Depois uma saída de pista deixou as suas marcas,
sobretudo nos rails, já que a piloto saiu ilesa do seu Fiat Uno, cujo capô
amolgado acabou por ser um ‘souvenir’ do acidente. “Foi logo na primeira
subida de domingo. Obviamente que as condições atmosféricas estavam diferentes.
Ia com alguma cautela, porque o piso estava molhado. E numa das curvas, já
quase no final, quase a chegar à meta, tive uma pequena distração de
trajetória, e ao tentar corrigir o carro fugiu-me de traseira, fiz ‘chicote’.
Não tive margem para qualquer reação e embati nas barreiras de cimento que ali
existiam. E terminou assim a minha subida nessa curva número 16 do percurso”.
O facto de, mesmo apesar do acidente, levar para
casa o troféu de terceira classificada da Taça 1300 significa para Eva
Laranjeira “o dever cumprido”. Pois aceitou o desafio que lhe foi
colocado e ainda por cima no pódio do campeonato. “Por isso não podia
deixar de me sentir extremamente feliz. Obviamente que isso me traz muito
alento para 2021, que me traz mais determinação. Claro que é uma satisfação
enorme partilhar este sucesso com o resto da equipa. Sei que para ela também é
gratificante, porque me apoiaram muito, me incentivaram muito, porque me
ajudaram muito neste percurso. E obviamente que este resultado não é mérito só
meu. É mérito de um conjunto de pessoas, que faz parte da equipa MNE Sport”.
Mudar para o Grande Punto
Para próxima época a piloto sadina vai fazer um
‘upgrade’, mudando para um mais moderno Fiat Grande Punto. Levando a ‘brincar’
um pouco com o acidente da Rampa da Arrábida. “Por acaso não”,
responde sobre a provocação de que teria sido uma forma de pedir a José Carlos
Magalhães um carro novo. “O plano traçado – até porque este ano
deveríamos ter oito rampas – era de continuar em 2021 com o Uno. Para ter a
evolução gradual. A evolução que para mim faz sentido, e seria lógica. Com o
que aconteceu na Rampa da Arrábida tivemos que reestruturar aquele que era o
nosso plano inicial. E tivemos de decidir o que iríamos fazer em 2021. E
efetivamente o carro vai ser diferente, e vai ser um novo desafio, uma nova
aprendizagem, mas na qual estou extremamente confiante”, explica Eva
Laranjeira.
Sobre o Grande Punto a utilizar na próxima época a
piloto da MNE Sport diz tratar-se de “um carro mais robusto, muito bem
preparado, tem uma ‘coque’ Abarth. É um carro que correu com a equipa italiana,
vem muito bem preparado, tem excelentes travões. Tem tudo aquilo que
consideramos necessário e fundamental em termos de segurança”. Sendo que Eva
reconhece que “traz alguns desafios, porque é mais pesado”. Também
salienta: “Vou correr nos 1300 e isto acresce o desafio, porque vai ser
uma aprendizagem. Mas é um carro que nós já conhecemos bem. Com um chassis
fantástico, que me vai ajudar, garantidamente, a evoluir, espero eu, com alguma
rapidez”.
O facto de cada vez mais mulheres ‘abraçarem’ o
automobilismo é visto por Eva Laranjeira como uma situação natural. “Acho
muito positivo. Não existe nada que seja só de homens nem que seja só de
mulheres. O automobilismo na minha opinião não é diferente”, frisa a
piloto. Que refere também: “Obviamente que vemos uma esmagadora maioria
de homens neste desporto, mas vão aparecendo cada vez mais mulheres. Fui muito
bem recebida neste meio. Fui muito acarinhada por todas as pessoas. Em todas as
provas em que estivemos tive sempre o privilégio de me darem muito apoio, muito
entusiasmo, sempre com uma energia muito positiva. E isso também destaca a
‘família’ da montanha, em que temos uma proximidade um bocado diferente. Quando
cheguei senti isso ‘na pele’. Algo de que ouvia falar, mas que não tinha
sentido antes, mas que efetivamente este ano senti”.
Mãe, gestora, piloto e a MNE Sport W
Ser mãe, gestora e piloto é algo que Eva aprendeu
a conciliar ao longo deste conturbado ano de 2020. Algo que admite nem sempre
ser fácil. “É um desafio. É preciso um ritmo muito elevado. É preciso
sermos muito focados, muito organizados. Conciliar a vida profissional com a
vida familiar, com o desporto automóvel é uma gestão minuciosa de minutos ao
longo do dia. Mas em termos profissionais tenho uma realidade muito positiva,
que me permite de alguma forma facilitar esta gestão em termos de tempo.
Familiarmente somos um furacão, com uma energia muito própria e é isso que
efetivamente nos alavanca para conseguirmos ter disponibilidade, energia e
vontade de nos dedicarmos a esta paixão do desporto automóvel”,
observa.
Uma das novidades para o futuro da MNE Sport é o
facto do projeto poder vir a contemplar mais senhoras. Uma ideia que piloto de
Setúbal explicou: “Delineei e partilhei a ideia com a equipa, que a
‘abraçou. Eu, enquanto mulher que entrou no automobilismo, penso muito e estou
sempre a magicar uma série de coisas e surgiu a ideia de criar uma equipa
feminina. Porque não ‘abraçar uma fação que está desequilibrada, entre homens e
mulheres, e acho muito interessante que eu sendo mulher desenvolver um projeto
– e ele está definido, inclusive no tempo, porque não é algo que se consiga
fazer de um dia para o outro – que é criar a MNE Sport W, de Women. E isso será
a base de todo o trabalho”. “Nós temos os meios para que isso
aconteça. E o objetivo é buscar senhoras/meninas que já tenham alguma noção de
automobilismo, do karting, por exemplo, e trazê-las para a nossa equipa. E até
2025 eu quero ter efetivamente a MNE Sport W, com uma equipa constituída por
mulheres”, refere também.
Eva Laranjeira está para já a competir na Montanha, mas acredita que no futuro poderá “dar uma perninha” noutra especialidade do automobilismo. “A minha rampa de lançamento foi a Montanha. Há outras modalidades que me suscitam alguma curiosidade, que gostava de experimentar. Por isso sim, sem dúvida, que no futuro irei experimentar algo mais”.
Pedro Salvador e Bernardo Bello revalidaram o título obtido na temporada transacta nas categorias 420R e S1600 Pro. Frederico Brion Sanches festejou a consagração na categoria Business. Chuva trouxe emoção ao derradeiro fim-de-semana do ano, que contou com 6 fantásticas corridas
Foi um fim-de-semana em cheio. Pleno no número de corridas (6), mas também na qualidade das batalhas em pista que tiveram lugar no traçado emblemático do Circuito do Estoril ao longo dos três dias do Estoril Racing Festival — evento da CRM Motorsport promovido em parceria com o Motor Clube do Estoril e que celebrou a sua 10ª edição neste ano de 2020. Foi, também, um ano atípico, pelas razões que se conhecem. Mas cujo impacto em nada hipotecou a conhecida espetacularidade (e o enorme cavalheirismo) que se vive nas corridas do Super Seven by Toyo Tires. Razões que levam Tiago Raposo Magalhães a fazer a seguinte homenagem:
“Antes dos resultados e dos parabéns
aos campeões, quero vincar um merecido ‘obrigado!’ aos pilotos e equipas do Troféu,
bem como a todo o staff, por terem levado a nossa competição a bom-porto e por
continuarem a brindar a família Super Seven com a sua amizade”,destaca o CEO da CRM
Motorsport.
No plano desportivo, após seis brilhantes
corridas, há naturalmente que destacar a revalidação dos títulos conquistados
na época transata por Pedro Salvador e Bernardo Bello na categoria 420R e S1600
Pro, respetivamente, bem como a consagração de Frederico Brion Sanches na
classe S1600 Business.
Mas também enaltecer a enorme competitividade
que marcou esta passagem pelo Estoril Racing Festival: das três pole-positions
de Gonçalo Lobo do Vale na categoria 420R ao brilhante desempenho que o piloto
da BCM Sports evidenciou na segunda corrida de sábado, perdendo aquele que
seria o seu primeiro triunfo de 2020 mesmo ao cair do pano.
Ou a força mental de José Carlos Pires, que respondeu
aos dois triunfos consecutivos de Pedro Salvador nas corridas 1 e 2 que tiveram
lugar no sábado com uma garra inacreditável, vencendo ao “photo-finish” a
terceira contenda do fim-de-semana por meros 35 milésimos de segundo! Do mesmo
modo, a resposta de Pedro Salvador na 2ª corrida de Domingo (a 5ª do programa
desportivo), num movimento tirado a papel químico (saída forte na zona da
Parabólica) que lhe permitiu superar o seu grande rival desta temporada por
apenas 44 milésimos. Tudo num confronto em que os 6 primeiros terminaram
separados por irrisórios 1,5 segundos!
Há ainda que destacar o melhor resultado da época para Nuno Afonso (4º classificado na Corrida 5) e Daniel González-Vallinas (8º na corrida 6), os regressos saudosos e bem-sucedidos de Nuno Pires, Ricardo Rajani, Rui Silva e André Correia entre os 420R e de António Nunes Almeida na S1600 Pro, o excelente andamento de Paulo Macedo ao longo desta prova e ainda os dois triunfos de Pedro Lacerda na S1600 Pro e de Bruno Martins na S1600 Business.
Apesar de beneficiar do azar que se abateu sobre
os seus principais opositores (João Rebelo Martins e Bruno Martins) ao longo
deste Estoril Racing Festival, Frederico Brion Sanches é um justo vencedor da
categoria Business. Já Bernardo Bello deu mais uma prova cabal de que se
encontra preparado para outros voos, pela velocidade e garra demonstradas em
pista — um repto que seguramente seria bem acolhido pelos participantes da
categoria 420R.
Na mais potente das classes do Super Seven by
Toyo Tires, assistimos à emoção de sempre e à presença sistemática de 10
potenciais candidatos ao pódio, além dos nomes já referidos: Diogo Tavares,
Diogo Costa, J. J. Magalhães, Sérgio Saraiva e David Saraiva — um quinteto que
dispensa apresentações e que não raras vezes colocou o atual campeão e vice-campeão
da classe em apuros ao longo desta temporada.
“Parabéns, também por isso, à Speedy Motorsport, que celebrou 4 triunfos na categoria 420R e outros três na S1600 Business. Mas igualmente a todas as equipas que dão corpo a este Troféu: Atomic-Mageltech, BCM Sports, BS Motorsport, Garagem 19, Teaam Nuoorte e a própria estrutura de competição da CRM Motorsport”, reforça Tiago Raposo Magalhães. Porque a família não se esgota nos vencedores e nos que se destacaram na derradeira prova do ano, o promotor do Troféu de maior longevidade do automobilismo nacional faz uma menção especial para os restantes pilotos que participaram na 12ª época da história do Super Seven by Toyo Tires, “nomeadamente Luís Calheiros Ferreira, Paulo Costa, Duarte Lisboa, Luís Lisboa, José Kol Almeida, Nélson Gomes, Ricardo Araújo, Tiago Sousa, André Matos, José Maria Marreiros, Manuel Fernandes, Francisco Figueiredo, Miguel Couceiro, Fernando Costa e Filipe Graça”.
Na opinião do responsável da CRM Motorsport,
“não havia uma melhor forma de terminar a época. Seis corridas, duas delas com,
muito provavelmente, as menores diferenças de sempre entre o 1º e o 2º
classificado — 35 e 44 milésimos de segundo —; 7 vencedores distintos e 14
pilotos a subirem ao pódio. Numa palavra, brilhante!”, assegura.
“Parabéns ao Speedy Salvador, que uma vez mais provou a sua qualidade ao volante na categoria 420R, ao José Carlos e à sua equipa pela excelente réplica que deram ao camisola amarela, ao Bernardo Bello por ter celebrado o bicampeonato na S1600 Pro e ao Francisco e à BS Motorsport por terem assegurado o título reservado à classe Business. Tenho a certeza de que 2021 será igual ou melhor, e é com esse espírito que todos na CRM Motorsport já se encontram a preparar a próxima temporada!”, concluiu.
O Ford Escort RS 1600 de Rui Alves venceu a segunda corrida dos Clássicos disputada no âmbito do Estoril Racing Festival, a última de 2020. Luís Alegria (Datsun 1200) ganhou entre os Clássicos 1300 reclamando o título de campeão da categoria.
O Campeonato de Portugal de Velocidade Clássicos e Clássicos 1300 teve o seu epílogo no Autódromo do Estoril com a derradeira corrida de 2020 a ser ganha por Rui Alves ao volante do muito bem preparado Ford Escort RS 1600. No segundo lugar ficou outro Ford Escort RS 1600, desta feita pilotado por Joaquim Jorge, enquanto em terceiro ficou outro Escort RS, desta feita uma versão de Gr.5, pilotado por João Cruz. A quarta posição ficou na posse do BMW 323i de Jorge Cruz. A fechar os cinco primeiros e com a vitória entre os Clássicos 1300, ficou o Datsun 1200 de Luís Alegria.
A derradeira corrida dos Clássicos e
Clássicos 1300 do Estoril Racing Festival conheceu forte animação, com lutas em
todo o pelotão e alguns dos Clássicos a não suportarem as agruras da
competição.
Na frente, Rui Alves foi pressionando João
Macedo Silva até que o belo Porsche 911 RSR laranja decidiu amuar e partir um
elemento da transmissão, deixando o seu piloto apeado. Com o Escort a funcionar
de forma perfeita, Rui Alves sacudiu a pressão de Joaquim Jorge e levou o
Escoret RS 1600 até á bandeira de xadrez, reclamando uma saborosa vitória.
Pelo caminho, além do Porsche de João Macedo Silva, ficou o belo De Tomaso Pantera de Pedro Resende, parado nas boxes com um problema mecânico logo na primeira volta da corrida. Aliás, esta derradeira prova dos Clássicos e Clássicos 1300 foi fértil em paragens nas boxes. Pedro Resende, como referido, foi o primeiro, seguido do Porsche 911 de Mário Meireles, do espetacular Porsche 934 Turbo de Pedro Bethencourt e do Escort RS de António Soares. Também o Mini de Tiago Fino Vitorino fez uma passagem pelas boxes.
Entre os Clássicos 1300, Luís Alegria não
teve dificuldade em vencer com o seu Datsun 1200 e ainda foi capaz de reclamar
um sexto lugar à geral. O seu opositor na categoria, Cândido Monteiro conheceu
algumas dificuldades e terminou na 14º posição da geral.
Destaque, ainda, para a batalha travada entre
João Vieira e Pedro Poças, ambos ao volante de carros da marca de Estugarda, o
primeiro com um belo 914-6 GT, o segundo com um irrequieto 924. Trocaram
algumas vezes de posição, por via disso perderam o contacto com o BMW 2002 Ti
de Simplício Pinto e fecharam, assim, o Top 10. O BMW 2002 Ti de Carlos
Fernandes não arrancou para a prova devido a insolúveis problemas
mecânicos.
Contas feitas às diversas classes, o Gr. 5 foi ganho por João Cruz (Ford Escort RS) seguido de Luís Nunes (Ford Escort RS), António Soares (Ford Escort RS), Tiago Fino Vitorino (Austin Mini) e Jorge Leite (Mazda RX-2). Nos H71, vitória para João Vieira (Porscdhe 916-6 GT) seguido de Cândido Monteiro (Datsun 1200), enquanto que H75, o primeiro lugar foi para Rui Alves, seguido de Joaquim Jorge, ambos em Ford Escort RS, seguidos de Luís Alegria (Datsun 1200) e de Mário Meireles (Porsche 911). Nos H81, Jorge Cruz levou o BMW 323i à vitória, seguido de Pedro Poças (Porsche 924) e Pedro Bethencourt (Porsche 934 RSR). Entre os Clássicos 1300, vitória para Luís Alegria nos H75 1300 enquanto que Cândido Monteiro venceu os H71 1300. Quanto às contas do campeonato, aguardando a oficialização da FPAK, João Cruz ganhou o título no Gr.5, Jorge Cruz foi o melhor nos H81, Carlos Barbot venceu os H71 e a Taça 1600 e Joaquim Jorge leva para casa o título dos H75. Nos 1300, Luís Alegria foi o campeão.